Personagens da Cultura Pop: ALEISTER CROWLEY


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“-O número 666
Chama-se Aleister Crowley”
Viva! Viva!
Viva! A Sociedade Alternativa”
Raul Seixas, “Sociedade Alternativa”

Não foi somente Raul Seixas que exaltou Aleister Crowley no século XX. Também Ozzy Osbourne (confira cinco discos para conhecer o Príncipe das Trevas do rock) e Jimmy Page (que inclusive comprou a casa de Crowley, como vimos neste outro texto) estudaram seus livros e até os Beatles o colocou na capa de seu clássico “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” (1967), reverenciando sua importância para o pensamento da segunda metade do século XX.

Dono de uma obra prolífica e profícua dentro do ocultismo, chama a atenção a diferença existente entre as lendas que rondam seu nome e a realidade de sua vida, causando, no público em geral, sentimentos tão díspares quanto sintomáticos de sua gigantesca influência no século XX.

Todavia, Crowley tinha o hábito de alimentar muitos dos “boatos” que rondavam seu nome, sendo que até mesmo inventou alguns deles. Indiscutivelmente, sua intensidade, inquietude e profundidade deram ainda mais força ao mito criado sob a figura de Aleister Crowley, dono de uma personalidade elitista e preconceituosa.

Um ocultista de vasto conhecimento, na prática e na teoria, cultuava o saber, independente de sua natureza, o que gerou uma mente multifacetada, convertida em romances, contos, poesias,  e pintura.

Ao mesmo tempo, se espremia em textos esotéricos ou religiosos, estes últimos, fruto de seus estudos  de cabala, geomancia, meditação, ioga, I-Ching e magia ritualística, bem como teosofia, mitologia e os principais dogmas religiosos do mundo.

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Carta do Tarô de Toth

A visão que Crowley tinha do ocultismo era moderna e longe do caráter fantástico que cerca o tema, tendo a postura de um cientista frente aos fenômenos que estudava, mas registrando suas conclusões com apelo artístico. Um exemplo disso é o Tarô de Toth, forjado em parceria com a pintora Frieda Harris.

Porém, esta arte estava canalizada por uma personalidade forte, de discurso ácido e cortante, carregado de humor negro. Iconoclasta e provocador, esta personalidade marcante foi a maior responsável pela forma como sua imagem foi criada.

Genial, Aleister Crowley era um homem que aprendia com a prática, beirando o autodidatismo, o que compensava sua pouca virtuose técnica, e essa era a contribuição positiva que sua personalidade irascível lhe dava.

Claro que o uso de drogas, libertinagem, sexualidade liberal, homossexualismo, antissemitismo, misoginia, e a auto-proclamação de “A Besta 666”, tornaram-lhe persona no grata na sociedade de sua época, atrapalhando até mesmo sua ascensão dentro da Ordem Iniciática da Golden Dawn.

À luz do ocultismo, Aleister Crowley não pode ser visto como um satanista, mesmo que muitos religiosos o associem como um precursor do satanismo de LaVey, e o próprio anticristo, principalmente após ter anunciado o fim do cristianismo e de todas as religiões em seu anúncio do Novo Aeon. 

Em suas próprias palavras:

“O Mal não existe. É um nome falso inventado pelos Irmãos Negros para implicar Unidade em sua bagunça dispersa e ignorante. Um mal que tivesse unidade seria um deus”.

Sem dúvidas, Crowley seria também um dos responsáveis por associar o Bode de Mendês (ou Bode da Sabedoria), com o símbolo do Baphomet, além de lhe imbuir um caráter sombrio e lascivo, levando seu conceito às raias do proto-satanismo. (Para saber mais sobre a simbologia que cerca o Baphomet, leia esse texto)

Em 1923, o periódico John Bull afirmou que Crowley era “o homem mais perverso da face da Terra” e Freud opinou que a obsessão sexual evidente de Crowley representava precisamente o elemento do satanismo que sempre havia preocupado os inquisidores, desde a época da caça às bruxas.

Na sua visão, toda magia é negra, pois estava devotada a encantos mundanos. Além disso, tinha um discurso contrário ao fascismo e aos comunismo, descrevendo-os como “nascimentos abortivos do Novo Aeon de Hórus”, apesar de em certo momento da viva enxergar nos movimentos ditatoriais um forma de difundir a Lei da Thelema.

Ou seja, Aleister Crowley é uma figura que merece um texto detalhado só para si.

Os anos da juventude.

Edward Alexander Crowley nasceu em 1875, na Inglaterra,  primogênito de uma família de alta classe e fundamentalismo religioso.

Seu pai, também Edward Crowley, vinha de uma família de quackers, posteriormente adepto do culto de Plymouth, e amealhou uma pequena fortuna que tirou a necessidade do adulto Crowley de trabalhar durante sua vida, podendo se dedicar aos estudos esotéricos, viagens e expedições.

