RESENHA LITERÁRIA | “Máquinas Mortais”, de Philip Reeve


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Máquinas Mortais Mortal Engines Philip Reeve
Philip Reeve: “Mortal Engines” (2001 – Tradução 2011, Editora Novo Século)

SINOPSE: “Esta história se passa em mundo pós-apocalíptico, onde cidades inteiras foram transformadas em veículos – as Cidades Tração, que exploram os recursos naturais e consomem umas as outras. Emergindo de seu esconderijo nas colonias, a grande Cidade Tracionada está caçando uma cidadezinha aterrorizada através das terras devastadas.

Londres é a principal Cidade-Tração e em breve irá se alimentar. Durante o ataque, Tom Natsworthy é atirado para fora da cidade em velocidade, juntamente com uma assassina com cicatrizes no rosto. Eles devem correr para salvar suas vidas através dos destroços – e encarar uma nova arma terrível que ameaça o futuro do mundo.”

 

Cidades pós-apocalípticas.

Paisagens distópicas.

Intrigas, política, falsos heróis, heróis improváveis e anti-heróis marcados pelo sofrimento.

Sim! São clichês já batidos tanto da literatura quanto do cinema/televisão e Philip Reeve não teve rubores em utilizá-los para criar seu universo distópico/steampunk onde se passa a tetralogia “Mortal Engines”. 

Saiba tudo sobre o gênero steampunk nesse texto especial!

“Máquinas Mortais” é o primeiro livro, não só da série, mas também da carreira literária de Reeves, que antes era um ilustrador formado pela Cambridgeshire College of Arts and Technology e pela Brighton Polytechnic, o que explica a maestria na construção dos ambientes, minimalista, mas com detalhes precisos, deixando para que a nossa mente preencha as paredes e os espaços.

Isso já cria uma envolvência forte com a narrativa que se passa milênios à frente (em certa passagem existe uma menção a uma galeria de museu para as cerâmicas do século XXXV), num planeta devastado pela “Guerra dos Sessenta Minutos”, que criou sérias instabilidades geológicas como terremotos e vulcões.

Todavia, a grande sacada de Philip Reeve são as cidades motorizadas.

Sim, a civilização basicamente se aglutinou em cidades que são bestas numa selva devastada, que se deslocam sobre esteiras e impulsionadas por motores (podendo atingir até 120 km/h), e que caçam constantemente suas presas, as cidades menores.

Nessa selva de concreto e motores, Londres é uma máquina gigante, faminta, dentro de um conceito batizado por Reeve como darwinismo municipal. Uma nova forma de sociedade nômade.

“Essa era a maneira como o mundo vinha funcionando há centenas de anos, desde que o grande Engenheiro Nikolas Quirke transformara Londres na primeira cidade tracionada”, como nos informa o personagem principal de “Máquinas Mortais”, Tom Natsworthy.

Tom, na verdade, é metade do casal de protagonistas completado por Hester, unidos de forma inesperada, por motivos e motivações distintas num evento que dá início à trama de “Máquinas Mortais”.

Vingança e decepção coloca os dois numa “jornada de estrada” pela sobrevivência num mundo distópico, após serem defenestrados de Londres. Uma viagem que lhes revelará, por aventuras, muito sobre a vida e sobre si mesmos, tanto quanto sobre confiar em outras pessoas.

A tecnologia das cidades tracionadas foi disseminada pela Europa, parte da Ásia, norte da África, Antártida e Ártico, e mesmo com uma estabilidade geológica já garantida, elas não abandonaram o darwinismo municipal. 

A América do Norte teria sido tão destruída na Guerra dos Sessenta Minutos que é referenciada como continente morto.

Já o restante do mundo é território da Liga Anti-tracionista, que se opõe às cidades tracionadas por elas consumiram os recursos restantes no Planeta.

Assim, de forma simples e direta, Reeve consegue imprimir camadas de discussão um tanto mais complexas: Evolução é sempre para melhor? Onde a tecnologia nos levaria? Quanto as pressões sociais motivam ações que não queremos executar? Como gerenciamos nossos recursos naturais? Existem realmente presas e predadores na nossa estrutura geopolítica? Enfim…

Enquanto acompanhamos as voltas da vida de Tom e da cidade tracionada de Londres, somos expostos a uma divisão piramidal de classes (aqui elas são batizadas de Guildas), bem definidas e de difícil ascensão (a Guilda dos Engenheiros é a mais valorizada), numa narrativa que tangencia o minimalismo infanto/juvenil.

Isso junto a todos os clichês empacotados e dissolvidos numa forma original e altamente palatável.

Todavia, Reeve foi inteligente em retirar passagens heroicas, ou demonstrações de coragem exagerada. Todos os personagens são reflexos de uma sociedade mecânica e fria, violenta, e que convive diariamente com a dor e a frustração.

Não existem heróis e vilões separados por times, o que dá um maior senso de humanidade aos personagens que assistem mortes acontecerem como eventos corriqueiros. Essa é uma versão da Terra regida pela lei da selva.

É fato que Reeve foi certeiro em usar a ambientação distópica junto a estética steampunk, que por si só já é uma garantia de personalidade apaixonante.

A imagética steampunk/dieselpunk – roupas, veículos, armas – está muito bem definida na cabeça do leitor por causa do cinema, o que libera o escritor para se dedicar à construção dos personagens.

A cidade de Londres, inclusive, em sua versão tracionada é um destes personagens, retornada à Era Vitoriana, e carregando a única construção a sobreviver à Guerra dos Sessenta Minutos: a catedral de São Paulo.

Philip Reeve ainda é extremamente hábil em nos entregar informações da era e das cidades, como hábitos, escala social e deidades (por exemplo, temos uma Londres politeísta), aos poucos, sem didatismos e bem diluídos nos diálogos e pensamentos, assim como é eficiente em criar cenas de ação e climas de suspense.

Até o motivo das cidades serem tracionadas é exposto de modo propositalmente displicente, com teor de obviedade de quem menciona um fato histórico do conhecimento de todos.

O universo de “Máquinas Mortais” ainda nos brinda com cidades anfíbias, dirigíveis fantásticos  e uma Liga Antitracionista, localizada em suas fortalezas imóveis.

Certamente, Philip Reeve oferece neste livro uma introdução a um novo universo literário com alto potencial e muitas pontas a serem exploradas nos demais volumes, apesar do tom infanto juvenil, é uma ótima pedida de scifi leve e bom entretenimento.

E como dizemos anteriormente, existem questões mais profundas sob a superfície de leitura fácil e soluções narrativas menos engenhosas.

“Máquinas Mortais” foi adaptado para o cinema por Peter Jackson, responsável por adaptar “O Senhor dos Anéis” “O Hobbit”, tendo demorado quase dez anos para terminar o filme.

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