VINCENT PRICE: Terror e Rock n’ Roll

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Vincent Price é o mestre dos filmes de terror clássico!

Sempre associado a roteiros baseados a grandes nomes literários do gênero, o ator é um dos maiores divulgadores das obras de Edgar Alan Poe.

Price nasceu em 1911, foi criado em uma família abastada do estado americano do Missouri que possuía hábitos culturais acima dos padrões da época e costumes antigos baseados na cultura inglesa.

Começou no teatro, passando naturalmente para a sétima arte onde recebeu a alcunha de Mestre do Macabro.

Sua carreira no cinema foi longeva e recheada de grandes clássicos baseados em histórias de Alan Poe e Lovecraft, principalmente.

Morreu em 1993, aos 82 anos, acumulando prêmios por suas atuações no cinema e na televisão, ganhando, inclusive, duas estrelas na calçada da fama.

Mas hoje, não vamos nos entregar a sua magnífica carreira de ator.

Vincent Price, dono de uma voz imponente, forte e enigmática, declamava como poucos, versos e falas dos filmes. Sua inflexão vocal era tamanha que ele era capaz de nos fazer sentir tudo o que sua personagem sentia.

Se duvida, uma mostra clara de seu brilhantismo pode ser conferido no especial An Evening With Edgar Alan Poe. Nestes vídeos, o tom lúgubre da voz de Price é a unica linha que costura as histórias do mestre Poe em monólogos irretocáveis que demonstram sua total entrega à interpretação dos sentimentos mais sombrios e até mesmo cômicos que atravessam a carne pulsante de nós, seres humanos.

“An Evening With Edgar Alan Poe”, na íntegra, legendado… 

Assim, como as artes cênicas, a música também é uma veia artística que busca elevar as sensações humanas. Sensações estas que vão desde as mais nobres às mais torpes e contestáveis.

O rock n’ roll, desde seu primeiros anos já associava a música com a temática de terror e até mesmo o blues se valia desta associação em determinados momentos – se duvida ouça I Put a Spell on You de Screaming Jay Hawks ou Me And The Devil Blues de Robert Johnson.

Ao completar a maioridade, o novo estilo rebelde viu o nascimento de grupos que se utilizavam de ferramentas das artes cênicas sombrias em suas apresentações. No início dos anos 70, Alice Cooper se decapitava em pleno palco, simulava assassinatos e cantava sobre “amar a morte”.

O Kiss vinha todo envolto em uma cenografia fantástica que tinha em Gene Simmons a encarnação do mal. Ele cuspia fogo, vomitava sangue e levitava. O Black Sabbath cantava encontros com o diabo e seus riffs macabros eram o tempero para que acentuava o sabor do ocultismo em suas letras.

Nem é necessário dizer em qual direção esta influência evoluiu, mas é inegável que a origem, a inspiração de todo este processo foram os clássicos filmes de terror dos anos 50 e 60, ou até mesmo anteriores, onde estrelavam Boris Karloff, Christopher Lee e o Meste do Macabro, Vincent Price.

Sendo assim, a admiração de alguns músicos ultrapassou alguns limites e convites para participação com narrações em músicas foram feitos. E aceitos. Vincent Price fez diversas destas narrações e quero, hoje, reunir a maioria delas aqui, bem como, exibir algumas homenagens que este incomparável ator recebeu de seus fãs no mundo do rock.

Michael Jackson: “Thriller”. A maior associação de Vincent Price com a música talvez esteja nesta canção do rei do Pop.

A mais conhecida participação de Price em uma música é, sem dúvida, sua narração no fim da música Thriller de Michael Jackson. O clipe desta canção é um curta metragem de terror que se encerra com o Mestre do Macabro narrando o poema :

“A escuridão cai sobre a terra
A hora da meia-noite está próxima
Criaturas rastejam em busca de sangue
Para aterrorizar sua vizinhança
Quem quer que seja encontrado
Sem uma alma para oferecer
Deve permanecer e enfrentar os caçadores do inferno
E apodrecer dentro de um cadáverO fedor abominável está no ar
O ranço de quarenta mil anos
Zumbis grisalhos de todas as tumbas
Estão se aproximando para selar seu destino
E apesar de você lutar para sobreviver
Seu corpo começa a sentir calafrios
Pois nenhum mero mortal pode resistir
À malevolência do terror”

Quando Price foi convidado a participar da faixa de Michael Jackson ele não era um estranho no mundo do rock n’ roll. Na decada anterior, participou de uma canção de um dos roqueiros mais polêmicos dos anos 70.

Já citado anteriormente, Alice Cooper, durante muitos anos, ficou conhecido como o Vincent Price do rock. Suas atuações no palco remetiam a trejeitos de Price em seus filmes e o show do Alice Cooper, seja como grupo ou solo, era recheado de elementos que remetiam à era clássica do gênero terror no cinema.

Neste contexto, nada mais natural do que a voz de Price estrelar em uma canção de Alice Cooper. Em 1975, Alice Cooper lançou o álbum Welcome to My Nightmare onde está a canção The Black Widow que ganhou uma versão adornada com a voz de Vincent Price no álbum The Alice Cooper Show de 1979.

Alice Cooper: The Black Widow. Alice Cooper teve a magnífica presença de Vincent Price em um dos inúmeros especiais de TV que traziam suas músicas…

Na versão ao vivo apresentada no disco de 1979, o Mestre do Macabro entoa as mesmas palavras que fazem parte do roteiro do especial produzido para a TV e que divulgava o disco Welcome to My Nightmare. O monólogo de Price foi apresentado em 1977 no especial Alice Cooper’s Nightmare:

Leaving Lepidoptera… Please don’t touch the display, little boy. Oh-ho-ho… cute. Moving to the next aisle, we have Arachnida, the spiders, our finest collection.

This friendly, little fellow is the Heptithilidae, unfortunately harmless. Next to him… the nasty Lycosa Raptoria.

His tiny fangs cause creeping ulcerations of the skin. And here… my prize, The Black Widow. Isn’t she lovely? And so deadly.

Her kiss is fifteen times as poisonous as that of the rattlesnake. You see, her venom is highly neuro-toxic. Which is to say that it attacks the central nervous system; causing intense pain, profuse sweating, difficulty in breathing, loss of conciousness, violent convulsions, and, finally… uh, death. You know, what I think I love the most about her is her in-born need to dominate, posess.

In fact, immediately after the consummation of her marriage to the smaller and weaker male of the specie, she kills and eats him. Oo-hoo, she is delicious! (And I hope he was.) If I may put forward a slice of personal phylosophy, I feel that Man has ruled this world as a stumbling, demented child-king long enough! And as his empire crumbles, my precious Black Widow shall rise as his most fitting successor!

Vincent Price colocando Ringo Starr pra dormir em um especial de Tv dos anos 70.

Ainda na década de 70, o ex-beatle Ringo Starr produziu um especial para a Tv onde Vincent Price atuava como um especialista em hipnose que colocaria o ex-beatle em estado de sono.

Este não fora o primeiro encontro do Mestre do Macabro com o beatle. Em 1964, ele contracenou com Jane Asher, namorada de Paul McCartney à época, no filme de terror A Máscara da Morte Rubra, que seria uma adaptação de uma célebre obra de Edgar Alan Poe.

Uma das maiores narrações associadas a Vincent Price, mas não realizada por ele, é a de  The Number of The Beast, clássico de 1982 da banda inglesa Iron Maiden.

Segundo a história, a banda teria contactado Price e feito o pedido que teria cobrado vinte e cinco mil libras para realizar o serviço. Considerando um preço alto, os músicos decidiram contratar um narrador de histórias de terror de uma rádio local.

A citação que introduz a canção foi tirada do livro bíblico de Apocalipse e diz:

Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é um número do homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis

Um vez Price chegou a declarar que tinha uma grande admiração pelo rock n’ roll. O ator teria uma teoria quanto ao real motivo de ser escolhido por tantas estrelas do rock para participar de especiais de Tv:

“Eu acredito que os rock stars se inspiram em meus filmes. Eles vão e fazem rock n’ roll, todos no topo, fazendo barulho e voando por aí, e então voltam para seu hotel, ligam a Tv e lá estou eu!”

Assim como o rock, Vincent Price é um baluarte do século XX e suas obras inspiraram muitas bandas no nascedouro do estilo e ajudaram a consolidar o um lado mais sombrio deste tipo de música.

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