Curiosamente, vem da infância o título de “Besta 666” que Aleister assumiria futuramente como arauto do Novo Aeon. Essa era a forma como a mãe o chamava quando ele aprontava suas travessuras.

A vida numa família religiosa previa rigorosos estudos bíblicos que contribuíram para que o jovem Crowley  aprendesse a ler aos quatro anos. Esse hábito também incutiu na sua mente infante um forte clima bíblico.

Emily Bertha Bishop (1848-1917), mãe de Aleister Crowley e seu pai, Edward Crowley (1830-1887).

O fator mais impactante para a mudança deste cenário, e que influenciaria toda a vida de Crowley, foi a morte de seu pai em 1887. Este evento quebrou o encanto do positivismo religioso em sua infância, fazendo-o se virar contra o Deus cultuado por sua família.

Este foi o momento em que o menino Edward “trocou de lado”, mas não no sentido satanista, e sim numa forma de se opor aos ensinamentos religiosos dos crentes que o cercava.

Segundo ele, “eu não odiava a Deus ou a Cristo, mas sim ao Deus ou Cristo daqueles quem eu odiava”. E completava dizendo que “estava tentando afirmar o ponto vista segundo o qual o cristianismo da hipocrisia e da crueldade não seria o verdadeiro cristianismo.”

Numa sociedade patriarcal, Crowley e sua mãe não poderiam ficar sem a figura de um homem adulto, o que os levou à casa de Tom Bond Bishop, seu tio materno. O jovem Aleister Crowley estava em um lar evangélico e com a mãe dotada de fanatismo religioso.

Tom Bond Bishop foi um homem que teria impactos diversos na vida de Crowley. Desde uma necessidade de contrariar as virtudes hipócritas evangélicas deste tio, até começar a praticar alpinismo, uma de suas grandes paixões na vida, por conselho dele, como forma de superar sérios problemas de saúde.

Sua educação se alternou entre internatos e tutores, e dentre estes tutores houve um que seria sua maior influência durante a adolescência.

Archibal Douglas, além de história, matemática, grego, latim, foi determinante na primeira relação sexual de Aleister Crowley com uma mulher, sendo a janela para que o jovem enxergasse a vida fora do cerco religioso dos Plymouth.

A Ida para Cambridge

A partir de sua entrada em Cambridge, em 1895, a liberdade que tinha fora do lar religioso permitia explorar ainda mais o que o mundo tinha a lhe oferecer. Um mundo completamente novo, se tornando um jovem dândi, sempre finamente trajado e de hábitos sofisticados.

Nessa época, frequentou uma espécie de sociedade secreta de alunos como a do filme “Sociedade dos Poetas Mortos” (para o qual escrevemos esse texto especial), a Magpie and Stump.

Foi nesse período que Edward virou Aleister, pois não se identificava com seu nome, muito menos com apelidos que lhe foram dados: Alec, ou Alick. Em meados de 1887 ficou gravemente enfermo, e teve sua mais importante experiência mística até aquele momento.

Talvez o nome mais influente nessa época da vida de Crowley foi Herbert Charles Pollitt, também conhecido como Jerome Pollitt, que além de ajudar Crowley a reafirmar sua bissexualidade, também lhe apresentou o renascimento inglês e francês.

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Aleister Crowley nos tempos de Cambridge

Pollitt seria descrito como o grande alvo afetivo de Aleister Crowley, referenciado pelo próprio como quem o transformou num poeta. O rompimento entre os dois se deu pela divergência de objetivos e anseios.

Em 1898 publicaria seis livros de poesia com destaque a “Aceldama”, o primeiro deles, sem identificação do autor, onde traz escrito “Deus venceu – agora eu só tenho uma dúvida – qual dos dois era Deus?”. Desde cedo era um contundente opositor do establishment.

Por causa deste livro Crowley conheceria Gerald Kelly, que futuramente seria um renomado artista britânico e também seu cunhado, afinal Rose Kelly se tornaria, anos mais tarde, a primeira Mulher Escarlate da Besta 666.

Findando o curso em Cambridge, Aleister tinha a herança do pai nas mãos, rumando a seus estudo esotéricos sem nem se preocupar em ir buscar seu diploma. A partir deste ponto, nasce Aleister Crowley, o nome que influenciaria a contra-cultura do século XX.

O Despertar para o Ocultismo.

O estudo do ocultismo era comum no século XIX, e não demorou para Crowley tomar contato com as obras literárias que circulavam aos seu redor.

Seu despertar para as ciências ocultas se deu ainda enquanto mantinha seu relacionamento com Pollitt, pelos livros de Arthur Edward Waite. Sua motivação inicial era se desenvolver a ponto de estar entre os eleitos do governo oculto do mundo, citado tanto por Waite, quanto por Karl Von Eckartshausen (mais sobre isso pode ser lido neste texto).

Completando seu período de formação, Aleister Crowley conhece George Cecil Jones, responsável por iniciá-lo na obra de Samuel Mathers, líder da ordem iniciática da Golden Dawn, a qual ingressou em 1898.

