Liquid Tension Experiment – “LTE3” (2021) | Resenha

 

“Liquid Tension Experiment 3”, ou “LTE3”, é o terceiro álbum de estúdio do supergrupo de metal progressivo Liquid Tension Experiment, lançado em 16 de abril de 2021. Este é o primeiro trabalho de estúdio da banda desde o “LT2” de 1999, e chegou ao Brasil em formato digipack duplo pelo selo Hellion Records.

Liquid Tension Experiment - LT3 (2021, Inside Out Music, Hellion Records) Resenha Review

A formação do Liquid Tension Experiment já causa comoção dentro do meio progressivo quando lança um disco: John Petrucci na guitarra, Tony Levin, no baixo (e Chapman Sticky), Jordan Rudess (teclados) e Mike Portnoy (bateria).

Além disso, “LTE3” é o primeiro disco da banda em vinte anos e também o disco onde os fãs do Dream Theater podem ouvir Petrucci e Portnoy tocando juntos novamente desde a saída do baterista.

Se você é fã de música intrincada e progressiva, “só” essas observações deveriam te motivar a ir conferir este “LTE3”, afinal, não há muito o que dizer destas músicas instrumentais, a não ser enaltecer a criatividade com que o quarteto explora suas habilidades técnicas.

Parece uma versão instrumental e improvisada do Dream Theater? Por vezes sim, principalmente nos aspectos rítmicos e nos diálogos entre a guitarra e os teclados, mas não apenas isso. “Liquid Evolution” e “Chris & Kevin Amazing Odyssey”, por exemplo, trazem a marca do King Crimson (cortesia de Tony Levin).

Além disso existem remissões à sua própria obra, como em “Hypersonic” (próxima à musicalidade do Dream Theater), uma música orgástica, com virtuose quase atlética nas guitarras e mudanças de andamentos que nos remetem direto à brilhante “Paradigm Shift”, lá do primeiro trabalho, ou a “Acid Rain”, do disco seguinte.

Entretanto, não pense que este é um desfile inócuo e amorfo de tecnicismo musical. As músicas são sim complexas, mas existem desenhos melódicos e alívios harmônicos, além do que toda esta técnica é propositalmente desenhado em prol da musicalidade e não do exibicionismo.

Um exemplo disso é “Keys to the Imagination”, que abre com melodias ao piano até culminar num grandiloquente prog rock de cacoetes fusion. Outro destaque do repertório é “The Passage of Time” (outra com a cara do Dream Theater), que segue o mesmo padrão de atritar melodias acessíveis com passagens mais complexas.

Porém, a grande música por aqui é a releitura de “Rhapsody in Blue” do gênio George Gershwin, uma música que o quarteto já apresentava ao vivo, mas nunca a tinha registrado em um álbum. Esta é uma releitura toda desenhada por Jordan Rudess e com Tony Levin discretamente lembrando algo de “Elephant Talk”, do King Crimson, em suas linhas.

No segundo disco da edição nacional, intitulado “A Night at the Improv” temos este time de músicos de primeira linha em cinco faixas de pura improvisação, que são trechos retirados de quatro movimentos de 30 minutos cada um, dos quais “Your Beard is Good” e “Ya Mon” se destacam. A primeira pela rara simplicidade roqueira em uma música do Liquid Tension Experiment e a segunda pela performance de Portnoy.

Em suma, “LTE3” é o produto artístico de quatro músicos excepcionais à serviço da mais técnica e melódica fusão de jazz/fusion com rock progressivo, desenvolvendo músicas tecnicamente perfeitas.

Leia Mais:

Dica de Livros Sobre o Tema:

Outros Artigos que Podem Ser do Seu Interesse:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *