ATUALIZANDO A DISCOTECA: Canábicos, “Intenso” (2017)

E o selo Monstro Discos mostra novamente sua excelência quando o assunto é Rock N' Roll  made in Brazil . Sua mais nova investida é a banda mineira Canábicos, e  "Planeta Estranho", faixa de abertura de  "Intenso" , mais recente álbum do quarteto mineiro, vai te atingir de modo fulminante por guitarras endiabradas e embebidas do mais puro e etílico Rock Clássico de tonalidades "zeppelianas", desfiladas sem moderação, assim como experimentaremos  mais à frente, na pujante "Lei do Cão" . Nestas duas faixas, já percebemos como a banda é capaz de transformar suas influências em identidade própria, convergindo-as para um ponto conciso, imprevisível e envolvente. Obviamente, é possível separar cada uma das ascendências dentro desta energética quimera musical, mas o produto final é tão bom e homogêneo que esta dissecção é simplesmente um exercício que engrandecerá ainda mais a impressão criada por este álbum, que não soa pretensioso. “Intenso”, quarto e novo disco de estúdio dos Canábicos, traz muita energia através de uma dinâmica vívida e com muito sentimento, forjando um Hard/Classic Rock com ascendências de Beatles, Black Sabbath, Rolling Stones a Led Zeppelin, cantado no bom e velho português. Reafirmando-se como um dos mais prolíficos nomes da fortíssima cena atual dentro do triângulo mineiro, a banda Canábicos, de Araguari, liderada pelo guitarrista Murcego González (também integrante do Uganga) e pelo vocalista Clandestino, foi formada em 2013, e vem completada com Mestre Mustafá na bateria e o baixista MM, tendo lançado três discos em três anos: "La Bomba" (2013), "Reféns da Pátria" (2014) e "Alienígenas" (2015). Neste contexto, “Intenso” , quarto e novo disco de estúdio dos Canábicos dá continuidade a esta discografia, onde cada momento traz muita energia através de guitarras bem timbradas, cozinha crua, produção bem orgânica e uma bem vinda variabilidade de abordagens entre as composições, numa dinâmica vívida e com muito sentimento, forjando um Hard/Classic Rock com ascendências de Beatles, Black Sabbath, Rolling Stones a Led Zeppelin, cantado no bom e velho português. Confira o clipe da faixa "Planeta Estranho"...  Pegue, por exemplo, uma composição como  "Rotina",  que, mesmo em uma versão mais simples do gênero, insere, talvez, o momento mais progressivo no meio da composição, retirando força do contraste de sentimentos para solidificá-la, enquanto  "Fora da Lei" se mostra mais cadenciada, com versos bem sacados e detalhes esmerados dos arranjos. Essa variabilidade dentro dos arranjos é obviamente um reflexo da maturidade da banda como compositores, com bem mostram as faixas "Intenso"  (que traz texturas diferenciadas, e explosões orgásticas de um instrumental que consegue soar moderno e clássico, ao mesmo tempo) e, principalmente,  "Não Faz Sentido",  que traz o groove sabático intercalado pela melodia melancólica dos Beatles, e um solo que poderia estar naquele primeiro e pouco comentado álbum de Eric Clapton. Já pensou? Um vislumbre de Toni Iommi e Eric Clapton na mesma música? Por aí já fica perceptível que as guitarras são, sem dúvida, as estrelas da companhia. Uma timbragem que dialoga com o espírito clássico, mas sem o sabor de requentado, soando nervosas e intensas com fluidez e, ao mesmo tempo, aclimatar as canções nos momentos de menos protagonismo. Confira a faixa-título...  Gravado no estúdio RockLab, em Goiânia, sob produção de Gustavo Vazquez (Uganga, Black Drawing Chalks, Hellbenders), e reunindo oito músicas inéditas, entre as quais algumas escritas há mais de dez anos,  "Intenso"  é um álbum direto, sem firulas, mas com criatividade, que se desenvolve em pouco mais de trinta minutos, dando a impressão de que  fora estruturado como um antigo LP da era dourada do Classic Rock, sem se apegar ao mofo do classicismo, com muita organicidade, e sem exagerar no volume, algo tão costumeiro nas produções atuais. Neste segmento, "Viagem Espacial" , um Rock N' Roll de raíz, com espírito anos 1950 encarnado numa robustez instrumental que me lembrou os primeiros anos do Queen, se enlaça  "Eu Não Sei o Que Vai Ser de Mim",  uma faixa longa se comparada com as demais, que fecha o trabalho com muita intensidade, e um lirismo quase progressivo em certos momentos, tudo sempre encharcado de ferocidade Hard Rock, completando o ciclo setentista. Não deixe de conferir o álbum, pois além de musicalmente nivelado por cima, vem embalado em um belíssimo digipack . Confira o álbum na íntegra, via Spotify...  …