Para conhecer mais sobre a Ordem Iniciática da Golden Dawn, ou Ordem Hermética da Aurora Dourada, acesse esse nosso texto especial. 

A Golden Dawn.

A normalidade do adeptos da ordem o decepcionou, mas focou nos estudos esotéricos de modo que sua evolução na ordem externa (para entender o significado desse nomenclatura, confira nosso texto sobre a Golden Dawn), e jactava-se de seu rápido galgar de degraus.

Enquanto saciou sua sede por conhecimento ignorou todas as incongruências que cercavam a Golden Dawn, mas quando sua vida libertina começou a atrapalhar sua entrada na ordem interna.

Nesse período adota várias personalidades, todas interligadas a ele de alguma forma, como o Conde Vladimir Svaneff, persona adotada para estudar o “Livro da Magia Sagrada de Abramelin, O Mago” (mais sobre este livro pode ser lido neste texto), que contém um ritual que será seu objetivo por um longo tempo.

 Concomitantemente, surge uma outra figura de extrema importância em sua vida: Allan Bennett. Seria Bennett quem lhe ensinaria as grandes lições de Cabala, magia cerimonial, consagração de talismãs e invocação e evocação de deuses, além de dividirem paralelos circunstanciais de vida.

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Aleister Crowley com 25 anos como Hierofante, na Golden Dawn.

Mesmo que Allan estivesse indiretamente ligado ao escândalo das 100 libras, onde Crowley estava envolvido com adultério enquanto exercitava sua vida sexual livre, foi também ele quem ajudou Crowley a se aproximar de Samuel Mathers, e consequentemente do círculo interno da Golden Dawn.

Para adentrar ao círculo interno Aleister Crowley deveria ser aceito pelo seleto grupo de pessoas que formavam esta parte da Golden Dawn, mas seu aceito àquele grupo era vedado pelo julgamentos que seus adeptos faziam de sua “intemperança erótica com ambos os sexos”.

A recusa oficial de sua inclusão no círculo interno foi feira em  1899, marcando uma desavença que direcionaria a Golden Dawn para seu fim. Em 1900, adia o complexo ritual de Abramelin e se dirige a Paris, onde existia um segundo pólo da Golden Dawn, capitaneado por Mathers, com o intuito de ser admitido no círculo interno.

Samuel Mathers o inicia pessoalmente no círculo interno da ordem, conferindo-lhe dois títulos de uma só vez e provocando a cisão com o pólo londrino.

Não obstante, em abril daquele mesmo ano, Mathers nomeia Crowley como seu representante na ordem interna de Londres, desencadeando brigas e discussões, até que Crowley se cansou e abandonou a Golden Dawn.

Existe uma suspeita de que ele teria roubado alguns volumes da biblioteca da Golden Dawn, e que mais tarde seriam base para seus estudos esotéricos.

Após os entreveros e sua saída da ordem, buscou novos ares, rumando para o México e para Nova York.

Boleskine House, América, e  o Casamento com Rose Kelly. 

Ainda em 1899 ele comprou a famosa Boleskine House, que mais tarde seria de Jimmy Page, do Led Zeppelin. Mas essa história é assunto pra outro texto, que você pode ler aqui. 

Aleister Crowley adquiriu a suntuosa residência às margens do Lago Ness, pela privacidade necessária que ela ofereceria para a execução da operação de Abramelin, presente no “Livro da Magia Sagrada de Abramelin, O Mago”, plano adiado quando se dirigiu a Paris para ser iniciado no círculo interno da Golden Dawn por Mathers.

Em seguida, após o conturbado desfecho de sua passagem pela Golden Dawn, resolveu cruzar o Atlântico rumo ao México e aos Estados Unidos.

Na viagem ao México ele teria sido iniciado no rito escocês da maçonaria e ascendido ao 33º em poucos dias, por um obscuro Don Jesus Medina, com quem criara uma ainda mais obscura ordem iniciática com apenas os dois como membros, a Ordem da Lâmpada da Luz Invisível.

Após passar por Nova York e considerar a cidade desinteressante, rumou ao Havaí, ao Ceilão – onde se reencontrou com Bennett e aprendeu ioga -, e consequentemente à sua fracassada, mas pioneira, expedição ao K-2, parando antes para uma visita à Índia.

Esse “retiro” foi fundamental para exorcizar os “demônios” da sua passagem pela Golden Dawn. Um período itinerante onde amadureceu suas ideias e limpou-se das falcatruas da ordem iniciática a qual pertencera.

Consequentemente,  já não enxergava mais Samuel Mathers como mestre e duvidava de suas ligações com os Chefes Secretos. Ao voltar a Paris sua relação com antigo mestre degradou, mas conviveu com personagens como Somerset Maugham e Auguste Rodin – com quem produziu “Rodin in Rime”, livro de poesias lançado em 1907.

Casou-se com Rose Kelly em agosto de 1903, quase como uma brincadeira, uma travessura. Um casamento de aparências no início, de amor em certo momento, e de tristezas em seu fim, em 1909.

