VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: Desultory, “Into Eternity” (1993)

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Dia Indicado para ouvir: Sexta-Feira

Hora do dia indicada para ouvir: Oito da Noite

Definição em um poucas palavras: (pesado)³, melódico, pioneiro.

Estilo do Artista: Death Metal

Desultory Into Eternity
Desultory: “Into Eternity” (1993 – 2015, Metal Blade Records, Rising Records)

Comentário Geral: Nascida em 1989, a banda sueca Desultory surgiu numa efervescente e pioneira cena metálica, tendo sua parcela de “culpa” na consolidação do death metal sueco no início da década de 1990, ao lado de nomes como Entombed, Dismember, Unleashed e Carnage, principalmente com este primeiro álbum, “Into Eternity”, lançado em 1993.

Na verdade, este trabalho já apontava para a direção que a cena seguiria futuramente, com o death metal Melódico. Muito do apresentado aqui, principalmente na segunda metade do disco, antecipa o que veríamos melhor trabalhado na primeira onda do death metal melódico que chegaria poucos anos depois.

Ao contrário de nomes como Entombed, Unleashed, Hypocrisy e Disember, os mais lembrados quando em falamos da forma sueca de se praticar o metal da morte, o Desultory buscou sua musicalidade inicial no thrash metal Bay Area, adicionando vocais mais agressivos e guturais, uma fórmula que seria lapidada num futuro próximo.

À época, a cena sueca já se via rachando para a divisão que viria mais à frente entre as bandas que rumariam para o death n’ roll, guiadas pelo Entombed e seu “Wolverine Blues” (1993), e as outras que seguiriam para o melodic death metal, contextualizando a seus modos e timbragens o que os ingleses do Carcass fizeram em  “Necroticism – Descanting the Insalubrious” (1991) e “Heartwork” (1993).

Mas não se engane! O Desultory entregava uma fornada do típico death metal sueco em pedradas como “The Chill Witthin”, “Vsions” “Passed Away”.

Tudo aqui em “Into Eternity”, o álbum, é bem primitivo e brutal resvalando na escola norte-americana do death metal, sem esquecer da dose certa de melodia inerente à abordagem sueca, como bem impresso na faixa de abertura, “Into Eternity”, onde as texturas do death metal sueco estão encorpando a estrutura melódica do thrash metal norte-americano.

Esta primeira composição revela ainda uma abordagem livre de amarras de estilos, buscando muito das melodias e ganchos pesados do heavy metal tradicional, assim como em passagens de “Depression”, que vem na sequência, com mais groove e cadência entremeada de brutalidade suja.

Desultory Into Eternity band
O Desultory apontava, neste primeiro álbum de estúdio, com uma certa originalidade dentro de sua proposta que cativa ouvidos afeitos aos diversos modos do metal extremo

“Into Eternity” é guiado por riffs pesados e onipresentes à cargo de Stefan Pöge e Klas Morberg (também responsável pelos vocais), com vibe speed metal que também confere um sabor de thrash metal alemão pelos aspectos primitivos, com peso e velocidade respingando sujeira pra todo lado.

Como em “Tears” e sua dinâmica speed metal até nas mudanças de andamentos (preste atenção aos detalhes do baixo de Håkan Morberg), assim como teremos no desfecho com “Asleep”.

É fato que a identidade da banda é formada pelas guitarras de Morberg e principalmente de Pöge, donde existe até algo de doom metal “à moda Peaceville” nos climas e melodias melancólicos que inserem aqui e acolá.

“Twisted Emotions” “Forever Gone”, por exemplo, são faixas que flertam com mais força com estes aspectos ingleses do doom/death metal, mesmo que descambem para a pancadaria.

Nesse sentido, o Desultory aponta com uma certa originalidade dentro de sua proposta que cativa ouvidos afeitos aos diversos modos do metal extremo, até mesmo uma dose de crustD-beat nos vocais.

Queiram ou não, este disco tem uma parcela de responsabilidade no que bandas como Dark Tranquility, Arch Enemy e In Flames viriam a fazer com sucesso poucos anos mais tarde.

É mais fácil, em termos de inspiração do melodic death metal, dar crédito a discos como “Indecent and Obscene”, lançado no mesmo ano pelo Dismember, algo do Hipocrisy ou At The Gates, mas certamente, existe um sólido pilar daquela fórmula nas “experimentações” que o Desultory fez neste disco.

Ou seja, VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO!

Ano: 1993

Top 3: “Tears”, “Depression”, “Twisted Emotions”

Formação: Klas Morberg (vocais e guitarras), Stefan Pöge (guitarra solo), Håkan Morberg (baixo), Thomas Johnson (bateria).

Disco Pai: Entombed – “Left Hand Path” (1989)

Disco Irmão: Dismember – “Indecent and Obscene” (1993)

Disco Filho: Evocation – “Tales from the Tomb” (2007)

Curiosidades: A edição nacional, lançada em digipack via Rising Records, em 2015, trazia as demo-tapes “From Beyond” (1990) e “Death Unfolds” (1990), num total de dezesseis faixas, onde temos versões interessantes para “Passed Away” e “The Chill Within”.

Pra quem gosta de: Indecências e obscenidades, contos da cripta, heavy metal que pesa uma tonelada, cerveja (em copos grandes, e mesmo quente) e o caminho da mão esquerda.

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