Alchemia – Resenha de “Inception” (2020)

 

“Inception” é o primeiro álbum da banda paulista Alchemia, que investe numa mistura interessante, para dizer o mínimo.

O álbum vem envolto numa aura sombria, de aspirações góticas dramáticas, clima cinematográfico, dotada de peso, obscuridade e melancolia.

A sonoridade é calcada num heavy/black metal com pitadas de death metal, inserções de linhas sinfônicas, camadas de sintetizadores e letras que conferem profundidade ao aspecto geral de “Inception”.

Em termos mais práticos, vamos dizer que o Alchemia pratica um horror metal.

Mas do seu próprio jeito.

Alchemia - Inception (2020, Shinigami Records) capa
Alchemia – “Inception” (2020, Shinigami Records)

De modo bem simplificado é como se o Judas Priest encontrasse com Rob Zombie numa mansão mal assombrada pelo Cradle of Filth.

A banda nasceu em 2018, na capital paulista pelas mãos de Victor Hugo Piiroja (vocal) e é completado por Rodrigo Maciel (guitarra), Fifas (baixo), Alex Cristopher (bateria) e Wally D’Alessandro (teclado).

“Inception” foi gravado nos estúdios Fusão e Carbonos, e teve produção de Piiroja em colaboração com Ricardo Campos (Sunset Midnight) que produziu os vocais.

A mixagem e a masterização ficaram a cargo do renomado produtor e engenheiro de áudio dinamarquês Tue Madsen, que trabalhou com Rob Halford, Babymetal e Moonspell, entre outros.

Musicalmente o Alchemia vai te cativar já na ótima faixa de abertura, “Grind”, um heavy metal pesado, à moda tradicional, mas assombrado por nuances góticas nos climas e energizado por timbragens graves e modernas nas guitarras.

Até por isso, as músicas estão longe de soarem anacrônicas, pois eles buscam elementos modernos para inserir sua música na era à qual pertencem, como fazem na tensa e grudenta “Ashes”.

Com isso, não seria absurdo dizer que com fortes tintas góticas o Alchemia esfumaça alguns dos elementos melódicos e agressivos do metalcore.

“If Nothing Is Sacred”, por exemplo, joga o atrito de riffs secosvariação de vocais limpos com guturais e groove nas melodias melancólicas e ritmo cadenciado do rock gótico dos anos oitenta.

O segredo do Alchemia esta no equilíbrio entre os elementos utilizados para construir sua sonoridade, não deixando que nenhum sabor se sobressaia mais que os outros em sua receita.

Isso reflete a maturidade e a consciência de qual forma musical querem praticar.

O que gera preciosidades góticas como “Save Us” (com melodias vocais cativantes e climas quase cinematográficos no segundo plano), “Sacrificed” (com seu ritmo intenso e climas bem encaixados), “Nightmares” (agressiva) e a faixa-título.

Além da brilhante “Secret Call” que fecha o disco e onde aparecem com mais destaque os tensos e belos arranjos sinfônicos e de sintetizadores que são o diferencial da sonoridade do Alchemia.

Estes elementos foram trabalhados em parceria com o compositor britânico Jon Phipps, que criou orquestrações virtuais para Moonspell, Amorphis, Angra e Dragonforce.

O que não significa que não possam se entregar a composições mais diretas, como é o caso de “Haunting You” e “Mind Prision”, donas de melodias bem criadas e energia cativante.

Aliás, olhando friamente, no âmbito tridimensional guitarra-baixo-bateria a música do Alchemia é muito simples, quase intuitiva, mas as camadas de detalhes, climas, efeitos e inserções vocais geram um retrato musical ricamente adornado por sombras.

Um exemplo disso reside na faixa título, que é uma das melhores músicas de conotações góticas que eu ouvi nos últimos tempos, muito pelos arranjos com que é construída, nos dando a sensação de retirar arte da decadência.

Isso tudo cria uma paradoxo musical, pois é estruturalmente simples e previsível, mas o preenchimento é refinado e engenhoso.

“Inception” é um promissor cartão de visitas do Alchemia. Vale muito a pena ficar de olho nessa banda.

FAIXAS:

01-Grind
02-Save Us
03-Inception
04-Haunting You
05-Ashes
06-If Nothing Is Sacred
07-Sacrifice
08-Mind Prison
09-Nightmares
10-Secret Call

FORMAÇÃO:

Victor Hugo Piiroja (vocal)

Rodrigo Maciel (guitarra)

Fifas (baixo)

Alex Cristopher (bateria)

Wally D’Alessandro (teclado).

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