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Rose Kelly, Aleister Crowley e a filha Lola Zaza.

A primeira filha do casal foi batizada com o nome de Nuit Ma Ahathoor Hecate Sappho Jezebel Lilith, e Rose já estava grávida durante os rituais no Cairo que dariam origem ao Livro da Lei.

O Livro da Lei e a Thelema

Na lua-de-mel Crowley escrevera “Rosa Mundi”, seu mais aclamado poema e ao fim da viagem, em 1904, no Cairo, capital do Egito, frutificaria sua obra mais icônica, “O Livro da Lei”, que daria início à Thelema, um tema que merece um texto inteiro para si, que você pode acessar aqui. 

Neste período em que esteve no Cairo, Crowley também objetivava estudar a cultura local, a língua e os preceitos do islamismo. Junto a sua esposa se dedicou a rituais complexos, com intuito de fazê-la enxergar os elementais, ou seres imortais sem alma.

Durante estes rituais Crowley teria conseguido comunicação com a entidade Aiwass, que teria lhe ditado “O Livro da Lei” em três dias, um capítulo por dia. Também refeenciado como “Liber Al”, ou “Liber Al vel Legis”, este é o ponto máximo de sua obra.

Para Aleister Crowley, este livro era  o mais importante ganho intelectual da humanidade, e é onde está sua linha mais famosa: “Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei”. A primeira parte do trinômio que formava a Lei da Thelema:

1) “Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei”;

2) “Amor é a Lei, amor sob Vontade”; e

3) Todo homem e toda mulher é uma estrela”.

Com este livro ele dava início à sua jornada de arauto da Nova Era, o Novo Aeon, tendo uma ligação direta com os deuses, o que o colocava numa posição acima de Mathers.

O Livro da Lei Crowley Liber Al vel Legis
Aleister Crowley: “O Livro da Lei”

O conteúdo do livro é bastante hermético, e cabe de certo conhecimento para interpretar certas passagens, principalmente no virulento terceiro capítulo. Sua curta extensão vem recheada de códigos cabalísticos, referências bíblicas e mitológicas e uma gramática caótica.

Leia o que está escrito nas páginas do “Livro da Lei” neste texto especial que escrevemos para ele. 

Em suma, as leis apresentadas por Crowley eram diametralmente opostas ao discurso expiatório cristão. A ideia é que a pessoa por estar cumprindo a função para qual foi designada, acaba promovendo o equilíbrio em seu ambiente.

Mas sua apresentação filosófica quase hedonista, contrária a certos valores -os punitivos- cristãos, como se a Vontade fosse ligada aos prazeres terrenos, associou a Thelema a alguma forma de satanismo.

Como qualquer livro sagrado -e assim “O Livro da Lei” o é para os adeptos da Thelema- cabem interpretações, e ao contrário do que parece, não se trata de anarquismo ou satanismo. Dizem que ele teria tentado entrar em contato com Hitler para lhe dar uma cópia do “Liber Al”.

Concordo que nem mesmo Crowley conseguiu seguir esta filosofia à risca, afinal ele procurou esta energia interior, a Vontade, durante muito tempo através de rituais sexuais.

Com a Nova Era teríamos um período regido por Hórus, onde as leis sociais seriam rompidas para que todos vivessem em plenitude. Se de fato for verdade, “O Livro da Lei” é o primeiro comunicado de Crowley como profeta do Novo Aeon.

Seu próximo passo foi comunicar a Mathers que estaria em contato com os Chefes Secretos, o que os levou a uma “batalha mágica” pela liderança do mundo do ocultismo. Futuramente, Mathers e Crowley se veriam defronte disputas judiciais por causa de publicações no periódico “The Equinox”.

À partir de agora, ele e sua esposa eram “A Besta”  e sua Mulher Escarlate.

Os livros sagrados da Thelema e o Livro da Lei formaram o cânone da Argentum Astrum, ou Estrela de Prata, a primeira ordem iniciática a estudar a Lei da Thelema, e que pelo modo de operação se assemelhava mais a uma rede do que a um templo.

Na Astrum Argentum, ou  A.·. A.·. , cada membro era guiado por um mestre e só conhecia outro membro da ordem, que seria a quem passaria o conhecimento adquirido. Após a morte de Aleister Crowley a ordem se fragmentou e muito de sua filosofia se dispersou.  Para conferir mais detalhes sobre a Ordem da Estrela de Prata, acesse este texto

O Líder Mundial da Nova Era

Como arauto da Thelema, Aleister Crowley se via como um líder mundial de uma Nova Era, e fundamentou pontos éticos interessantes:

  • Uma pessoa muito desenvolvida espiritualmente poderia ter incongruências morais;
  • O desenvolvimento espiritual não estava ligado a moralismo e dogmas;
  • Todos possuem direito à iluminação, independente de sua índole;
  • É fundamental não fingir ser melhor do que se é.

