ATUALIZANDO A DISCOTECA: Ex Deo, “The Immortal Wars” (2017)

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Ex Deo: “The Immortal Wars” (2017, Napalm Records, Shinigami Records) NOTA:9,0

E o Ex Deo retorna com mais um trabalho versado na história do Império Romano. Aos mais desavisados, a banda canadense foi formada em 2008, como um projeto do frontman da banda de Death Metal canadense Kataklysm,  Maurizio Iacono.

Lançaram dois trabalhos entre 2008 e 2014, intitulados “Romulus” (2009) e “Caligula” (2012), quando o vocalista resolveu impor um hiato ao projeto que durou pouco mais de um ano, e frutificou neste mais recente trabalho “The Immortal Wars”.

Naqueles primeiros álbuns, já estava clara a capacidade da banda em capturar toda a brutalidade das batalhas históricas que descrevia, através de riffs vigorosos, bateria violenta e vocais agressivos, num resultado épico, mas contrapondo à glória imposta pelo Viking Metal. O uso de teclados para recriar uma atmosfera histórica já era um recurso muito bem utilizado dentro destes trabalhos conceituais, se encaixando muito bem no contexto metálico em que fora inserido.

E o Ex Deo vem continuar seu tributo ao Império Romano, narrando a história  do general estadista cartaginês Anibal, por um amálgama de Death  Metal Melódico, com orquestrações climáticas, equalizando bem melodia com brutalidade, e intensidade com pompa, resultando numa dramaticidade quase cinematográfica…

“The Immortal Wars” vem continuar este tributo Heavy Metal ao poderio do Império Romano, ao narrar a história  de Hannibal (ou Anibal), um general e estadista cartaginês considerado o maior dos táticos militares da história, tendo se destacado durante a Segunda Guerra Púnica, entre Roma e Cartago. Dentre suas estratégias mais impressionantes, registra-se que Aníbal conduziu um exército, com a presença de vários elefantes de guerra, da Hispânia até o norte da península Itálica, passando pelos Pirineus e Alpes. Além disso, Derrotou o exército romano em várias batalhas campais, embora os cartagineses não tenham conseguido conquistar Roma.

Somente este tema histórico já empolga  para a audição deste mais recente trabalho do Ex Deo, mas posso afirmar que conseguiram lapidar e engrandecer ainda mais seu amálgama de Death  Metal Melódico, orquestrações climáticas, envolvendo o conceito de modo inteligente e envolvente, equalizando bem melodia com brutalidade, e intensidade com pompa bélica, resultando numa dramaticidade quase cinematográfica, por uma produção nada estéril, mas que consegue ser eficiente nos dois mundos: a organicidade metálica e a nobreza orquestral.

Confira o clipe para a faixa “The Roman”… 

Ou seja, é extremamente difícil de rotulá-los, pois, por mais que estejamos em terreno Death Metal, com guitarras nervosas, cozinha intensa, e vocais guturais, a sonoridade é extremamente dinâmica, com detalhes sinfônicos, de espírito bélico e épico, mais próximos às trilhas sonoras do que ao eruditismo.

Além disso, existem passagens que beiram o Heavy Metal Tradicional em pontos isolados do trabalho. E aqui permita-me destacar o trabalho dos guitarristas J-F Dagenais e Stéphane Barbe, que conseguem dialogar em intensidade com as belíssimas orquestrações de Clemens Wijers, sem perder a alma Death Metal.

Mas não pense que no contexto geral de “The Immortal Wars”  tudo seja rebuscado e pomposo. É dinâmico, bem oxigenado pela geometria variável dos arranjos, mas o instrumental metálico não abusa da técnica, se valendo mais de artifícios cativantes, com cadência e ritmo militar entrecortando a sonoridade vigorosa, de alicerce relativamente simples, mas com paredes solidamente preenchidas e sagazmente adornadas.

Confira a faixa “The Rise of Hannibal”… 

Num trabalho deste porte é quase um crime artístico destacar faixas isoladamente, pois, atém mesmo as transições operísticas e dramáticas entre as composições possuem seu lugar de honra dentro deste álbum, que merece ser absorvido como uma obra de arte completa.

Mesmo assim, ouso afirmar que a sequência iniciada no intermezzo “Suavetaurilia” e que se desenvolve até o fim do álbum com “Cato Major: Carthago Delenda Est!”,  “Ad Victoriam (The Battle of Zama)”, “The Spoils of War”, e “The Roman”, é o melhor momento da carreira do Ex Deo.

Um álbum como este merece ser consumido em sua plenitude, acompanhando as letras e submergindo em seu conceito histórico, muito bem delineado pela belíssima arte do encarte. Por isso, aproveite que esta peça saiu em impecável versão nacional pela Shinigami Records, e tenha a melhor aula de história romana da sua vida!

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