RESENHA | Napalm Death – “Throes of Joy in the Jaws of Defeatism”

 

A histórica banda Napalm Death nos entrega “Throes of Joy in the Jaws of Defeatism”, seu décimo sexto álbum de estúdio.

Quando a competição por brutalidade e velocidade que o heavy metal experimentou na segunda metade da década de 1980 atingiu seu ápice, o Napalm Death surgiu para fazer estremecer todas as estruturas do mainstream.

Como um dos principais arautos do grindcore, o Napalm Death era a velocidade, a violência e a ruptura com qualquer tipo de estética e regra, tanto em forma quanto conteúdo, na música.

Napalm Death - Throes of Joy in the Jaws of Defeatism

Com o tempo a banda britânica foi adicionando ainda mais elementos de thrash metal e de death metal em sua música cunhando uma discografia de respeito.

Somava-se à fórmula musical desses ingleses o discurso político que era urrado, contrapondo a qualquer tipo de técnica ou estética, resultando num vanguardista grito de total insanidade contra tudo e contra todos!

Com uma discografia consistente, indo de clássicos a discos experimentais que merecem ser redescobertos, o Napalm Death se mostrou relevante na última década, principalmente após oxigenar sua fórmula em “Time Waits for No Slave” (2009).

Nessa nova etapa  eles começaram a trazer composições mais elaboradas, entregando uma versão atualizada do que exatamente se espera de um nome com o seu legado, se destacando neste período mais recente da carreira que tem em “Throes of Joy in the Jaws of Defeatism” (2020), sucessor de “Apex Predator – Easy Meat” (2015), seu mais recente conjunto de faixas inéditas.

“Throes of Joy in the Jaws of Defeatism” chega para o interromper o maior hiato na discografia da banda entre dois álbuns de estúdio, reafirmando o espírito que o Napalm Death apresentou na sua carreira, buscando soar diferenciada e renovada, mas sem perder sua essência.

Algo já exposto na capa que atrita a brutalidade de uma imagem chocante e altamente simbólica que é impressa por uma bela paleta de cores.

Musicalmente, temos em “Throes of Joy in the Jaws of Defeatism” uma banda madura experimentando e explorando os limites de sua musicalidade extrema, misturando gêneros diversos, sem abrir mão da brutalidade.

Em certa medida, esse disco me pareceu uma mistura de “Fear, Emptiness, Despair” (1994) com “Smear Campaign” (2009), impressa pelo trabalho em estúdio de “Apex Predator – Easy Meat” (2015).

Ou seja um rolo compressor de música extrema, mas com inteligência!

Exemplos disso estão em “Joie de ne pas vivre”, que parece uma fusão do Sigh com o Anti-Cimex entoada por um francês possuído, e na brutalidade viajante (tem como isso?) da cadenciada “Invigorating Clutch” (que me lembrou algo do Celtic Frostou do Triptykon).

E no meio de toda essa exploração das vias alternativas do rock/metal, mergulhado no magma extremo, temos as assinaturas “melódicas” dos refrãos que eles aperfeiçoaram à partir de “Utilitarian” (2012), a precisão insana do baterista Danny Herrera e as guitarras simples, mas pesadíssimas, de Mitch Harris.

Destaques? Anota aí: ” Fuck the Factoid” (brutalidade total numa abertura impecável), “Backlash Just Because” (cheia de atonalidades em meio ao groove acachapante), “Contagion” (com muita sujeira nas linhas vocais e uma “q” de death metal sueco), “Amoral” (com uma introdução de rock/metal alternativo), a insana faixa-título e o desfecho com a estranha ” A Bellyful of Salt and Spleen”.

Com “Throes of Joy in the Jaws of Defeatism” o Napalm Death gira sua musicalidade para algo novo e impactante, mostrando que a inquietude conceitual e a revolta social permanecem, só que de formas amadurecidas.

Cabe mencionar que “Throes of Joy in the Jaws of Defeatism” foi lançado no Brasil numa parceria entre os selos Voice Music, Xaninho Discos, Rock Brigade Records e Blackstorm Records, num formato slipcase belíssimo, com direito a poster da capa.

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