Iron Maiden – “Brave New World” (2000) | Você Devia Ouvir Isto

 

“Brave New World”, clássico disco do IRON MAIDEN é nossa indicação de hoje da seção VOCÊ DEVIA OUVIR ISTOcuja proposta você confere nesse link.

Iron Maiden - Brave New World

Definição em um poucas palavras: Reunião, metal inglês, redenção.

Estilo do Artista: Heavy Metal

Comentário Geral: Não sou de ficar rasgando seda para o Iron Maiden, pois acho que a banda vem oferecendo o mais dos mesmo há pelo menos duas décadas. Partindo do álbum “Dance of Death” (2003), pouco ou quase nada que o Iron Maiden entregou chegou a me empolgar. Até por isso, ainda acho que “Brave New World” foi o último grande clássico do heavy metal na grandiosa acepção do termo, entregue pela banda capitaneada por Steve Harris.

Creio que nenhum lançamento do gênero foi cercado de tanta expectativa, satisfeita pela alta qualidade empregada nos últimos vinte anos. Talvez “13”, do Black Sabbath, ou “Psycho Circus”, do Kiss (para voltar mais no tempo), mas, nesses casos, o material entregue nunca se comparava em termos de excelência que ouvimos em “Brave New World”.

Numa época em que o Judas Priest estava sem Rob Halford, o Metallica se rebelava contra o heavy metal e o Slayer buscava por certa modernidade para imprimir sua música, o Iron Maiden novamente com Brue Dickinson e Adrian Smith era quase um cavaleiro solitário da Grã Ordem do heavy metal.

Para completar o contexto épico, a história toda beirava o roteiro de cinema!

O rompimento da formação mais clássica do Iron Maiden se deu primeiro com a saída Adrian Smith em 1990, após quase uma década na banda. Três anos mais tarde foi a vez do vocalista Bruce Dickinson, e logo veio a queda de um dos maiores titãs da história do heavy metal. Com os vocais de Blaze Bailey (digamos, o cara certo na banda errada como seus discos solo mostraram) a banda inglesa viu o fundo do poço no que tange a sucesso de público e crítica.

Se isso já não fosse o bastante, o Iron Maiden via Bruce Dickinson construir uma carreira solo versátil e muito interessante, lembrando bastante o que acontecera com Ozzy Osbourne e o Black Sabbath na década anterior. Para completar, os fãs do Iron Maiden viam Bruce Dickinson novamente ao lado de Adrian Smith em discos de sua carreira solo como o pesadíssimo “Accident of Birth” (1997) e o espetacular “The Chemical Wedding” (1998).

A parceria de sucesso entre os dois ex-membros da fase áurea do Iron Maiden inflamava os fãs que como um torcida organizada de um time de futebol que está em baixa, clamava pelo retorno dos craques que lhe deram tantas alegrias no passado. Era questão de tempo para a reunião.

O retorno triunfal do Iron Maiden veio como um sexteto (Bruce e Adrian voltavam), com três guitarristas na formação (Janick Gers, substituto de Adrian, permanecia ao lado de Dave Murray) e um álbum que remetia onde pararam no início dos anos 1990.

Nas palavras de Adrian Smith: “Para mim e para Bruce foi como uma volta para casa. Talvez para muita gente ele soe como uma retomada, mas não para o pessoal que continuou na banda enquanto estávamos fora. Os anos 90 não foram os melhores para o Iron por conta do surgimento do Nirvana e toda a cena grunge, mas, mesmo assim, conseguimos fazer shows em estádios lotados, na América do Sul. Então, se querem chamar ‘Brave New World’ de ‘disco da volta’, tudo bem, mas eu acho a palavra ‘revitalização’ muito mais adequada.”

A banda fez uma turnê tocando só com material antigo antes de entrar em estúdio para gravar “Brave New World”, a “Ed Hunter Tour”, onde resgataram a identidade e a personalidade do Iron Maiden.

Na verdade essa turnê tinha o intuito de divulgar o jogo de computador que lançavam, impulsionado pelo conceito do disco anterior, “Virtual XI” (1998). “Ed Hunter”, o jogo, foi anunciado ainda com Blaze Bailey na formação e vinha como um lançamento triplo, com dois CDs extras trazendo músicas de todas as fases da banda até aquele momento.

Esta foi uma decisão inteligente, pois trouxe a vibração do velho Iron Maiden de volta. A própria capa de “Brave New World” já denunciava isso. Na verdade, não seria exagero dizer que esse pode ser o disco que os fãs do Maiden esperavam desde “Seventh Son of a Seventh Son” (1988, e para este que vos escreve o melhor trabalho da banda).

Não só a capa, pois músicas como “The Wicker Man”, “Out of the Silent Planet”, “Ghost of the Navigator”  “Blood Brothers” davam exatamente aquilo que os fãs queriam quando receberam “Virtual XI” anos antes: guitarras dobradas, estruturas ritmadas, melodias certeiras e os vocais épicos e vibrantes de Bruce Dickinson.

Estas músicas, e outras como “Brave New World”, “Dream of Mirrors” “The Thin Line Between Love and Hate”, foram compatíveis com a expectativa criada com a nova formação, mostrando que iam seguir mesclando o lado progressivo com aquele mais direto do heavy metal, gerando composições bem elaboradas e com peso. Corrobora com isso o fato de quase todas as músicas estraram no repertório da turnê.

Em suma, este é um dos discos mais importantes da história recente do heavy metal e até por este fato, mas não só, você devia ouvir isto! Já o fez, deve ouvir de novo, pois este disco merece!

Ano: 2000

Top 3:  “The Wicker Man”, “Out of the Silent Planet” e “Ghost of the Navigator”.

Formação: Bruce Dickinson (vocais), Dave Murray (guitarra), Janick Gers (guitarra), Adrian Smith (guitarra), Steve Harris (baixo, teclado) e Nicko McBrain (bateria).

Disco Pai: Black Sabbath – “Dehumanizer” (1992)

Disco Irmão: Judas Priest – “Angel of Retribution” (2005)

Disco Filho: Helloween – “Helloween” (2021)

Curiosidades: Existe uma música chamada “The Wicker Man” que ficou de fora do álbum “Accident of Birth” (1997), quarto da carreira solo de Bruce Dickinson, mas que não guarda semelhança com a homônima que ouvimos em “Brave New World”.

Pra quem gosta de: Reconciliações, lembrar do passado, camiseta preta com estampa no peito, futebol inglês e cerveja.

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1 comentário em “Iron Maiden – “Brave New World” (2000) | Você Devia Ouvir Isto”

  1. A volta de Bruce Dickinson e Adrian Smith ao Iron Maiden resultou no melhor disco da banda desde o Powerslave (de 1984) e o melhor disco da formação atual da banda.

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