Em suma, ele buscava uma forma de entrelaçar religião e ciência, e viu na Thelema e em sua disseminação sua Verdadeira Vontade. À partir daí, a A.·. A.·. era o meio de iniciação nessa nova filosofia e o livro The Equinox seu veículo impresso.

Essa visão por parte de Crowley de que espalhar a Thelema era sua Verdadeira Vontade ajudou a exaurir boa parte da da sua fortuna, que foi gasta nas publicações luxuosas do periódico The Equinox, que versavam sobre misticismo ocidental, publicados nos equinócios da primavera e outono.

A magia e o esoterismo do Novo Aeon pedia por objetividade e resultados concretos, o que estava explícito no lema da  A.·. A.·.: “O método da ciência – A intenção da religião.”

Na Ordem da Estrela de Prata ele teve contato com Victor Neuberg, que viria a ser seu pupilo e amante. Neuberg era agnóstico, vegetariano e exótico. Após o divórcio com Rose em 1909, Nuberg e Crowley trabalhariam com a magia enoquiana de John Dee e Edward Kelly, sobre a qual comentamos neste texto.

A visita ao trabalho de Dee e Kelly se deu na Argélia, numa abordagem complexa e reestruturada que frutificaria no livro “The Vision and The Voice”, referenciado pelo próprio Aleister Crowley como o mais importante livro da Thelema, após “Liber AL”. 

Durante as experiências místicas na Argélia, Crowley teria sido consagrado pelos Mestres Secretos com o grau de Mestre do Templo. Esta viagem resultou em lendas não confirmadas sobre enfrentamentos com demônios, possessões e magia sexual. A dupla voltaria para a Europa no réveillon de 1910.

A verdade é que Crowley estava em constante desacordo em suas ações com a filosofia que pregava.

Crowley Alpinista.

Sua primeira expedição aos Alpes ocorreu em 1894, pouco antes de ingressar em Cambridge.

Em Cambridge, enquanto despertava para o ocultismo, aparece uma figura importante naquela etapa de sua formação. Oscar Eckenstein, era um um sujeito excêntrico que também era afinado por interesses como telepatia e os livros de Richard Burton. Mas o real amor que dividia com Aleister Crowley era o alpinismo.

Aleister Crowley
Aleister Crowley em sua expedição ao K2.

A partir de uma cerca época de sua vida, Crowley dividia seu tempo entre estudos místicos e viagens exploratórias. Em 1905 partiu em expedição ao Kangchenjunga, o terceiro pico mais alto do mundo, ao todo com noventa e quatro pessoas e que seria uma tragédia, com mortes, medo e conflito.

Ali Crowley colocaria um fim em sua vida como alpinista, pois se tonou persona no grata até no meio dos expedicionários, colecionando recusas antes de decidir parar.

Morte, Nascimento, Traição e Divórcio

Após a fatídica expedição ao Kangchenjunga, rumou para a Índia, onde foi vítima de um assalto frustrado e teria matado dois dos assaltantes. À época foi aconselhado a não dizer nada. Aleister Crowley estava na Índia à espera da esposa e da filha, aproveitando o tempo para visitar o amigo Bennett e refletir sobre seu ceticismo para com o budismo.

Após encontrar sua família rumou para uma viagem por Vietnã e Hong Kong, onde de separaram, tendo as duas rumado para Boleskine, enquanto Crowley foi para o Japão e Canadá antes de retornar à Inglaterra, e descobrir que sua filha  havia morrido de febre tifóide, com pouco menos de dois anos de idade.

Segundo algumas lendas, a morte da filha seria consequência de um ritual onde ele seria aceito num etéreo grupo místico.

Sua segunda filha, Lola Zaza, nasceria em 1906, debilitada pelos excessos de Rose com relação à bebida, um problema que atrapalharia a família nos próximos anos.

Nessa época, Aleister Crowley praticava o ritual de Augoeides e estava usando haxixe durante as suas invocações. Desta forma, ficava a dúvida de o que via eram alucinações da droga ou realmente magia.

Entre 1908 e 1909, Crowley vivia seu pior período com Rose. Neuberg viria a se hospedar na Boleskine House, como parte de um retiro de iniciação, e os dois mantinham um relacionamento que extrapolava o de mestre e pupilo, incluindo um comportamento masoquista. Como A Besta considerava o vegetarianismo de Neuberg restritivo em seu processo de iniciação, fornecia uma dieta rica em carnes a seu pupilo.

Este convívio de Rose com Neuberg se dera o período final do casamento com Crowley, ao mesmo tempo em que seus problemas com alcoolismo aumentavam em consequência do conhecido caso homossexual de seu marido.

Em 1909, mesmo ano em que Crowley publicaria “777 and Other Qabalistic Writings”, uma das mais importantes obras de cabala no Século XX, Rose e Aleister se separaram na semana final de novembro, na Escócia, onde o adultério era aceito como razão o divórcio.

Após o fim do casamento, Rose chegou a ser internada numa clínica pelo seu abuso de álcool, mas se recuperou, manteve a guarda de Lola Zaza, e se casou de novo. Lola, inclusive, passaria a assinar Lola Hill.

