ATUALIZANDO A DISCOTECA: Krucipha, "Inhuman Nature" (2017)

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Krucipha: “Inhuman Nature” (2017, Shinigami Records) NOTA: 9,5

Formada em 2010, a banda curitibana Krucipha chega a seu segundo trabalho, “Inhuman Nature”, apresentando uma versão mais madura e não menos impactante de seu heavy metal vigoroso e agressivo, um amálgama de influências diversas de thrash metal, death metal, groove metal, e hardcore, temperado por uma conotação rítmica tribal, cujo espectro revela inspirações que vão de Chico Science & Nacão Zumbi ao óbvio Sepultura.

Numa clara e evidente evolução de seu consistente primeiro full lenght, “Hindsight Square One”, de 2014, “Inhuman Nature” chega dando mais polimento ao foco, às composições e à produção, resultando numa ofensiva sonora com variação de andamentos envolventes.

Claro que referencialmente é mais fácil dizer que a banda soa como as versões noventistas do Slayer, Sepultura, e Korzus, mas existe muito mais nestas novas onze composições (se contarmos as duas faixas bônus), que cruzam os limites do conservadorismo do thrash metal de modo nada convencional, como de saída “Hateful” nos mostra, apresentando as armas virulentas deste novo trabalho.

Confira a faixa “Acceptance”… 

Longe de uma postura impositiva, empregam a criatividade e a fluidez numa sobreposição de camadas e texturas (de apelo moderno) de peso e velocidade, que dá personalidade própria à sua musicalidade por melodias e dissonâncias em passagens ora climáticas, ora groovadas (por riffs quase percussivos), que abrem espaço em meio às harmonias trampadas, como vemos em “Victimia”,  “Mass Opression”, e a pedrada “Acceptance”. Além destas, destaque ao death metal desconstruído e extremamente criativo de “Non Efficiens, Non Decorus” e ao metal/punk irresistível de “Bureaucrap” (uma das melhores do trabalho).

Por essas faixas percebemos que a banda continua seu passeio fora da caixa de tradicionalismos do thrash metal, construindo com dinamismo (por passagens multifacetadas, solos bem construídos, além de atonalidades e dissonâncias) e brutalidade sua sonoridade agressiva, em que os aspectos tribais pulsam, dando impacto e energia ao instrumental, afinal este artifício sempre carrega consigo certa simplicidade primal de efeito eletrizante e hipnótico.

Confira o clipe de “Reson Lost MMXVI”, faixa bônus do CD… 

A produção conseguiu estabilizar a fórmula de alta entropia metálica da banda, amplificando suas potencialidades agressivas pelo aspecto orgânico, oxigenando a dinâmica brutal sem deixar arestas na proposta mais crua. Ou seja, existe fluidez ao transitar entre o clássico e o moderno, com destaque à desenvoltura dos vocais de determinação furiosa de Fabiano Guolo.

Para não dizer que tudo está perfeito, acredito que a timbragem da bateria poderia ser menos crua, dando mais poder aos aspectos tribais das composições e fatalmente evidenciando a técnica de Felipe Nester além do que foi registrado. Mas aí já esbarra nas minhas preferencias pessoais, e acredito que esta condição foi uma escolha consciente da banda, a forma pensada para imprimir sua arte.

Sem dúvidas, um dos grandes álbuns de 2017!

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