Autopsy – Live In Chicago” (2020) | Uma celebração do Death Metal

 

“Live in Chicago”é o primeiro disco ao vivo oficial do Autopsy em mais de três décadas de devoção ao death metal.

O disco chega ao Brasil pelo selo Hellion Records, numa edição exclusiva e belíssima em slipcase, além de mini- pôster e encarte de dezesseis páginas com fotos. Além disso, o disco traz a faixa inédita “Maggots in the Mirror”.

Autopsy - Live In Chicago (2020, Hellion Records, Peaceville) Resenha Review

O Autopsy é uma das entidades vivas do death metal. 

Fundado em San Francisco, no ano de 1987, quando Chris Reifert vê Chuck Schuldiner levar o Death, banda onde foi baterista nos anos de 1986 e 1987, de volta para a Flórida, o Autopsy se tornou uma das pedras fundamentais do death metal ao lado do próprio Death, do Master e do Morbid Angel.

Foram quatro clássicos discos de estúdio do Autopsy lançados pelo selo Peaceville antes do fim da banda em 1995: “Severed Survival” (1989), “Mental Funeral” (1991), “Acts of the Unspeakable” (1993) e “Shitfun” (1995).

Nesses álbuns o Autopsy se mostrava como uma banda diferente dentro do cenário norte-americano do death metal, pois tinha traços também do death metal europeu, como a forte tendência à dinâmica arrastada do doom/death metal britânico e a timbragem inspirada pelo crust escandinavo do death metal sueco.

Até por isso, não há como negar que existe uma veia punk na forma com que o Autopsy executa suas músicas, sendo um rebelde da própria rebelião do, àquela época, ensimesmado death metal.

A prova desse fato está na forma com que os clássicos desta primeira fase são apresentados neste “Live In Chicago”como na abertura do show, onde enfileiram os clássicos “Severed Survival”, “Twisted Mass of Burnt Decay”, “Disembowel”, “Ridden with Disease” e “In the Grip of Winter” (o groove desta música fica ainda mais mortal ao vivo).

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Oferta: Disco Autopsy – “Live In Chicago”

 Ao longo do repertório ainda seremos açoitados com “Fleshcrawl”, “Torn from the Womb”, “Embalmed”, “Gasping for Air”, “Critical Madness”, “Service for a Vacant Coffin”, “Pagan Saviour” e “Charred Remains”, confirmando o fato do repertório ser focado em seus dois primeiros discos (nove das dezoito faixas são de “Severed Survival”) e confirmando o quanto esses temas ainda soam brutais e relevantes para o death metal até hoje.

Após os quatro primeiros discos, o Autopsy entraria num hiato que levaria quinze anos e só seria rompido com o EP “The Tomb Within” (2010), seguido do quinto álbum de estúdio “Macabre Eternal”, no ano seguinte.

À partir daí vieram mais dois discos: “The Headless Ritual” (2013) e “Tourniquets, Hacksaws and Graves” (2014), que reafirmaram o fato de que uma das entidades pioneiras do death metal estava viva e ativa novamente.

Essa segunda fase do Autopsy é mais do que interessante, fato comprovado por músicas como “Arch Cadaver” e “Burial” as únicas retiradas dos discos mais recentes, mas que não fazem feio frente aos clássicos dos primeiros trabalhos no repertório deste “Live In Chicago”.

Como se isso tudo já não fosse suficiente para conferir este disco ao vivo, o Autopsy ainda traz uma “esporrenta” versão de “Fuck You!!!” no fim do show. Esta é uma faixa do Bloodbath, banda de thrash metal do guitarrista Danny Coralles, e retirada de uma demo tape de 1986, intitulada “Fuck Society”.

Para completar, ainda temos uma faixa inédita, gravada ao vivo, a intensa e acelerada “Maggots In The Mirror”, uma possível amostra do que virá no próximo trabalho de estúdio que já está em fase de composição.

Ao todo são mais de uma hora do show gravado no Reggie’s Rock Club, em 7 de março de 2020, na cidade de Chicago, o último que fizeram antes da explosão da pandemia de COVID.

E acredite, mesmo não planejando ser esse o último show daquele ano, a gravação foi realizada de forma muito profissional, com captação impecável e mixagem precisa de Adam Munoz, um velho conhecido dos álbuns de estúdio do Autopsy.

Ele conseguiu capturar em “Live In Chicago” todo o peso e morbidez que emana de forma orgânica do palco, trazendo para o material uma carga maciça de death metal bem delineada aos detalhes.

A execução da banda como um todo é técnica e precisa, mas o lendário Chris Reifert precisa ser exaltado, afinal, ele pode não ser o melhor baterista de death metal, muito menos ser  tão bom vocalista no palco o quanto é em estúdio, mas o cara tem o dom para tocar esse estilo de música brutal.

O vocalista/baterista já não é mais nenhum garoto, mas usa de muita determinação e vontade para compensar aquilo que o tempo implacavelmente afeta.

Além disso, o guitarrista Eric Cutler dá uma força nos vocais enquanto guia as linhas do instrumento ao lado do velho parceiro de seis cordas Danny Coralles.

O time é completado pelo baixista Joe Allen, que já havia tocado com Danny e Chris no projeto punk Eat My Fuk.

Poderiam ter equilibrado melhor o repertório e incluído mais faixas de outros trabalhos? Sim poderiam! Porém isso não tira o mérito de que “Live In Chicago” é uma aula de death metal!

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