O homossexualismo de Crowley não foi exposto em seu processo de divórcio, mas ele chegou a ser banido de Cambridge por seus casos homossexuais, e não por sua filosofia, como muitos alegam.

Tempo de Rupturas

Na nova vida de solteiro Aleister Crowley tinha irrestrita condição de exercitar sua conhecida libertinagem. Quando se encontrou com Leila Waddell, ele foi acometido de uma paixão fulminante e inspiradora (resultando em obras interessantíssimas como “O Livro das Mentiras”, lançado em 1912).

Junto com ela, Crowley levaria para o teatro uma malfadada experiência em que encenariam o ritual de Elêusis com o intuito de alavancar fundos e publicidade para a Ordem da Estrela de Prata. O resultado foi o contrário, inclusive prejudicando um embrolho judicial por calúnia e difamação de seus amigos Cecil Jones e John Fuller. Ambos inclusive se desligariam da A.·. A.·..

Em meio a toda esta turbulência Crowley se dirige ao deserto do Saara com Neuburg, mas a relação entre os dois estremecera, e a viagem foi infrutífera no campo do ocultismo.

Eram tempos de rupturas e o próximo ponto a ser excluído seria Leila. Infelizmente para Aleister Crowley ela não tinha os predicados para ser sua Mulher Escarlate.

Sua atenção agora se dirigia a Mary Desti. Com ela, Crowley conseguiu contato com a entidade Abuldiz que lhe instruiu a seguir para a Itália e escrever “Aba, Livro 4”, o primeiro livro em que ele utiliza o vocábulo magick. (para entender o significado d este vocábulo leia nosso texto especial sobre a Thelema)

Líder da Ordo Templi Orientis

O Livro das Mentiras”, publicado em 1912, era um texto complexo, alegórico e afiado que levou Theodor Reuss, líder e fundador da Ordo Templi Orientis, a O.T.O., a iniciar Crowley e Leila Waddell no mais alto grau da ordem, o nono grau. (Conheça mais sobre a O.T.O. nesse texto)

Aleister Crowley se tornaria líder da O.T.O. para os países do Reino Unido, rebatizando seu ramo como Mysteria Mystica Maxima (M.M.M.) e reformulou os ritos e preceitos da ordem de acordo com “O Livro da Lei”.

Na O.T.O., Crowley adotou o nome iniciático Baphomet, e revolucionou o tratamento tântrico da ordem, mas não sem causar alarde e problemas entre os iniciados.

Era hora de buscar novos ares. A Boleskine House seria doada à ordem, com o intuito de criar uma espécie de plano de seguro para os membros, e se dirigiu aos EUA em 1914 com cinquenta libras e altas expectativas. Todavia o por vir se revelaria um de seus períodos mais conturbados.

Em 1923, Theodor Reuss faleceu e Crowley conclamou para si, aprovado pelos líderes alemão e americano, a liderança mundial da ordem. Todavia, em 1925 esse posto já era contestado.

O Exílio nos Estados Unidos em tempos de Guerra.

Seu objetivo quando se dirigiu aos EUA em 1914 era estar nos meios intelectuais e artísticos, mas o efeito foi contrário, e o patrocínio para sua causa que havia planejado não chega. O jeito foi fazer algo que nunca fizera na vida: trabalhar.

Seus escritos vendiam pouco e era ele quem financiava todas as suas publicações, que em alguns casos, como as edições de “The Equinox”, vinham luxuosas e até mesmo vendidas abaixo do preço de custo.

Isso tudo aliado a seus excessos foi prejudicial à sua saúde financeira, mesmo com a fortuna que herdara seu pai.

Desta forma, durante o período em que esteve na América ele trabalhou em jornais como The International  (do qual se tornaria editor em 1917 e seria demitido em 1918) e Fatherland. 

Existe, inclusive, uma lenda de que Crowley teria se oferecido, nessa época, ao serviço secreto britânico, que recusou seus serviços. Everard Feilding, membro do serviço de inteligência britânico garante que isso, de fato, ocorreu e que inclusive lhe foi enviado um curto teste escrito. Mas não se sabe se pela fama de Crowley ou outro motivo, não passou disso.

Em contrapartida, não descuidou de seus estudos esotéricos, realizando um ritual na Ilha de Bedloe, junto à Estátua da Liberdade. Também praticou magia sexual de forma intensa, e visitou a matriz do ramo norte-americano da O.T.O., ao lado de Jeanne Robert Foster, seu affair daqueles dias.

Nesta visita Crowley encontrou Charles Stanford Jones, ou Frater Achad, um dos mais talentosos discípulos da Besta. Jones seria aquele que viria depois de Crowley conforme anunciado no “Libel Al”, e decifraria a mensagem do livro.

Sua busca por uma nova Mulher Escarlate não amainou. Buscava por uma mulher que lhe desse um “filho mágico” (mais tarde assumido em Jones), mas, em geral, seus romances eram com prostitutas e mulheres casadas.

