Kublai Khan – “Annihilation” (1987) | Você Devia Ouvir Isto

 

“Annihilation”, clássico primeiro disco da banda KUBLAI KHAN, é nossa indicação de hoje na seção VOCÊ DEVIA OUVIR ISTOcuja proposta você confere nesse link.

Kublai Khan - Annihilation (1987)

Definição em um poucas palavras: Pesado, rápido, técnico, guitarra.

Estilo do Artista: Thrash/Speed Metal

Comentário Geral: Antes de falarmos sobre este disco do Kublai Khan propriamente dito, é necessário contar um pouco da história de Greg Handevidt, guitarrista norte-americano e líder da banda.

A história de Greg Handevidt na música poderia ter sido bem diferente, assim como a de diversos músicos que deixaram alguma banda que futuramente viria a explodir e fazer sucesso. No caso do guitarrista, a banda era o Megadeth.

Greg é amigo de infância de David Ellefson e ambos começaram juntos no mundo da música aos quinze anos de idade. Os dois estiveram juntos em bandas de colégio e já com a ideia de trabalhar como músicos se mudaram para Los Angeles para estudar no Musicians Institute. 

No mesmo prédio onde os dois moravam estava Dave Mustaine, recém demitido do Metallica. “Nos conhecemos ali mesmo onde morávamos”, declarou Greg, que completa: “Começamos a tocar e ensaiar constantemente. Contudo, não havia inicialmente planos claros de montar uma banda. As coisas foram acontecendo aos poucos. Nós nos dávamos bem e tínhamos ideias parecidas quanto ao estilo de música que gostaríamos de tocar. Tudo se encaixou.”

Ou seja, Greg Handevidt poderia ter sido o guitarrista do primeiro disco do Megadeth, pois ele ajudou a trabalhar as músicas de “Killing is My Business… And Business Is Good” nos ensaios com a banda.

Porém, o destino tem seu próprios planos e Greg Handevidt voltou para Minnesota por que seu filho ia nascer e ele era consciente de suas responsabilidades, ocasionando sua saída do Megadeth.

O jeito era montar sua própria banda de thrash metal ali em Jackson, no Minnesota. Porém, as coisas não seria tão fáceis, para sua nova banda, o Kublai Khan: “A carreira do Kublai Khan enfrentou dificuldades desde o início, porque o tipo de música que tocávamos… Enfim, aquele thrash metal não existia aqui em Minnesota. As pessoas não ouviam Motorhead, Venom e todas essas coisas por aqui”. 

Bem humorado, Handevidt ainda resumiu bem o pensamento do local onde o Kublai Khan foi fundado ao dizer que ali “as pessoas pensavam que o Kiss era thrash metal” . Até mesmo os músicos não estavam preparados para o som que ele queria praticar, tanto que ele teve que ensinar o guitarrista Kevin Idso a tocar thrash metal.

É importante lembrar que as novidades não viajavam tão rápido naqueles tempos, mesmo com o circuito de troca de fitas no underground.

Em 1984, o thrash metal era praticamente um recém-nascido e Handevidt tinha pleno conhecimento de causa do estilo pelo contato com Dave Mustaine, um dos arquitetos do gênero. Mesmo assim, não podemos esquecer que no mesmo período que Handevidt dava vida ao Kublai Khan, também surgiam em Minnesota bandas como Powermad, Impaler, Soilent Green (não confunda com a homônima de New Orleans) e Vile, todas dedicadas às formas mais pesadas do power/speed metal.

A julgar pelo que ouvimos nas sete composições de “Annihilation”, não há dúvidas de que Handevidt sabia o que queria fazer, pois ele construiu uma banda em 1984 já com um projeto em mente, num processo bem diferente da que experienciou na formação do Megadeth.

Das sete músicas que estão no primeiro e único full lenght até o momento, três delas vieram da demo tape “Rape, Pillage & Destroy”, lançada em 1985.  Uma destas era a faixa de abertura de “Anihilation”“Death Breath”. Uma composição agressiva que variava peso e velocidade com técnica e melodias incisivas, que assim como “Passing Away/Kublai Khan” evidenciavam aquele espírito progressivo que também ouvíamos no Megadeth.

“Passing Away” era outra das três que vieram da fita demo, completada por “Battle Hymn (The Centurian)” a responsável por fechar “Annihilation” com as melhores guitarras do disco. Aliás, pelo protagonismo das guitarras em todas as composições, com longos solos e riffs enfileirados, nem precisava dizer quem era o líder por aqui.

