RESENHA LITERÁRIA | “Ratos e Homens”, de John Steinbeck

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Por Laira Arvelos

 

“Um Homem fica maluco se não tem ninguém, não importa quem seja, contanto que esteja com você. Vou te dizer uma coisa, se uma pessoa fica muito sozinha, ela fica doente”

 

John Steinbeck Ratos e Homens
John Steinbec:k “Ratos e Homens” (1937)

Sempre me considerei um pessoa fechada, mesmo com a família grande e cercada pelo universo cultural, eu sempre me senti sozinha, e hoje a duros percalços eu sinto falta de ter aprendido a melhor conviver e compartilhar coisas durante a vida.

De modo recurvo chegaram até mim muitos amigos e eu agradeço a cada um deles a marca perene que deixam em mim e a força que cada um me oferta, talvez, pra além de toda maestria do autor seja este mote que me conecta a esta obra, neste livro novamente de forma arrebatadora John Ernst Steinbeck que tornou um dos meus escritores preferidos já no primeiro contato com sua obra As vinhas da ira, nos presenteia com esta ode a amizade e a esperança: Ratos e Homens.

Steinbeck, foi um escritor estadunidense. Recebeu o Nobel de Literatura de 1962.

Ainda muito jovem, por influência dos pais, leu Dostoiévski, Milton, Flaubert e George Eliot.

Terminou o curso secundário no Salinas High School, em 1919. No ano seguinte, ingressou na Universidade de Stanford, exercendo várias profissões para custear os estudos.

Em 1925, empregou-se no jornal American de Nova York, e vasculhou a cidade em busca de um editor para seus livros ainda não escritos.

Estreou na literatura com A Taça de Ouro, biografia romanceada do bucaneiro Henry Morgan, já marcada por seu característico estilo alegórico.

Seus primeiros livros não lhe asseguraram a profissionalização como escritor.

Em 1935 firmou-se como autor de prestígio com Boêmios Errantes, que recebeu a medalha de ouro do Commonwealth Club de São Francisco como melhor livro californiano do ano.

Os três mais importantes romances de Steinbeck foram escritos entre 1936 e 1938 e entre eles está Ratos e Homens, que seria transportado para o cinema e para o teatro;  Steinbeck teve 17 de suas obras adaptadas para filme por Hollywood.

Alcançou também grande sucesso como escritor para filmes, tendo sido indicado em 1944 ao Óscar de melhor história* pelo filme Um Barco e Nove Destinos, de Alfred Hitchcock.

Acompanhamos então a história de George e Lennie, dois trabalhadores errantes que deambulam procurando trabalho pelas fazendas da Califórnia, para que consigam poupar algum dinheiro em busca da concretização dos seus sonhos de viver e cultivar sua própria terra.

Steinbeck mais uma vez da vida a personagens fadados ao ostracismo.

Durante muito tempo o sonho de muitos americanos foi provocado e esmorecido devido as precárias situações e míseros pagamentos.

George é muito inteligente, porém pequeno. Lennie o seu oposto, é enorme e extremamente forte, porém muito parvo de forma tão evidente que sujeita se em tudo aos cuidados de George.

Percebe se que ambos já tiveram que fugir de ouros lugares, justamente por esta força desmedida ligada a nenhum senso de realidade.

Embora completamente dispares a amizade de George e Lennie é muito pura, para além de família, George compreende que Lennie não sobreviveria sozinho e Lennie embora não entenda muita coisa diz que se George quiser ficar sozinho ele iria para as colinas, o que une os dois, é o sonho em comum que é repetido algumas vezes para a alegria inocente de Lennie e nos preenche com este sentimento de esperança, seguido desconsolo, conforme os fatos vão se desenrolando.

“Um dia… vamos juntar uma gaita e ter uma casinha e um pedaço de terra, uma vaca, uns porcos e. […] vamos ter uma boa horta, uma coelheira e galinhas. E Quando chover no inverno a gente vai dizer que se dane o trabalho e vai acender um bom fogo, sentar perto dele e ouvir a chuva cair no telhado’

Outros trabalhadores que também tem seus sonhos continuamente prorrogados traz a fantástica forma de construção de personagens de Jonh, junto a sua incrível capacidade de tocar feridas sociais, um velho que possui dinheiro e que quer sonhar em conjunto com George e Lennie e um negro que vive segregado dos outros.

O filho do fazendeiro irritante e um tecido macio são os precursores de uma tragédia anunciada.

Nós leitores e George antevemos desde o começo que algo ruim acontecerá, mas somos submergidos no choque de realidade e desenrolar dos fatos e incidentes colocados de forma crua e direta pelo autor.

Existem algumas discussões e polarizações sobre a forma como foi traduzido o livro, que procurou um tipo de escrita mais ‘regionalizada’, sem contato com a obra original acredito que faz todos sentido, continuo cativa a forma de escrita do escritor.

Steinbeck concebe um romance excepcional sobre as vivencias humanas, cria personagens intensos complexos bem descritos em pouquíssimas palavras, compõe cenários e críticas acirradas e fala sobre nosso poder de escolhas de forma rigorosa.

Uma leitura rápida, extremamente representativa.

A discrepância do tão falado ‘sonho americano’ nos dois lados da moeda, e claro, um final estarrecedor, angustiante, lúcido  e humano.

Um livro que te traz sorrisos e lágrimas espontâneos, esperança e sim uma profunda angústia, porque Jonh sabe como ninguém a fera cruel que pode ser a realidade.

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