Deuses Americanos: A mitologia e os deuses do livro de Neil Gaiman

 

Você é fã dos “Deuses Americanos” de Neil Gaiman? Este guia explora a fascinante mitologia por trás da história e os deuses que habitam suas páginas.

“Deuses Americanos” de Neil Gaiman é um romance cativante que une a mitologia antiga e a América moderna. A história segue Shadow, um homem preso no meio de uma guerra entre os deuses antigos e os novos. Neste guia, exploraremos a rica mitologia por trás da história e os deuses que habitam suas páginas.

"Deuses Americanos" de Neil Gaiman é um romance cativante que une a mitologia antiga e a América moderna. A história segue Shadow, um homem preso no meio de uma guerra entre os deuses antigos e os novos. Neste guia, exploraremos a rica mitologia por trás da história e os deuses que habitam suas páginas.

Se eu tivesse que apresentar Neil Gaiman a algum desavisado nos dias de hoje, bastaria dizer o seguinte: “é o cara que escreveu ‘Sandman’ e ‘Deuses Americanos’!” Sobre “Deuses Americanos”, posso dizer que é uma mistura de road story, mitologia, deuses, zumbis, fantasia, e crítica social, convergindo de uma forma indireta a um protagonista que acompanha o mundo dos deuses em guerra, ora mergulhando nela, ora assistindo-a de lado, mas sempre como alvo de uma investigação psicológica por parte do autor.

A saga apresentada por Neil Gaiman em “Deuses Americanos” tem como personagem principal Shadow Moon, um ex-presidiário com menos de quarenta anos que acabou de ser libertado, mas descobriu que toda a sua vida fora da cadeia está em ruínas. Neste momento entra Wednesday, um senhor que o contrata como guarda-costas/motorista ao longo de uma viagem de carro por cidades norte-americanas.

Nesse caminho, encontram e desencontram deuses que estão tensos, preparando-se para uma guerra por poder e um lugar na fé dos seres humanos. A guerra criada por Neil Gaiman emprestou deuses antigos, das mitologias clássicas, trazidos para a América pelos imigrantes, contra os novos deuses, criados pelo distanciamento dos seres humanos dos cultos antigos pela nova devoção a modernidades como a televisão, o dinheiro, a tecnologia, e as drogas.

De longe, “Deuses Americanos” é o melhor romance de Neil Gaiman (excluindo-se aí seus roteiros para a nona arte) e seu sucesso motivou uma adaptação na série de mesmo nome. Mas tanto livro e série, confunde aqueles que não estão tão familiarizados com mitologia, pois mistura não só as mais familiares, como a nórdica, ou a greco-romana, mas também celta, eslava, árabe, hebraica e africana.

Por isso, resolvemos elaborar uma lista, uma espécie de “quem-é-quem” nas deidades de “Deuses Americanos”, enumerando entre Antigos e Novos Deuses, os que aparecem tanto no livro quanto na série.

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A Mitologia em “Deuses Americanos”, de Neil Gaiman

“Deuses Americanos” é um romance que explora o conceito de deuses e mitologia de uma forma única e cativante. A história se passa em um mundo onde existem deuses e são trazidos para a América por imigrantes que os adoram. Esses deuses não são apenas personagens de uma história, mas representações das crenças e culturas das pessoas que os trouxeram para a América. O romance explora a ideia de que os deuses são criados pela crença e adoração humana e que podem ser esquecidos e desaparecer se as pessoas pararem de acreditar neles.

O significado dos personagens e suas relações com os deuses.

Em “Deuses Americanos”, os personagens não são apenas meros mortais, mas também estão ligados aos deuses de várias maneiras. Shadow Moon, o protagonista, é pego no meio de uma guerra entre os antigos deuses e os novos deuses. Ele também está ligado ao deus Odin, que o coloca sob sua proteção e o ensina sobre o mundo dos deuses e da mitologia. Outros personagens, como Laura e Mad Sweeney, têm suas próprias conexões com os deuses e suas próprias histórias para contar. Essas relações adicionam profundidade e complexidade à história e destacam a importância da crença humana no mundo dos deuses.

