O que é NWOBHM? Os 35 Discos Essenciais do Heavy Metal Britânico

 

A New Wave Of British Heavy Metal (NWOBHM) foi um dos movimentos mais importantes da história da música pesada, e teve seu início no final da década de 1970, quando o heavy metal precisava lutar para se manter em evidência por causa da explosão do punk. Musicalmente, a NWOBHM não tem uma assinatura estílica como em geral acontece nos demais afluentes do heavy metal, sendo mais uma referência a um grupo de bandas surgidos em uma época e em lugar específicos: Inglaterra, entre 1979 e 1985.

Mesmo porque, em termos musicais as bandas são tão diferentes quanto excelentes. Enquanto umas investiam na força e na velocidade do heavy metal, outras bebiam da fonte bluesy do Black Sabbath e várias investiam numa forma mais progressiva do hard n’ heavy.  Se bem que a força das guitarras múltiplas se tornou um elemento central para a maioria das bandas da NWOBHM, permitindo harmonias e estruturas mais complexas.

“A NWOBHM trouxe muitas bandas menos conhecidas, cujo estilo musical era muito mais interessante, na minha opinião. Tudo se baseava em padrões cíclicos de riffs”, afirmou Dave Mustaine, fundador do Megadeth e ex-membro do Metallica, corroborando nossa observação. Exemplos desta afirmação de Mustaine são os fantásticos Diamond Head e o Holocaust.

Os nomes mais icônicos do movimento em seu princípio foram o Def Leppard, de Sheffield, o Iron Maiden de Londres, o Saxon de Yorkshire e o Venom de Newcastle. Mas a fertilidade do heavy metal na Inglaterra gerou uma quantidade enorme de bandas nesse período, com maior ou menor destaque, como Diamond Head, Raven, Girlschool, Satan, Blitzkrieg, Tygers of Pan Tang, Savage, Witchfynde, Angel Witch, Holocaust, Jaguar, Demon e Samson.

Todas essas foram bandas importantes para o desenvolvimento do heavy metal na década de 1980, principalmente para o advento do thrash metal, influenciando diretamente nomes pioneiros como Metallica, Slayer, Megadeth, Anthrax e Testament.

Abaixo, contaremos um pouco desta história, comentaremos sobre as quatro bandas principais e te ofereceremos uma discografia básica, com 35 discos essenciais da New Wave of British Heavy Metal.

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Um Pouco da História da New Wave Of British Heavy Metal (NWOBHM)

A New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM) foi um período entre 1979 e 1985 quando uma nova geração de bandas de cabeludos emergiram praticando um tipo de heavy rock que o punk tentou varrer para baixo do tapete.  Antes destas bandas começarem a tocar ao vivo e a gravar seus discos, os grupos que ainda ostentavam a bandeira do heavy metal no Reino Unido eram o Judas Priest e o Black Sabbath.

Pouco a pouco, a coisa foi crescendo e apareceram nomes como Iron Maiden, Saxon, Savage, Angel Witch, entre muitos outros que habilmente “sintetizaram as camadas góticas do Judas Priest com o perigo iminente do punk rock – uma combinação impressionante e letal”, como bem descreveu Ian Christe no livro “Heavy Metal – A História Completa”.

Logo, periódicos renomados como o Sounds e o New Musical Express começaram a falar destas bandas, com artigos introdutórios a uma gama de novos nomes do heavy rock inglês que faziam o circuito de clubes ingleses.

Inclusive, o termo New Wave Of British Heavy Metal foi primeiramente usado por Geoff Barton, editor do periódico Sounds, em 1979, e disseminado  para englobar bandas que se influenciavam em peso-pesados da década de 1970, não-necessariamente ingleses, como Black Sabbath, UFO, Scorpions, Motorhead, Judas Priest e Rainbow. “A NWOBHM já existia, mas alguém da mídia apenas o encontrou e deu um nome”, alertou John Gallagher, do Raven.