Dentre as mulheres casadas estava Alice Richardson, cantora de temas indianos, que chegou a engravidar de Crowley, mas abortou. A definitiva Mulher Escarlate seria Leah Hirsing, que ficaria com ele por oito anos e lhe daria mais uma filha, Amélia, que morreria em 1920.

Também atuou como ghost writer durante sua estada nos EUA, sendo mais conhecido pelos trabalhos para a astróloga Evangeline Adams.

Em 1916, Crowley se dedicou a um retiro mágico de quatro meses, onde praticou magia combinada a diversas drogas, chegando a assumir que atingira o estado “Shamadi Suprema”, mas com o uso de éter.

Nesse mesmo retiro praticou um obscuro ritual de destruição do cristianismo em sua personalidade, onde simbolicamente a Thelema sobrepuja o cristianismo.

No ano seguinte, publica “Moonchild” (um livro que influenciaria uma composição da banda britânica de heavy metal Iron Maiden), com o personagem Simon Iff, que não obteve a repercussão desejada.

Para completar sua fase atribulada, sua mãe morreria naquele mesmo ano, e a O.T.O. britânica via um afastamento de seus membros em consequências dos textos que escrevia no jornal Fatherland.

Em seus textos ali publicados ele fazia uma irônica propaganda alemã em tempos de guerra. Textos claramente incompreendidos, mas que ajudaram a construir sua imagem de “traidor da Pátria”.

O periódico inglês John Bull o acusaria da traidor da Inglaterra futuramente, pedindo, inclusive, sua prisão. Todavia, a história fria aponta para a direção contrária.

Mais um retiro espiritual foi executado em 1918, onde supostamente conseguiu se lembrar de vidas passadas por meio de uma técnica de ioga. Segundo ele próprio, fora Eliphas Levi, Astarte, Cagliostro, e um mago negro chamado Henrich Von Dorn; o Papa Alexandre XI, dentre outros. Todavia, o próprio Crowley sempre se declarou um tanto cético quanto a teoria da reencarnação.

Seu retorno à Inglaterra se deu em 1919, após a poeira da Grande Guerra ter baixado, e logo se viciou em heroína em decorrência de um tratamento de asma prescrito por um médico inglês.

Seu próximo objetivo era atingir o grau Ipsissimus 10º=1, o ápice da Árvore da Vida, que se tornara questão de honra após Jones, seu discípulo, alegar que já havia chegado lá. Para tal, estabeleceria a Abadia da Thelema.

A Abadia da Thelema

Em 1920, Aleister Crowley, junto com Leah Hirsing, funda a Abadia da Thelema, em Cafalú, na Sicilia, onde ministrava sua doutrina thelemica. O matemático e escritor norte-americano Cecil Frederick Russell – fundador da Ordem Iniciática Gnostic Body Of God – foi um dos alunos da Abadia da Thelema, assim como a atriz Jane Wolfe.

Seu maior sucesso literário viria em 1922, com o título de “The Diary of a Drug Fiend”, uma ficção de fortes associações autobiográficas. Todavia, as esperanças de ganhos financeiros foram aplacadas pela pressão da mídia conservadora, que fez pressão para que as novas edições fossem abortadas.

Aleister Crowley
Crowley e a família na Abadia da Thelema…

Cinco meses mais tarde a Abadia da Thelema receberia aquele que Crowley considerava seu mais promissor discípulo, Frederick Charles Loveday, vulgo Raoul Loveday.

Mas à tira-colo Loveday trazia sua esposa, Betty Mae, que teria atirado em Crowley numa turbulenta noite na Abadia, enquanto seu marido sofria de um infecção que lhe seria fatal.

Betty Mae iria denegrir Crowley durante muito tempo após a morte de seu marido, em 14 de fevereiro de 1923, por infecção intestinal aguda.

Claro que os periódicos ingleses não deixariam seu alvo favorito passar incólume a este escândalo. O sensacionalista e velho perseguidor da Besta, o periódico The Bull, acusava-o, além de drogado e de executar práticas obscuras, como os outros semanários faziam,  de canibalismo e assassinato, sem contar os tradicional rótulo de “adorador do Diabo”.

Para adicionar ainda mais problemas em sua vida naquele momento, recebeu uma carta em Cefalú que o expulsava da Itália, o que o fez se dirigir à Tunísia, ainda em 1923, onde terminaria de ditar suas memórias à sua Mulher Escarlate.

A Falência

Àquela altura, com quase cinquenta anos de idade, Crowley já apresentava flagrantes problemas de saúde, tanto física (em 1924, seria operado duas vezes só no primeiro semestre) quanto financeira, mas sua alma itinerante ainda pulsava e sua próxima parada foi a França, onde, em 1924, chegaria a abandonar Leah em uma das inúmeras pensões parisienses da qual fora despejado por falta de pagamento.