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Deuses Americanos: os Deuses Antigos

Obviamente, Mr. Wednesday é ODIN! Odin foi buscado na mitologia nórdica por Neil Gaiman. Ele é um dos três irmãos (os outros dois são Vili e Ve) que mataram o gigante Ymir, formando com seu corpo a Terra. Com a testa de Ymir, os deuses formaram a Midgard (terra média), destinada a tornar-se a morada do homem. Odin estabeleceu  os períodos do dia e da noite, e deu a vida e a alma ao homem.

Nos ombros de Odin pousam os corvos Hugin e Mugin, que voam durante o dia todo sobre o mundo e, quando voltam. contam ao deus tudo o que viram. A seus pés estão deitados dois lobos, Geri e Freki, aos quais Odin dá toda a carne que é colocada diante dele. Sua morada é um dos palácios de Asgard, a morada dos deuses. De seu nome, muitas vezes pronunciado como Woden, vem a palavra Wednesday, nome do quarto dia da semana.

Mas Neil Gaiman não trouxe apenas o deus dos deuses nórdicos para sua trama. Ele buscou o traiçoeiro Loki também! LOKI aparece em “Deuses Americanos” na figura de Low Key Lyesmith. Na Mitologia Nórdica, Loki é uma divindade considerada caluniadora e articuladora de todas as fraudes e atos condenáveis. Belo, Loki pertencia à raça dos gigantes, dono de inteligência e habilidades aguçadas, e tinha temperamento caprichoso e maus instintos. Ele tinha três filhos: o lobo Fenris, a serpente Nidgard e Hela (a Morte). Todos os três tiveram destinos diferentes pela mão de Odin, mas como eles não aparecem no primeiro plano de “Deuses Americanos”, deixaremos suas histórias para outro texto.

Também advinda da mitologia nórdica/germânica usada por Neil Gaiman temos Ostara. Eostre, Ēostre, Ostara ou Ostera, que significa “a Deusa da Aurora”, é a deusa da fertilidade, amor e do renascimento na mitologia anglo-saxã, na mitologia nórdica e mitologia germânica. Na primavera, lebres e ovos coloridos eram os símbolos da fertilidade e renovação a ela associados. Ela deu nome ao Sabbat Pagão, que celebra o renascimento, chamado de Ostara.

Outro personagem importante na trama de “Deuses Americanos” é Mad Sweeney, um leprechaum, ou duende, da mitologia celta. Mais especificamente Mad Sweeney seria SUIBHNE MAC COLMAIN, personagem de uma antiga lenda irlandesa. Ele era o rei do Dál nAraidi, enlouquecido pela maldição de St. Ronan, cuja insanidade faz com que Suibhne deixe a Batalha de Mag Rath e entre em uma vida de peregrinação, até que ele morra sob o refúgio de St. Moling.

Neil Gaiman também foi eficiente em buscar alguns de seus personagens mais interessantes da mitologia eslava. O de maior destaque, sem dúvidas, é Czernbog, um dos deuses que relutam em entrar na guerra de Odin. Czernobog é CHERNOBOG, Chernabog, Tchernobog ou simplesmente o Deus Negro dos eslavos, o deus da morte, caos e azar, encarnando toda a maldade existente no mundo e considerado o responsável pelas tragédias e infortúnios.

Além dele, os imigrantes teriam trazido da cultura eslava as Irmãs Zorya, que nos dias modernos dividiam uma residência humilde com o temível Czernobog. Elas são ZORYA VECHERNYAYA e ZORYA ULTRENNYAYA. E ao contrário de que vemos no livro e na série, não existe na mitologia eslava a terceira Zorya Polunochnaya. As duas Zoryas são as eternas guardiãs do universo, servido a Dažbog, o deus do sol. Elas vigiam os céus impedindo Simargl de devorar a constelação de Ursa Menor e decretar o fim dos tempos. De manhã, Zorya Utrennyaya abre os portões do palácio celestial de onde Dažbog parte com sua carruagem. Ao fim do dia, Zorya Vechernyaya fecha os portões depois da chega da divindade solar.

E até nas mitologias das tribos germânicas Neil Gaiman mergulhou para buscar HINZELMAN, um kobold, um espírito que daria boa sorte e realizaria tarefas domésticas, mas se tornaria malicioso se não fosse cultuado. E, ao contrário, do que podíamos esperar, ele deu menos espaço à mitologia greco-romana. Salvo pela participação de VULCANO ou HEFESTO, o arquiteto, o ferreiro, o armeiro, o construtor de carros dos deuses e o artista de todas as obras do Olimpo, numa ótima cena da série.