Handevidt também era o responsável pelos vocais do Kublai Khan, que mesmo apresentando pouca variação e até certo diletantismo é eficiente numa banda que claramente presava muito mais em desenvolver o instrumental. Ainda conta negativamente para os vocais o fato de a produção não ser assim tão acertada para eles. Naquela época era difícil fazer algo acontecer sem dinheiro e a banda foi para o Westwood Sound Studio com apenas três mil dólares para que o dico fosse produzido, da capa às músicas. Resultado: o disco foi gravado em três dias e praticamente tocado ao vivo!

Peter Davis assumiu a produção junto a banda e suspeito que o objetivo era chegar na sonoridade mais crua e com inspiração européia, como a de “Ride the Lightning”, do Metallica, que acabou se tornando um certo padrão no underground da época.

Mas ela deixou a bateria muito seca e acabou embolando um pouco algumas passagens mais maciças, como nos “arrasa-quarteirões” “Clash of the Swords” “Liars Dice”. Sobre a produção, Greg mais tarde diria que: “A produção de nosso álbum, no entanto, deixou muito a desejar. ‘Annihilation’ trazia boas músicas e penso que o Kublai Khan soava único e especial. Contudo não deu muito certo”.

De fato, conseguiram criar uma identidade, mesmo que as influências de Metallica e Megadeth fossem inegáveis em cada uma das composições. Porém o Kublai Khan conseguia criar algo próprio à partir de referências óbvias, gerando ótimas músicas como “Mongrel Horde”“Down to the Inferno”, ambas oriundas da segunda demo tape da banda, também de 1985, intitulada “Clash of Swords” e que trazia também a faixa-título.

A primeira, para mim, deveria ter sido a faixa de abertura, e exibe a herança britânica da NWOBHM, indo de Judas Priest e Diamond Head a Motorhead e Venom. De longe é uma das melhores do disco ao lado de “Passing Away, / Kublai Khan” e “Death Breath”. 

“Down to the Inferno”, mesmo com fortes remissões à primeira fase do Iron Maiden, com Paul Di’Anno, criou algo bem próprio e mais simples que as demais, imprimindo algo mais heavy  metal do que thrash metal com as melhores linhas de baixo do disco.

Mesmo com toda essa qualidade que fazia de “Annihilation” um promissor primeiro disco, com boas críticas na época, o Kublai Khan acabou em 1988 pelas já conhecidas diferenças musicais. Existiam divergências sobre o rumo que música da banda deveria tomar após o acordo com a New Renaissance Records.

Além de todos os problemas com a cena local, os rumos a se tomar musicalmente e a produção, Greg Handevidt também estava insatisfeito com a gravadora Shark Records, com quem a banda assinou para o lançamento de “Annihilation”. 

As coisas só melhoraram nesse sentido quando a New Renaissance entrou no acordo para a distribuição do disco que chegou a ser lançado no Brasil via Enigma Disco, com distribuição da histórica Cogumelo Records.

Porém, a responsabilidade batia à porta novamente. Com um filho para sustentar Greg Handevidt não podia se dar ao luxo de esperar mais pelo retorno financeiro através da música e saiu da cena musical aos 23 anos, quando foi para a Marinha norte-americana.

Ele retornou temporariamente após um convite de um amigo para tocar com o Voodoo Temple. Porém, à partir de 2002 passou a se dedicar com certo sucesso à advocacia. Em 2003 Handevidt e Kevin Idso se reuniram para tentar reativar banda, cujos encontros, sem o demais membros originais, resultou na demo tape “KronK Meets Kublai Khan”, que nunca foi oficialmente lançada. O retorno do Kublai Khan de fato só aconteceu em 2017, tendo apenas o baterista John Fedde da formação original junto a Handevidt.

Por ser uma peça histórica do thrash metal norte-americano, VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO!

Ano: 1987.

Top 3: “Passing Away, / Kublai Khan”, “Death Breath” e “Mongrel Horde”

Formação: Greg Handevidt (guitarra e vocal), Kevin Idso (guitarra), Mike Liska (baixo) e John Fedde (bateria)

Disco Pai: Metallica – “Ride the Lightning” (1984) 

Disco Irmão: Megadeth – “So Far, So Good… So What?” (1987)

Disco Filho: Kronk – “Kronic Dreams” (1998)

Curiosidades: O nome da banda foi tirado de Kublai Khan, neto de Genghis Khan e quinto Grande Khan do Império Mongol, de 1260 a 1294, fundador da dinastia Yuan, que dominou grande parte da Ásia Oriental. Nesse período, a China foi visitada pela primeira vez por viajantes europeus, incluindo Marco Polo. 

Pra quem gosta de:História antiga, cerveja, guitarristas técnicos e furiosos, usar o termo old school e acreditar no destino.

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