Crowley deixava sua Mulher Escarlate para trás ao fugir com Dorothy Olsen, uma glamourosa admiradora de Crowley. Leah morreria na Suíça em 1951.

Há quem levante a hipótese impossível de comprovar que Barbara Pierce seria filha bastarda de Aleister Crowley. Ela futuramente seria mundialmente conhecida como Barbara Bush, após se casar com George Herbert Bush, presidente dos EUA de 1989 a 1993.

Já pensou? Aleister Crowley avô de George W. Bush? Para os conspiradores da Nova Ordem Mundial seria um prato cheio!

Passou os anos seguintes após 1926, quando rompeu com Norman Mudd, procurando discípulos e, principalmente, formas de solucionar seus problemas financeiros. Até o golpe do baú tentou para cima da ricaça Kasimira Bass.

Desta segunda metade da década de 1920 ainda destaca-se a publicação de “Magick In Theory And Practice”. Quando entra em cena Israel Regardie.

Londrino, Israel Regardie foi outro dos destacáveis alunos de Crowley, e viria se tornar um dos grandes ocultistas do século XX, principalmente em  Cabalá hermética, dedicando-se à quiropraxia e psiquiatria. Em 1934 publicou o livro “A Ordem Dourada”, que revelava detalhes e segredos da Golden Dawn. 

Em 1929, Regardie estava trabalhando com Crowley quando o ano começaria com um pedido de saída da França. A dupla, adicionada de Maria de Miramar, a namorada com quem Crowley se casaria em 1929 e se separaria no ano seguinte, rumaria para Bruxelas. Mas logo ele conseguiu entrar na Inglaterra e ainda publicou algumas obras em 1929.

Seu calamitoso estado financeiro o fez abandonar mais uma mulher pelo caminho em 1930, quando se dirigiu à Berlim, e posteriormente a Portugal, onde encenaria um suicídio para chamar a atenção de Hanni Jaeger, sua nova paixão.

Em Portugal, a Besta manteve contato com Fernando Pessoa, um interessado na figura de Crowley após ler os dois volumes de sua autobiografia. Pessoa chegou a traduzir para o português o poema “Hino a Pã”.

Outro escritor consagrado que teve contato com Crowley foi Aldous Huxley, após a volta de Portugal para Berlim. Nessa época, ele era sustentado basicamente por Karl Germer, um dos grandes mestres da O.T.O., em nome da Thelema.

Os Anos Finais da Besta666

O fim da vida de Aleister Crowley não foi dos mais fáceis. Após ser despejado de várias hospedarias por falta de pagamento, voltou a Londres em 1932, onde experimentou um fraco sucesso em palestras, mas nada que melhorasse sua combalida saúde financeira.

Para completar o cenário, colecionava processos judiciais, inclusive tem um famoso julgamento em abril de 1934, onde Betty Mae, esposa de Raoul Loveday, enfurecida pela morte do marido na Abadia da Thelema, contou e aumentou histórias sobre o que acontecia em Cefalú.

Decretaria falência em 1935, por consequência dos inúmeros processos judiciais, e viveria de doações de discípulos e amigos. Mas ainda daria tempo de ter um filho homem, Aleister Ataturk McAlpine, com uma jovem de apenas vinte anos. Naqueles dias sua Mulher Escarlate era Pearl Brooksmith

Dizem que em 1936 chegou a ter contato com Adolf Hitler, com quem dividia alguns pensamentos, como a implantação da lei do forte.

Crowley pensava que tinha influenciado o pensamento nazista e chegou a escrever sobre isto. A única ligação entre Crowley e Hitler era uma discípula de Crowley que teria dado a Hitler uma edição em alemão do “Livro da Lei”.

Na primeira metade dos anos 1940, Aleister Crowley ainda nos ofereceu uma obra-prima, o Tarô de Toth (sobre o qual você pode ler nesse texto), forjado em parceria com a pintora Frieda Harris. Mas a velhice cobrava os excessos de uma vida, e o uso de heroína aumentava consideravelmente.

Em 1945 mudou-se para uma pensão em Netherwood e no fim de sua vida manteve contato com nomes fortes do ocultismo, como Kenneth Grant, fundador da linhagem Tifoniana da O.T.O. e Gerald Garner, precursor do movimento neo-pagão Wicca.

Morreria em 1945, no primeiro dia de dezembro de 1947, em consequência de degradação do miocárdio. Até este momento de sua vida suscitaria lendas diversas, motivadas por declarações de quem supostamente esteve presente em seu último momento de vida. Dentre as mais interessantes destaco aquela que testemunha seu desencarne seguido de um vento forte e trovões no horizonte, como se os Chefes Secretos saudassem sua alma.

O Artista Plástico

Na Alemanha, Crowley inaugurou uma exposição com 73 pinturas, que apesar do fracasso em retorno financeiro, causou impacto no meio intelectual de Berlim. Apesar de só ter vendido um quadro  em sua exposição, hoje seu trabalho como artista plástico vale muito dinheiro. Você pode conferir a arte de Crowley neste texto especial.

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