ATUALIZANDO A DISCOTECA: Cavalera Conspiracy, “Psychosis” (2017)

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Por Ricardo Leite Costa

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Cavalera Conspiracy: “Psychosis” (2017, Hellion Records, Napalm Records) Nota:9,5

Desvencilhar-se do passado é difícil, ainda mais quando o mesmo é repleto de glórias e conquistas. Max Cavalera construiu um legado dos mais sólidos com o Sepultura, legado este que já permanece eterno no Metal mundial, e o Cavalera Conspiracy seria o elo de ligação com esta fase tão marcante.

Em “Psychosis”, mais novo álbum do grupo, poderia dizer que o velho Sepultura é revisitado, bem como o finado Nailbomb, e vou além: se o Sepultura clássico não tivesse ruído, ele soaria exatamente assim hoje. “Psychosis” é um disco furioso, mas defini-lo apenas como furioso não o elucida com real justiça.

Max e Iggor juntaram suas influências mais contundentes, entre elas o Thrash, Death, Hardcore, Black Metal e Industrial e conceberam o disco mais brutal da ainda breve carreira do Cavalera Conspiracy. O negócio é forjado no ódio, literalmente.

Cru e extremamente pesado, “Psychosis” é o fruto mais esperado da reconciliação dos irmãos. Reflete tudo aquilo que parecia hibernando por um longo período, esperando o momento certo para despertar. É como a fera que está enclausurada há muito tempo e, de repente, é posta em liberdade, proporcionando um banho de sangue. Qualquer traço de refinamento que poderia existir é impiedosamente erradicado, dando lugar a uma sonoridade orgânica, visceral e primitiva.

Confira a faixa “Insane”… 

Mesmo Marc Rizzo, que é um grande guitarrista, optou por resgatar seu lado mais punk, deixando-se levar muito mais pela simplicidade de acordes ásperos e dissonantes do que por arpejos técnicos e refinados. O peso monumental é cortesia de muito Groove e de uma percussão que mais parece tambores de guerra (o mais novo dos Cavalera está indignado com algo e descontou na pobre bateria, só pode).

O início destruidor com “Insane”, uma composição rápida, objetiva e puramente Thrash, dá seqüência a um crescimento de brutalidade exponencial, pois “Terror Tatics” e “Impalement Execution” trazem riffs cáusticos em profusão, andamento frenético intercalado com cadência e uma atmosfera de caos e destruição. “Spectral War” é soberba e conta com uma desacelerada geral, se aproximando do Doom atmosférico em seu terço final e edificada sob muito peso.

Por mais que “Psychosis” até tente dar uma variada de climas em poucos momentos, é na violência desregrada que ele se encontra, como por exemplo em “Crom”, que mescla essas duas facetas muito bem. “Hellfire” é a mais viajante de todo o repertório, se aproximando do industrial de nomes como Ministry e Godflesh, e é sedimentada sob um andamento repetitivo e hipnótico, sendo assim considerada não uma faixa ruim, mas sim muito diferente do contexto geral do álbum.

Confira o clipe da faixa “Spectral War”… 

“Judas Pariah” é a explosão máxima de fúria concentrada. É o ápice da intransigência sonora dividida em duas etapas: a sandice Grindcore inicial, e a viagem tribal transcendental da segunda metade, que por si só já faz uma ponte de interligação com a faixa título, que é uma jornada instrumental impossível de explicar em poucas palavras, mas não se desespere. “Excruciating” é o ato derradeiro de salvação, retornando à porradaria costumeira, embora rendendo-se às viagens etéreas na sua conclusão.

Sem querer, acabei por descrever faixa por faixa, me alongando um pouco demais, mas “Psychosis” tem esse poder. É certamente o álbum mais empolgante da trajetória do Cavalera Conspiracy, reunindo o melhor das várias facetas de Max Cavalera em um único lugar. As raízes afloraram neste disco e o underground falou mais alto. Por mais que tentemos negar, as origens sempre prevalecem. Ainda bem!

 

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