Iron Maiden Top of The Pops 1980
Iron Maiden no programa Top of The Pops em fevereiro de 1980.

Historicamente, um ponto marcante na divulgação da NWOBHM se deu em fevereiro de 1980, quando o Iron Maiden tocou “Running Free” ao vivo no Top of the Pops, lançando seu primeiro disco homônimo três meses depois. À partir deste evento o heavy metal britânico mostrou sua força em rede nacional e estava pronto para um crescimento vertiginoso sustentado por uma sequência matadora de discos clássicos.

Naquele mesmo ano viriam “Wheels of Steel” do Saxon, “On Through the Night” do Def Leppard, o primeiro auto-intitulado do Angel Witch, “Lightning to the Nations” do Diamond Head, “Demolition” do Girlschool (uma banda feminina muito influenciada pelo Motorhead) e “Head On” do Samson (que trazia o vocalista Bruce Dickinson antes dele entrar no Iron Maiden). Ian Christe afirma que “escolhendo as conexões com o passado, essa impressionante lista de álbuns trouxe um peso implacável com vagos flashes de euforia que, juntos, formavam o núcleo do universo NWOBHM”.

Junto a eles, bandas clássicas da geração anterior engrossava o caldo da renovação do heavy metal britânico: “British Steel” do Judas Priest, “Heaven & Hell” do Black Sabbath e “Ace of Spades” do Motorhead eram discos que revitalizavam a sonoridade de cada um destes gigantes e apoiavam o que as bandas da NWOBHM faziam, numa troca simbiótica de energia renovadora e respaldo histórico. Os músicos destes nomes veteranos pareciam até mais agressivos à partir de 1980, adotando a estética do couro e jeans típica das novas bandas.

No ano seguinte, 1981, a revista Sounds fez sua histórica cobertura da NWOBHM, publicada em junho, em uma edição dedicada apenas à cultura heavy metal batizada de Kerrang!. Logo esta nova publicação era encarada como a bíblia do estilo, administrada pelos jornalistas Geoff Barton e Malcom Dome, e capaz de impulsionar as carreiras das bandas que ali apareciam, tamanha a influência que ela passou a ter. Pelas páginas da Kerrang! bandas de temática obscura como Witchfinder General, Angel Witch e Venom tinham espaço e passavam a ser conhecidas pelo público ainda em 1981.

Em meio a tudo isso o Iron Maiden lançava dois discos emblemáticos que cristalizavam o potencial criativo da NWOBHM em seu mais alto nível até que em 1982 “The Number of the Beast”, o primeiro disco da banda com Bruce Dickinson, os fez furar a bolha da NWOBHM e explodir como um nome forte do heavy metal ao lado do Judas Priest, levando à reboque consigo a cena que, à partir de então, ganhou interesse de fãs de fora da Grã-Bretanha.

O próprio Rob Halford, vocalista do Judas Priest, sinalizou o peso da importância deste disco para o heavy metal britânico: “O nome é ótimo e realmente mostrou um outro lado do metal vindo do Reino Unido. Foi decisivo para o movimento britânico da época. Existem alguns grupos no metal – como em vários tipos de música – que são importantes, e esse é um deles.”

Com isso, a NWOBHM ganharia o coração dos fãs de heavy metal pelo mundo e influenciaria movimentos mais discretos em outros países, como Bélgica, Holanda, França, Alemanha e Dinamarca, além de ser, junto ao UK82, o motor que impulsionou o surgimento do thrash metal. Ou seja, este movimento de bandas britânicas foi um dos mais influentes que o heavy metal já produziu.