Porém, não há como negar que bem perto de Czernobog nos destaques, está Mr. Nancy, que é ANANSI, um deus africano do povo Akan, nativos do Gana. Anansi é um híbrido de aranha e homem que só visa os próprios ganhos, mesmo que para isso tenha que enganar ou usar artifícios sujos. É um trapaceiro inteligente e possui altíssimo poder de persuasão. Essas características faziam dele alvo de crenças dos desafortunados que buscavam esperança.

Ainda temos em Bilquis a personificação da RAINHA DE SABÁque seria meio-Jinn na trama de Neil Gaiman, apesar de não haver nenhuma ligação dela com deuses judaicos ou árabes. Uma liberdade artística que deu a ela uma suposta ligação com seres sobrenaturais, sendo uma criatura meio demônio, meio mulher, e que rende uma das mais chocantes cenas tanto de livros quanto séries.

Aliás, temos diversas menções à figura do JINNo gênio da mitologia árabe. Os Jinns seriam entidades criadas no Paraíso, com posição similar à dos anjos, e que se rebelaram contra Deus quando se recusaram a se curvar perante a criação do homem. Os Jinns foram expulsos do Paraíso, e Iblis, seu líder se tornaria o equivalente à Satanás na mitologia judaico-cristã.

Ainda na Ásia, temos a figura de Mama Ji-Kali, clara referência à deusa KALI, que para os hindus é a Deusa Mãe ligada à criação. Conhecida como Mãe Negra, Kali carrega a cabeça e a espada de um demônio que ela matou. Kali também é mãe e seu amor é tão intenso quanto sua ira.

Pulando para a mitologia egípcia, temos ANUBIS e TOTH, como Mr. Jaquel e Mr. Ibis, respectivamente. Anubis, sempre representado com a cabeça de chacal, era o deus egípcio dos mortos, que guiava suas almas pelo submundo. Já Toth era o deus egípcio do conhecimento, da sabedoria, da escrita, da música e da magia, com cabeça de ibis.

Por fim, Neil Gaiman não ignorou o fato de já existir deuses tribais na América antes da chegada dos imigrantes europeus. Ele representou em Whiskey Jack, o deus tribal WISAKEDJAK, um ser mitológico das tribos do norte da América, que teria ajudado a criar o mundo, mas também responsável pela inundação que destruiu o mundo.

Ainda existe a hipótese de que o personagem principal, Shadow Moon, seria uma reencarnação do deus nórdico Bauldur, mas as similaridades são limitadas, e a forma como os deuses surgem no Novo Mundo também é diferente.

Deuses Americanos: os novos Deuses

A força-motriz de “Deuses Americanos” está na suposição de que a força dos deuses está ligada a quantidade de pessoas que acreditam neles e os cultuam. Além disso, Neil Gaiman foi sagaz em assumir que o espírito destes deuses foi trazido para a América pelos imigrantes, mas estes deuses americanos foram perdendo poder à medida que a modernidade ajudou a diminuir a crença neles.

Com isso, a obsessão da cultura norte-americana, que serve de modelo para o ocidente, elevou Novos Deuses a serem cultuados com a mesma devoção que os humanos dedicava aos Antigos. Obviamente, existem variações entre eles no livro e na adaptação para a televisão. Não vamos fazer distinção e considerar todos como parte de um mesmo panteão artificial.

O líder destes NOVOS DEUSES é a entidade mística nascida com o culto à globalização, surgido após a explosão da internet. Seu nome é MR. WOLRDe ele tem o poder de interferir na realidade. A entidade que governa a mídia de massa e o entretenimento é a MEDIAque usa a linguagem da cultura pop para se manifestar nos meios midiáticos, aparecendo com formas famosas e variadas, desde Marilyn Monroe a David Bowie nas telas. Seu maior poder está em disseminar cultura e informação.

O deus da tecnologia é o TECH BOYque manipula toda e qualquer tecnologia digital. Sua figura é um garoto inserido num ambiente artificial, tendo seu poder não advindo de preces ou crenças mundanas, mas sim de likes e engajamentos nas redes sociais. Por fim, existe O INTANGÍVELo deus do dinheiro e do mercado financeiro, a entidade que representa a “mão invisível do mercado”.

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