TIM BURTON: 5 Filmes Pra Conhecer

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Tim Burton, é um fruto dos anos 1960: uma criança solitária e sem amigos que criou um mundo particular, cheio de monstros, que se tornou seu refúgio gótico e, mais tarde, ganhou vida material nas telas de cinema. Talvez esta seja a melhor explicação para a estética inocente, quase infantil, que vem impregnada nas fotografias de suas obras.

Com uma dedicação acadêmica absorveu todos os clássicos do gênero terror e a primeira fase da ficção cientifica na sétima arte. Aos treze anos, Timothy William Burton, no subúrbio de Hollywood, começa a praticar a arte da filmagem, dando vida a Tim Burton, o cineasta que será arauto daquele mundo gótico do infante Timothy.

Muito enaltecido pela primeira metade de sua obra, o cineasta se vê extremamente criticado por algumas de suas obras mais recentes (que o digam “Sombras da Noite” [2010] e “A Fantástica Fábrica de Chocolate” [2005]). Hoje, vamos destacar cinco filmes para conhecer  o universo de Tim Burton. 

1) BATMAN (1989)

batman_1989_-_poster_fan_artBurton foi o responsável por trazer às telas um Batman mais fiel aos seus atributos sombrios e assombrado por conflitos diversos, dando profundidade ao personagem que nasceu nos quadrinhos da DC COmics, pelas mãos de Bob Kane, e que foi embalado num viés cômico nos seriados sessentistas. As interpretações dos antagonistas, Michael Keaton e Jack Nicholson, Batman e Coringa, respectivamente, são os itens mais saborosos deste filme. Quem não se recorda da cena em que o vilão, Coringa, em um resplandescente terno roxo e maquiagem digna de uma palhaço louco, saca sua arma peculiar? Até Heath Ledger encarnar o personagem, o Coringa de Nicholson era lembrado como o melhor vilão dos quadrinhos no cinema! Além disso, aos meus olhos, Keaton foi o ator que melhor conseguiu encarnar a alma atormentada de Bruce Wayne em todas as suas versões cinematográficas até agora, muito em consequência do clima melancólico e de romance pós-punk que Burton envolveu sua versão do Homem Morcego.

 

2) EDWARD MÃOS DE TESOURA (1990)

edward-scissorhands-filmeEm uma de suas obras mais pessoais, Burton conseguiu fazer uma sátira social carregada de alegorias e embasada no tradicional arcabouço dos contos de fadas. Mostrando-se inquieto quanto a sua arte, fugiu dos efeitos especiais que foram tão bem sucedidos em “Batman” (1989), para se dedicar a uma obra menos comercial e que seria, quiçá, seu ápice na sétima arte. O dilema da criatura (espetacularmente interpretado por Johnny Depp), isolada da realidade mundana, que perde seu criador (numa pequena aparição do gênio Vincent Price, a quem dedicamos esse post) e protetor  não era mais novidade naquela época, bem como o dilema de uma criatura diferente num mundo egoísta, preconceituoso e luxurioso como o nosso. Uma alegoria que encontra lugar no coração de quase 90% da audiência que experimenta essa deliciosa película, um trágico romance gótico, ao melhor estilo Goethe. Talvez a última gota de ambição, ousadia e eficiência na reconstrução do conto de fadas como gênero.

 

3) O ESTRANHO MUNDO DE JACK (1993)

o-estranho-mundo-de-jackEste filme em animação é uma fábula de Natal maluca, tão onírica quanto um pesadelo, que acontece uma noite em que o céu é tão escuro e que a lua é tão brilhante, e um milhão de crianças fingindo que estão dormindo não têm um natal para lembrar. Como Burton nunca gostou de contos de fadas usuais, esta animação musical foge aos padrões que a Disney empacotava sua produção em série de fracas animações. Destaque às ótimas canções que entremeiam o filme, principalmente às faixas menos melódicas que o esqueleto maníaco-depressivo Jack entoa em sua persona confusa anti-heroica.  A verdade é que desde jovem Tim Burton nunca gostou do contos de fada usuais, sendo este filme um exemplo de sua ideia conceitual, um reflexo de quem tinha como contos de fada, na infância,  os filmes de monstros. Apesar de Burton ter criado a história e os personagens quando trabalhava na Disney, ajudando no filme O Cão e a Raposa, ele não escreveu-o e nem o dirigiu, sendo apenas seu coprodutor. Todavia, a marca sombria, grotescamente inofensiva, bizarra e quase autobiográfica que permeia a obra de Tim Burton está gravada em cada quadro desta animação.

 

4) ED WOOD (1994)

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Talvez a maior controvérsia da lista, “Ed Wood” traz Burton explorando o gênero biografia (que seria magistralmente repetido em “Big Eyes”), onde a veracidade dos fatos  é, em geral, duvidosa, mesmo que ele tenha se baseado num livro para contá-la. Mesmo assim, em meio a carência de discussões acerca de peculiaridades do personagem e uma excessiva autorreferência (são perceptíveis remissões a ecos de sua própria obra), esta talvez seja a trama mais bem amarrada de Tim Burton, com destaque à interpretação de Depp, que consegue trazer a emoção para o protagonismo, mesmo quando o visual gótico soa mais clamoroso, muito em decorrência do humor peculiar advindo das excentricidades  de Ed Wood. Existe um perene clima de ironia, principalmente na interpretação para Bela Lugosi, que torna o filme envolvente e cativante, ao fotografar uma parte da vida do diretor Ed Wood, nos anos 50, quando ele se via às voltas com atores desajustados, incluindo Bela Lugosi, e produziu filmes de péssima qualidade, que o fizeram passar para a história como o pior diretor de todos os tempos e que tinha o hábito de se travestir.

 

5) SWEENEY TODD: O BARBEIRO DEMONÍACO DA RUA FLEET(2007)

225px-sweeneylarge“Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” é um musical inspirado no livro de Hugh Wheeler, com músicas e letras de Stephen Sondheim, que narra a lenda de Benjamin Barker, um barbeiro da era vitoriana que se vê envolvido numa trama de amor, tristeza e vingança, ao lado da Senhora Lovett. Podemos dizer que Burton transformou este roteiro numa versão pop/dark/gótica do clássico “O Conde de Montecristo”. Claro que muitas músicas da trama original do teatro foram cortadas e até mesmo retiradas para que a película não se estendesse demais e quebrasse o ritmo por longos diálogos intercalados pela trilha sonora. Além disso, Burton banhou sua versão em muito sangue, beirando os moldes “tarantinescos”, que deu certa jocosidade à trama, em contraste ao sisudo, raivoso e insone Sweeney Todd de Depp, que surpreendeu pela performance como cantor. Talvez este seja o último filme em que Tim Burton usou toda a pureza de seu universo, com clima sombrio fantasioso.

 

O melhor de todas as listas é o que nelas não está elencado, como diz um velho aforismo da cultura pop. Além destes cinco filmes escolhidos, “Os Fantasmas Se Divertem”, “Batman: O Retorno”,  “A Noiva Cadáver”, “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”, “Alice”, “Grandes Olhos” também poderiam figurar nesta lista como representantes da arte cinematográfica de Tim Burton, contendo marcas fortes de sua personalidade. 

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