O Espírito Independente das Bandas da NWOBHM

Uma característica que acompanha as bandas da NWOBHM desde o início é o espirito do “faça-você-mesmo” herdado do punk e motivado pelo desinteresse por parte dos selos mais importantes. “Essas novas bandas arregaçaram as mangas e formaram selos independentes especializados”, escreveu Ian Christe no livro “Heavy Metal – A História Completa”. Ele continua: “As bandas faziam as próprias capas, geralmente em preto e branco, compensando a simplicidade com logos chamativos e imagens apocalípticas tiradas de quadrinhos de fantasia e ficção científica”

Com isso, surgiram selos como Heavy Metal Records, Ebony Records, Music For Nations, Bronze Records e a Neat Records. De repente, estar em um selo pequeno e independente era parte de pacote de características da NWOBHM, à exceção do Iron Maiden, que ganhou a concorrência com o Angel Witch por um contrato com a EMI.

O Quarteto Fantástico da New Wave Of British Heavy Metal (NWOBHM)

Foram várias as bandas competentes que surgiram na NWOBHM, mas quatro delas merecem destaque especial, por motivos diferentes.

IRON MAIDEN

O Iron Maiden é a maior banda da NWOBHM e seu disco “The Number of The Beast” é, talvez, o maior clássico do movimento e certamente é um dos cinco maiores discos da história do heavy metal. Esse é um disco marcante por diversas razões: a mudança de vocalista (de Paul Di’Anno para Bruce Dickinson), a temática apocalíptica que lhes rendeu o título de banda satânica do ano e a capa provocativa dando ainda mais poder à imagem do mascote Eddie, mas principalmente pelo repertório forte.

Sobre sua entrada na banda, Bruce Dickinson anos mais tarde diria: “Eu sabia que estava me juntando a uma grande banda. E sabia que podia deixa-la ainda melhor. Em ‘The Number of the Beast’ minha voz se encaixou de forma perfeita na banda”.

E uma ouvida rápida em clássicos como “Run to the Hills”,”22 Acacia Avenue”, “Children of the Damned”, além das já citadas “The Number of the Beast” “Hallowed Be Thy Name” corroboram essa afirmação de Bruce Dickinson, que também detecta o único defeito do repertório: “O único erro que cometemos foi incluir ‘Gangland’ em vez de ‘Total Eclipse’. Mas o resto do álbum é fantástico”.

SAXON

O Saxon é o “óleo essencial” da NWOBHM! Entre 1980 e 1981 a banda entregou três clássicos indiscutíveis do heavy metal: “Wheels of Steel” (1980), “Strong Arm of the Law” (1980), “Denim & Leather” (1981). Apesar de eu gostar mais “Denim & Leather” (1981), não há como negar que “Wheels of Steel” (1980) definiu uma estética para o metal inglês. Olha só a sequência matadora do lado A do vinil: “Motorcycle Man”, “Stand Up and Be Counted”, “747 (Strangers in the Night)”, e “Wheels of Steel”. Se você não soubesse nada sobre a NWOBHM essas músicas seriam um bom resumo inicial.

Além disso, muito da sonoridade criada pela produção de Pete Hinton para “Wheels of Steel” é copiada à exaustão até os dias de hoje, principalmente pela mistura de heavy metal com rock n’ roll, dotado de um espírito à lá “juventude transviada”. O Saxon produziu um som direto, honesto e uma ligação com a cultura “on the road” das motocicletas que definiu uma das facetas da NWOBHM.

DEF LEPPARD

O Def Leppard foi, de longe, a banda com mais sucesso comercial surgida na New Wave of British Heavy Metal, isso pelo distanciamento da sonoridade britânica em busca do mercado norte-americano. Porém, antes do som radiofônico e comercial dos multi-platinados “Pyromania” (1983) e “Hysteria” (1987), o Def Leppard ajudou a solidificar o heavy metal britânico nos anos 1980 com o disco “On Through the Night” (1980).

Tudo bem que “Hello America” já revelava as intensões de atingir o mercado fonográfico do outro lado do Atlântico por parte da banda desde aquele primeiro disco, mas é fato que “On Through the Night” (1980) é um disco que engrossa o caldo de clássicos da NWOBHM, pois mesmo que mirassem um objetivo diferente de seus contemporâneos como Iron Maiden e o Saxon, não dá pra discutir que faixas como “Rock Brigade”, “Wasted”, “Rocks Off”, “Answer To The Master” e a progressiva “Overture” são o típico heavy metal britânico.

