VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: Triumph, “Allied Forces” (1981)

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Confira a proposta desta seção aqui...

Dia Indicado Pra Ouvir:  Quinta-Feira;

Hora do dia indicada para ouvir: Oito da Noite;

Definição em um poucas palavras: Guitarra, pesado, setentista, influente, Rock N’ Roll;

Estilo do Artista:  Heavy Rock

Triumph Allied Forces
Triumph: “Allied Forces” (1981 – 2018, Hellion Records [relançamento])

Comentário Geral: Para muitos, “Allied Forces” é o disco de heavy metal do Triumph. O que por não ser verdade, nem de longe tira o mérito deste grande disco do power trio canadense.

Sim existe uma timbragem pesada nas guitarras, que até desenha momentos agressivos em faixas como “Hot Time” (In this City Tonight)” e na segunda metade da sensacional “Ordinary Man”. Todavia, existe uma dinâmica multifacetada no todo de “Allied Forces”.

Falando francamente, o Triumph se mostrava uma banda dividida entre os sabores mais proeminentes do rock  setentista, indo do blues ao progressivo, e passando pelo hard rock com alta octanagem.

De heavy metal mesmo em “Allied Forces”, só a faixa título (quase uma filha de “Rock N’ Roll Machine”, faixa-título de seu segundo disco), que foi o carro-chefe deste que já era seu quinto trabalho de estúdio, fazendo com o que público deste gênero se aproximasse do Triumph.

Outro fator que pode dar uma impressão mais pesada a “Allied Forces” é o trabalho desenvolvido por Rik Emmett. Um verdadeiro monstro da guitarra que dá um show de versatilidade nas nove composições do álbum, sendo facilmente a alma do Triumph.

Sua habilidade para instilar riffslicks agressivos está no ápice, bem como sua técnica nos instrumentos de cordas está apurada, indo do mais exuberante rock n’ roll de “Hot Time” (In this City Tonight)” ao eruditismo de “Petite Etude” com naturalidade, e oxigenante variação de texturas.

E se Emmett é a alma do Triumph, sem dúvidas, Gil Moore é o coração!

Suas linhas de bateria estão alicerçadas nos principais ensinamentos de nomes como John Bonham e Keith Moon, tendo a seu lado a solidez do baixo de Mike Levine, também responsável pelos sintetizadores e teclados de “Allied Forces”.

Moore além de estruturar as harmonias do Triumph com força bruta, desfila linhas vocais na melhor escola rock n’ roll, enquanto Emmett imprime determinação e alta classe melódica quando chamado ao protagonismo nos vocais.

Isso tudo já transparece em “Fool For Your Love”,  a abertura marcante que o Triumph deu a  “Allied Forces”. 

Certamente ela foi um susto para aqueles que chegaram ao disco pelo sucesso da faixa-título, afinal “Fool For Your Love” é um hard rock criado sobre ganchos melódicos saborosos, longe do peso e vigor do heavy metal.

Não que isso tire a excelência desta composição que tem em “Say Goodbye”, faixa que fecha  “Allied Forces”,  uma irmã gêmea no sentido mais hard rock que o Triumph se permitia.

Aliás,  “Allied Forces”  como  um todo soa como uma fusão de The Who, Led Zeppelin e Rush (Ouça “Magic Power” “Fight the Good Fight”), com os primeiros álbuns de bandas como Styx, Foreigner, Journey e Boston (ouça “Say Goodbye”).

Claro que com a personalidade própria desenvolvida pela meia dezena de discos que o Triumph trazia à tira-colo.

Mas não há como negar, a reputação do Triumph no que tange ao peso e energia  vem da época em que “Allied Forces”  foi lançado, sendo algo que vinha crescendo e sendo administrado na sua personalidade pelas composições de seus álbuns anteriores.

Uma personalidade musical que permitia, por exemplo, que o Triumph trouxesse movimentos progressivos em  “Magic Power” (cantada por Emmett), com organicidade acústica e sabor de balada folk rock, que começa melodiosa e explode num rock n’ roll mastodôntico.

Assim como como também acontece em “Ordinary Man” (climática, dramática, que começa folk e termina num torpor hard rock) e a belíssima “Fight The Good Fight” (que escancara a ascendência do Led Zeppelin e do Rush sobre o Triumph), com Emmett arrasando nas linhas vocais.

Podemos até divergir sobre qual é o melhor disco da carreira do Triumph, mas é ponto pacífico que este “Allied Forces” é o mais importante, pois se tornou referência para o que viria a ser construído dentro do heavy rock norte-americano dali em diante.

Não enrole, aproveite que a Hellion Records acabou de relançar “Allied Forces” no Brasil, e confira este petardo que imprime um ponto de transição no heavy rock, marcado a ferro e fogo pelo Triumph.

Só vou falar que VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO  pra manter a tradição! Afinal, você já entendeu que“Allied Forces” é um clássico obrigatório.

Ano: 1981

Top 3“Allied Forces”, “Fool For Your Love”, e “Ordinary Man”

Formação: Rik Emmett ( guitarra, slide guitar, lap steel guitar, e vocais), Gil Moore (bateria, percussão e vocais), e Mike Levine (baixo, órgão, sintetizador e piano)

Disco Pai: Led Zeppelin  – “Led Zeppelin IV” (1971)

Disco Irmão: The Rods – “The Rods” (1981)

Disco Filho: Monster Truck  – “Sittin’ Heavy” (2016)

Curiosidades: “Allied Forces”quinto disco do Triumph atingiu o número 23 da lista Billboard Pop Albums, além disso, os singles de “Magic Power” e “Fight the Good Fight” atingiram os números 8 e 18, respectivamente, do Mainstream Rock chart de 1981.

Pra quem gosta de: bateristas que “destroem” o kit, guitarristas virtuosos, bandas com dois vocalistas, melodia e adrenalina.

Comentários

Deixe uma resposta