Paradise Lost – Resenha de “The Plague Within” (2015)

 

Paradise Lost - The Plague Within (2015)
Paradise Lost – “The Plague Within” (2015, Century Media | Hellion Records)

Assim como Enslaved, Arcturus, Anathema, Opeth e Katatonia, o Paradise Lost também evoluiu das catacumbas sombrias do metal extremo para uma sonoridade trabalhada, variando entre elementos progressivos e incursões mais modernas.

Porém, ao contrário dos nomes acima citados, o Paradise Lost parece que retomou o gosto pelo peso arrastado e voltou a reafirmar o negrume que sempre viveu no âmago de sua obra à partir deste trabalho, “The Plague Within”, lançado em 2015, pela Century Media.

Tudo bem que a tal retomada se justifica mais pela sensação causada pelos vocais do que pela sonoridade estar requentando aquilo que fez do Paradise Lost tão influente no início dos anos 1990, em discos como “Gothic” (1991) ou “Icon” (1993)

Alguns creditam a retomada dos vocais guturais por parte do vocalista Nick Holmes por causa de seu trabalho junto ao Bloodbath, no álbum “Grand Morbid Funeral” (2014).

Mas muito do crédito do peso que ouvimos em “The Plague Within” pode ser dado ao produtor, Jaime Gomez Arellano, que trouxe novamente para o trabalho em estúdio do Paradise Lost um clima mais orgânico e old-school, sem retirar o tradicional requinte da fumaça gótica.

Ainda que “The Plague Within” não seja tão superlativo quanto seu sucessor, “Medusa” (2017), em classificações como sludge doom, não dá pra criticar aqueles que bradavam aos quatro ventos que o Paradise Lost tinha voltado às suas raízes.

Todas as dez composições que completam o repertório deste décimo quarto álbum de estúdio da banda são bem pesadas, mas ainda carregam as características melódicas de “Tragic Idol”, disco anterior, lançado em 2012.

“No Hope in Sight”, a abertura de apelo gótico, entrega de imediato o que ouviremos: uma mistura da melancólica melodia doom/gothic com peso arrastado e sujo do doom/death de uma forma que não faziam há um bom tempo.

As guitarras, principalmente, contribuem para esse apelo melódico através de riffs sorumbáticos, já os vocais guturais (ainda em contraste com as vozes limpas) aparecem como lembranças de uma época antiga e brilhante de uma banda que nunca esteve ancorada a seu passado.

Por isso, não espere uma auto emulação nostálgica, afinal inquietude sempre foi uma característica do quinteto inglês. Aqui, os arranjos estão bem elaborados e enriquecidos de teclados e arranjos de cordas, além de vocais femininos e coros pontuais.

Isso tudo está bem representado em faixas como “An Eternity of Lies” (uma das melhores do disco, remetendo aos anos 1990), “Punishment Through Time” (com passagens que beiram o stoner/doom do Trouble), “Sacrifice the Flame” (essa, já um clássico recente da banda), e “Victim of the Past” (outro destaque máximo do repertório), todas elas composições que revelam uma banda propondo renovação dos cânones de seu nicho, como ritmos funestos, riffs épicos, pesados, climas sombrios e alta densidade emocional.

Ao mesmo tempo, “Beneath Broken Earth” é um doom/death metal de manual, com lentas dobras melódicas, enquanto “Terminal” (com os dois pés no death metal britânico) e “Cry Out” (com algumas referências sabáticas em mais uns esbarrões no stoner/doom metal) soam mais diretas.

Ou seja, “The Plague Within” é um disco diversificado, mas que segue um fio condutor bem definido, e isso é demonstrado na multifacetada “Flesh From the Bone”, onde variam peso e velocidade, indo do doom metal ao death metal com uma parada estratégica em referências de thrash metal, tudo bem ambientado com coros.

Mesmo que todos os elementos utilizados sejam comuns na música da banda, eles são desenvolvidos com criatividade e de forma renovada, como se criasse uma homogênea quimera de suas próprias mutações musicais até aqui.

“Return the Sun”, a melhor faixa do disco, que o diga!

Não há dúvidas de que “The Plague Within” era o disco mais pesado do Paradise Lost desde “Gothic” (1991), pelo menos até o lançamento seguinte, “Medusa” (2017).

O que não muda o fato de que com “The Plague Within” eles começaram uma das melhores fases da carreira que se mantém até hoje.

Aproveite que a Hellion Records está lançando esse disco no Brasil e vá atrás do melhor trabalho que o Paradise Lost lançou após “Draconian Times” (1995).

FAIXAS:

1. No Hope in Sight
2. Terminal
3. An Eternity of Lies
4. Punishment Through Time
5. Beneath Broken Earth
6. Sacrifice the Flame
7. Victim of the Past
8. Flesh from Bone
9. Cry Out
10. Return to the Sun

FORMAÇÃO:

Steve Edmondson (baixo)
Greg Mackintosh (guitarra)
Aaron Aedy Guitars (guitarra)
Nick Holmes (vocais)
Adrian Erlandsson (bateria)

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