“Human Decay” é o segundo álbum de estúdio da banda gaúcha de metal extremo radicada em São Paulo Crucifixion BR. O disco foi lançado pelo selo brasileiro Shinigami Records, trazendo treze faixas e tendo como convidados especiais André Rod do Attomica na faixa-título e o vocalista Dave Ingram, do Benediction, em “Bloody Fire Victory”. Abaixo você lê nossa resenha para este disco.
Demorou sete anos para que pudéssemos ouvir o sucessor de “Destroying the Fucking Disciples of Christ”, primeiro álbum da banda de death/black metal Crucifixion BR, lançado em 2014. A banda, fundada em 1996, mostra que neste período conseguiu evoluir sua musicalidade ao mesmo tempo que mudou alguns nomes de sua formação tendo como núcleo sólido a dupla completada pelo vocalista/guitarrista Maxx Guterres e a baterista Juliana Novo.
Ou seja, “Human Decay” é apenas o segundo full lenght da banda que já comemora o vigésimo quinto aniversário de uma história rica dentro do metal extremo nacional e coleciona shows importantes ao lado de grandes nomes do metal mundial como Dark Funeral, Gama Bomb e Krisiun, além de uma turnê europeia que passou por cinco países.
O disco foi gravado no Estúdio Hurricane em Porto Alegre (o mesmo onde registraram “Destroying The Fucking Disciples Of Christ”) com produção do próprio vocalista/guitarrista Maxx Guterres em parceria com o uruguaio Sebastian Carsin, e adianto que o trabalho em estúdio é um fator determinante para a alta qualidade de “Human Decay”, um disco cuja arte de capa é assinada por Romulo Dias (Shaman, Edu Falaschi, Alírio Netto).
Isso tudo posto, vamos ao disco! “Human Decay”, mesmo que mostre uma banda amadurecida (as letras refletem bem isso), mais técnica e cerebral (inteligência e criatividade em prol do metal extremo), não perde a essência old school de outrora, principalmente na força e na brutalidade das influências de Immolation, Sarcófago e Behemoth destiladas com personalidade forte e própria.
Nas treze composições são aglutinados todos os elementos que os fãs do gênero gostam, como brutalidade, peso e velocidade nas paredes de guitarras, vocais guturais e gritados, seção rítmica precisa e incansável, além de letras tão ultrajantes quanto iconoclastas.
A massa sonora segue sempre uma linha musical lógica, bem dinamizada com quebras de andamentos e transições dissonantes, em meio ao violento desfile de técnica e doses homeopáticas de groove. Isso desde a faixa-título que abre o disco, de fato, após a introdução diabólica “Open the Gates, Blasphemy Returns”. E “Human Decay”, a música, será o primeiro destaque do repertório não só pela participação de André Rod do Attomica, mas pelo arrasa-quarteirão que ela é.
Ao lado dela podemos ainda destacar “Chaos of Morality” (com o DNA do metal extremo nacional), “A Few Lies of Your Whole Light” (preste atenção ao trabalho da baterista Juliana Novo nesta música. É impressionante!), “Into The Abyss” e “My Savior” (uma faixa épica que impressiona), além da já citada Bloody Fire Victory”; todas excelentes demonstrações de como amalgamar brutal death metal noventista, black metal e reminiscências old-school de forma criativa, relativamente complexa e pontualmente melódica.
Tomadas as devidas proporções de peso e virulência, temos em “Human Decay” a mesma ruptura com os tradicionalismos musicais ocidentais feitos pelos pioneiros do metal extremo, mas com o ritmo irregular e as saturadas atonalidades melódicas do death metal e do black metal contemporâneos, num extremismo metálico puro e brutal, daqueles de sangrar o ouvido!
Tudo bem que isso tudo não evita que o Crucifixion BR caía em algumas armadilhas do mais do mesmo do death/black metal, principalmente nos artifícios melódicos responsáveis pela aclimatação maléfica que o gênero pede. Mesmo assim, o saldo final de entre acertos e erros é extremamente positivo e, definitivamente, o Crucifixion BR pratica uma fórmula pouco indicada a ouvidos e corações sensíveis em “Human Decay”.
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