A ARTE DOS LP’S: Black Sabbath e a enigmática capa de seu 1º álbum.


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Como estilo musical, o marco zero convencionado para o advento do Heavy Metal é o lançamento do primeiro álbum do Black Sabbath. 

Numa época onde a onda hippie e o discurso flower power eram aspergidos pelos convertidos aos dogmas emanados no Woodstock, o Black Sabbath, à época iniciante, primava por uma temática sobrenatural, à começar pela capa que trazia uma arte gráfica fúnebre e gótica, de uma mulher parada num cenário lúgubre completado por uma casa abandonada, em tons marrom e cinza.  

Ao longo dos anos, com o desenvolvimento do gênero e fidelização quase catequista dos fãs, começaram a surgir algumas questões.

Existe realmente aquele lugar?

Se sim, onde ficaria aquela casa?

Quem seria a mulher, e o que ela estaria segurando? Seria uma bruxa ou uma vampira?

E, por fim, qual o significado do corvo no velho galho da contracapa?

Podem parecer questões menores se comparadas com a importância das músicas, mas numa época em que a arte musical ia além da harmonização de sons, extrapolando para a apreciação minuciosa de todos os detalhes gráficos de capa e contracapa, este tipo de questionamento não era exclusividade deste álbum. 

“Black Sabbath”, o álbum, foi lançado em 13 de fevereiro de 1970, uma sexta-feira, e definia um gênero que vinha sendo construído desde que Jimi Hendrix distorceu e inflamou as notas do Blues, dando intensidade e peso ao Rock psicodélico.

Confira a evolução dentro do rock que levou ao advento do Heavy Metal, aqui…

Mas, enquanto Hendrix ia pelo caminho efervescente e lisérgico, o quarteto de Birhmingham, completado por Ozzy Osbourne, Tonny Iommi, Geezer Butler e Bill Ward, investia nos mesmos acordes menores do Blues, e improvisos jazzísticos,  mas com psicodelia ocultista, tempos mais lentos, quase rastejantes, e clima funesto, épico, obscuro, e teatral.

Além disso, falavam de aparições diabólicas, bruxas, feitiçaria, trajavam peças escuras, e pesadas, e vinham adornados por cruzes metálicas manufaturadas pelo pai de Ozzy.

Black Sabbath Markus Keef
Marcus Keef, além do Black Sabbath, teve suas fotografias em capas de nomes como David Bowie, Rod Stewart, e Status Quo…

Os sinos e os riffs macabros de clássicos como “Black Sabbath”, “N.I.B.”, e “Evil Woman”, gravados em apenas quatro dias de estúdio, mostravam que novos tempos estavam  chegando para a música, falando direto à alma da juventude sem esperança e cansada da utópica filosofia hippie.

Mas, antes mesmo da chuva, dos sinos, e do riff macabro que inaugura o Heavy Metal, a capa já causava impacto e instigava a imaginação.

A foto que estampa o álbum  foi tirada pelo fotógrafo Marcus Keef, que também fez a capa de álbuns como “The Man Who Sold The World” (1970), de David Bowie, “Gasoline Alley” (1970), de Rod Stewart, “On The Level” (1975), do Status Quo, e “Paranoid”, do próprio Black Sabbath.

Keef foi contratado pela gravadora Vertigo Records para fazer fotos de lugares parecidos com o utilizado no capa, e, após escolhida a foto, utilizou uma técnica conhecida como “false color photography”, que faz os verdes parecerem rosa.

Confira a psicodelia obscura do clipe da faixa “Black Sabbath”… 

 

MAS EXISTE MESMO AQUELE LUGAR?

Sim, existe!

Se trata de um moinho e não uma casa, situado num vilarejo nas imediações de Reading, a menos de cem quilômetros de Londres, às margens do Rio Tâmisa. Este moinho data do século XV e ainda funciona em Mapledurham, no condado inglês de Oxfordshire.

O mesmo moinho foi usado no filme “A Águia Pousou”, de 1976, adaptado do livro homônimo de Jack Higgins, e último trabalho do diretor John Sturges. O local, ao longo dos anos, se tornou ponto de visitação dos aficionados pela banda e pelo gênero.

Black Sabbath Marcus Keef Mapledurham
O moinho de Mapledurham, no condado inglês de Oxfordshire, na Inglaterra. Confira o local via Google Earth, aqui…

 

QUEM SERIA A MULHER, E O QUE ELA ESTARIA SEGURANDO? 

A mulher da capa, não sabemos se bruxa ou vampira (talvez, só uma “evil woman”) era uma modelo também contratada pela gravadora, mas que ninguém se lembrava certamente seu nome.

Durante anos acreditou-se que se tratava da esposa de Bill Ward, enquanto outros afirmavam que se tratava de Ozzy travestido. Mas o fato da banda não ter participação na escolha da arte gráfica junto a gravadora põe estas opções na seção de improváveis.

Infere-se que a modelo se chamava Louise, e que ela teria abandonado a carreira logo após este trabalho por razões desconhecidas. Diz a lenda, que anos mais tarde uma mulher se apresentou a Geezer Butler como sendo a modelo da capa, mas não recebeu muita credibilidade.

Black Sabbath 1970 Marcus Keef
A foto da capa de primeiro álbum de Heavy Metal da história foi feita pelo fotógrafo Markus Keef, para a Virgin Records, utilizando uma técnica conhecida como “false color photography”.

 

DÚVIDAS…

Infelizmente, é impossível responder o que a mulher parece segurar na foto. Alguns dizem se tratar de um gato preto, outros um cabo de uma vassoura ou uma pá, ou uma “varinha mágica, e já vi em alguns fóruns quem acredite que a mulher enigmática da capa não segure nada.

O próprio Keef, que fotografou a cena, diz não se lembrar nem do nome da modelo e muito menos o que ela segurava.

Quanto ao corvo, não existe consenso se ele estava “acidentalmente” ali na hora certa e no lugar certo para a foto, ou se foi adicionado posteriormente.

A única certeza é que poucas foram as vezes em que a capa de um álbum dialogou tanto com a música a qual embalava, e se tornou tão enigmática e misteriosa.

REFERÊNCIAS

  1. Johnny Morgan e Ben Wardale. “The Art of the LP”.
  2. Daniel Bukszpan. “The Encyclopedia of Heavy Metal”.
  3. Joel McIver. “Sabbath Bloody Sabbath

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