ATUALIZANDO A DISCOTECA: Rival Sons, “Hollow Bones” (2016)

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Rival Sons, “Hollow Bones” (2016, Hellion Records/Earache Records)

Um mega riff de guitarra fundindo Led Zeppelin e Black Sabbath abre o novo álbum do Rival Sons, alicerçado sobre uma bateria sincopada e esmurrada, ao melhor estilo John Bonham, anunciado, através da primeira parte da faixa-título, que teríamos uma álbum denso e encorpado, combinando groove e peso roqueiro. E até a “Hollow Bones, part 2” , penúltima faixa do álbum, esta premissa se mostra verdadeira. Todavia, a banda não deitou no status quo atingido no potente álbum anterior apresentando andamentos diferenciados do costumeiro, principalmente nos diálogos virtuosos entre guitarra e a bateria, instrumentos pilotados com destreza e que levam as faixas para direções inesperadas. O Rival Sons atingiu um nível de liberdade e desenvoltura, combinada com maturidade muscal, que poucas bandas dedicadas a investir neste revival do classic/hard rock setentista detêm nos dias de hoje. Eles conseguem transitar do rock n’ roll lascivo e flamejante, para andamentos melodiosos a até modernos, gerando, a partir deste atrito musical de gerações roqueiras distintas, um hard rock grandioso, bombástico, energético, pulsante e elegante.

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O Rival Sons ainda apresenta sombras de nomes clássicos, mas o corpo musical que projeta tais sombras vai além do simples mimetismo, sendo um dos nomes mais interessantes da cena roqueira atual e conseguindo manter o alto nível e sair da zona de conforto. 

“Hollow Bones, part 1”, a tal faixa de abertura, representa bem esta análise, combinando um refrão empolgante com um duelo não-linear de bateria e guitarra embasbacante, conseguindo combinar o classicismo e a modernidade de modo febril. Essa efervescência musical ainda pode ser experimentada em “Thundering Voices” (faixa que mescla magistralmente as guitarras de Jimmy Page com linhas vocais modernas), “Tied Up” (mais cadenciada, maliciosa e de arranjos melódicos), “Pretty Face” (um rock moderno que dialoga por linhas de guitarra com seu avô musical nos anos sessenta), “Fade Out” (uma semi-balada obscura e um pé no soul/blues) e All That I Want” (faixa de encerramento, com toques folk e psicodélicos, além de interpretação dotada de emoção latente).

Confira a banda executando a cadenciada, maliciosa e melódica faixa “Tied Up”, no Rock In Rio Lisboa, em 27 de maio de 2016.

Se alguém ainda duvidava da capacidade vocal de Jay Buchanan, sua performance no cover de “Black Coffee”,  um standard de 1948, famoso no meio roqueiro pelo cover feito pela banda Humble Pie, principalmente em decorrência da interpretação de Stevie Marriot, vai tratar aplacar tais dúvidas. Em verdade, sua performance ao longo do álbum é digna de nota, remetendo às linhas vocais sinuosas de Robert Plant, à rusticidade de Paul Rodgers e ao impacto de Marriot.

Claro que a banda ainda apresenta sombras de nomes clássicos como Led Zeppelin, Humble Pie, Foghat, Bad Company e Free, mas o corpo musical que projeta tais sombras vai além do simples mimetismo, sendo um dos nomes mais interessantes da cena roqueira atual e conseguindo manter o alto nível e sair da zona de conforto.

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