VENOM

Neste posto poderia estar outras bandas da NWOBHM, como o Angel Witch e o Diamond Head, por exemplo. Mas nenhuma delas criou um subgênero do heavy metal; já o Venom o fez, criando o black metal. Formado no final dos anos 70, na cidade de Newcastle, o Venom logo foi batizado de trio cavernoso por causa de seu primeiro disco, “Welcome to Hell” (1981), que apesar da agressividade e o nível de blasfêmia, ainda estava musicalmente inserido na NWOBHM.

Foi com “Black Metal”, de 1982, que a banda definiu um estilo para si, batizando-o junto com o álbum que os colocou na história do heavy metal por trazer faixas como “Black Metal”, “To Hell And Back”, “Teacher’s Pet”, “Countess Bathory”. Com um som pesado, massacrante, e sujo, pseudônimos mitológicos, produção crua e muita blasfêmia, eles elevaram o proto-satanismo do Black Sabbath a um alto patamar provocativo, usando a potência musical do Motorhead para criar uma sonoridade crua, agressiva, cavernosa e que emoldurava seu satanismo gótico, que beirava a ingenuidade. Esse disco é um dos pilares do black metal como vimos nessa lista de 18 Discos Essenciais do Black Metal.

OS 35 Melhores Discos da NWOBHM:

Por fim, como não é possível falar de todas as bandas excelentes que surgiram do seio da NWOBHM, vou deixar uma lista com aqueles que considero os melhores discos do movimento. Cabe lembrar que vários deles foram recentemente relançados no Brasil pelo selo Hellion Records em edições luxuosas. Os links em azul são para aqueles discos que temos resenhas ou textos especiais (basta clicar neles e você será redirecionado para o artigo).

  1. Saxon – “Wheels of Steel” (1980)
  2. Def Leppard – “On Through the Night” (1980)
  3. Angel Witch – “Angel Witch” (1980)
  4. Diamond Head – “Lightning to the Nations” (1980)
  5. Samson – “Head On” (1980)
  6. Iron Maiden – “The Number of the Beast” (1982)
  7. Venom – “Black Metal” (1982)
  8. Tygers of Pan Tang – “Spellbound” (1982)
  9. Satan – “Court in the Act” (1983)
  10. Witchfynde – “Give em’ Hell” (198)
  11. Raven – “Wiped Out” (1982)
  12. Demon – “Night of the Demon” (1981)
  13. Blitzkrieg – “A Time of Changes” (1985)
  14. Tokyo Blade – “Tokyo Blade” (1983)
  15. Girlschool – “Demolition” (1980)
  16. Holocaust – “The Nightcommers” (1981)
  17. Jaguar – “Power Games” (1983)
  18. Tysondog – “Beware the Dog” (1984)
  19. Savage – “Loose n’ Lethal” (1983)
  20. Grim Reaper – “See You In Hell” (1983)
  21. Tank – “Filth Hounds of Hades” (1982)
  22. Witchfinder General – “Death Penalty” (1982)
  23. Chariot – “The Warrior” (1984)
  24. Gaskin – “No Way Out” (1982)
  25. Pagan Altar – “Pagan Altar” (1982)
  26. Saracen – “Heroes, Saints & Fools” (1981)
  27. Battleaxe – “Power from the Universe” (1984)
  28. Cloven Hoof – “Cloven Hoof” (1984)
  29. Praying Mantis – “Time Tells No Lies” (1981)
  30. White Spirit – “White Spirit” (1980)
  31. Quartz – “Stand Up and Fight” (1980)
  32. Chateaux – “FirePower” (1984)
  33. Avenger – “Blood Sports” (1984)
  34. Heavy Pettin – “Lettin Loose” (1983)
  35. Vardis – “100 M.P.H” (1980)

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