ATUALIZANDO A DISCOTECA: Magnum, “Lost On The Road To Eternity” (2018)

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Magnum
Magnum: “Lost on the Road to Eternity” (2018, SPV, Steamhammer, Shinigami Records) NOTA:9,5

Só para situar o leitor, afinal o Magnum pode ser mais uma vítima da traição de nossa memória, essa é a banda formada por Bob Catley (vocais) e Tony Clarkin (guitarra) na Birmingham dos anos 1970, e que se destacou com álbuns como  “On a Storyteller’s Night” (1985 e que trazia o sucesso “Just Like an Arrow”), “Vigilante” (1986, produzido por Roger Taylor, do Queen), e “Wings of Heaven” (1988).

Em 1995, a banda decretaria o fim de suas atividades, que seriam retomadas em 2001, sendo este “Lost On The Road To Eternity”, seu mais recente álbum  nesta nova fase (e seu vigésimo álbum de estúdio), lançado em 2018.

Impressiona como a dupla Catley/Clarkin, dois septuagenários, cria músicas empolgantes, criativas, voltadas a temas épicos e mais afinadas a seus melhores momentos progressivos, mesmo que a base seja tipicamente AOR.

Isso já está impresso na abertura, “Peaches and Cream”, com guitarras que remetem à forma oitentista do ZZ Top e refrão com um “q” de Deep Purple (e também nos teclados). Uma faixa que mostra bem como a estética AOR será retrabalhada com classe, mas longe dos circunlóquios periódicos.

Aqui, o requinte musical dá bom gosto à manufatura melódica da banda, como o teclado pingando suas notas no segundo plano de “Show Me Your Hands” (dona de passagens mais progressivas e sabor moderno), ou com o peso cativante –mezzo Whitesnake mezzo Rush –  dos movimentos da power ballad “Storm Baby”, ou ainda na climática “Tell Me What You’ve Got to Say”. Já “Forbidden Masquerade” traz aquele aspecto lúdico e fantástico do Marillion, mas à moda Magnum.

São harmonias sofisticadas, num horizonte melódico amplo, sabor oitentista, mas sem o cheiro de mofo. Neste último quesito a produção foi certeira ao buscar a essência da banda no passado, mas limpá-la para os dias atuais, resultando num material melódico bem definido, livre e de arranjos arrojados. ” Ya Wanna Be Someone”, inclusive traz muito do que vemos no melodic rock atual!

Mas não se engane! Mesmo extremamente criativos e com a maturidade a seu favor, são devotos da velha escola do estilo, como bem vemos nas ótimas “Glory To Ashes” “King Of The World”, que fecham o material.

Catley mantém intacta sua capacidade de emocionar com suas linhas vocais cativantes, assim como Clarkin mostra como a maturidade só amplificou sua destreza em forjar melodias certeiras e desfiar solos implacáveis, ao longo de onze composições  que capturam a essência mais experiente da banda Magnum.

Além da dupla acima citada, temos Al Barrow (baixo, e outro dos membros fundadores) e Lee Morris (bateria, que passou pelo Paradise Lost) na seção rítmica, além de Rick Benton (recém-chegado à formação junto com Morris) nos teclados, que claramente possuem importância enorme na sonoridade apresentada, com ritmo vibrante e bom gosto sinfônico.

Lost On The Road To Eternity” é um disco extremamente envolvente! De ganchos melódicos saborosíssimos, climas bem feitos, e milhas distante da auto-indulgência.

Garanto que se você for fã de AOR não conseguirá resistir a uma composição como “Welcome To The Cosmic Cabaret” ou a “Without Love” (com refrão preciso), e elas são provas exatas do poder de cativar deste novo disco do Magnum.

Outro detalhe importante deste trabalho, já antecipado pela capa de Rodney Matthews (que chega a lembrar a capa de “Bigorna”, da banda mineira Cartoon), recheada de referências literárias, com sabor de fantasia de O Mágico de Oz e Alice no País das Maravilhas, são as letras capazes de construir imagens e eventos nítidos.

Paisagens magnificamente ambientadas por uma musicalidade cheia de personalidade e com certa dose de fantasia advinda dos arranjos climáticos e orquestrados do alemão Wolf Kerschek, mais proeminentes na vibrante faixa-título, que conta com a ótima participação de Tobias Sammet, vocalista do Edguy e do Avantasia.

A versão brasileira, em formato duplo, traz quatro músicas ao vivo no CD 2: ‘Sacred Blood – Divine Lies’, ‘Crazy Old Mothers’, ‘Your Dreams Won’t Die’ e ‘Twelve Men Wise And Just’. Todas foram gravadas em 2017 no festival Leyendas Del Rock em Alicante, Espanha.

No fim de “Lost On The Road To Eternity” fiquei com a sensação de ter ouvido um híbrido da alquimia melódia classuda do Thunder com a estética progressiva, mas sem excessos, do Procol Harum.

Indiscutivelmente, este será um dos melhores discos que a Shinigami Records trará ao Brasil em 2018!

Confira o lyric video para a faixa “Without Love”…

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