ATUALIZANDO A DISCOTECA: Body Count, “Bloodlust” (2017)

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Bloodlust bODY coUNT
Body Count: “Bloodlust” (2017, Hellion Records) NOTA:8,5

O Body Count sempre foi a forma de Ice-T imprimir seu discurso político e cheio de temas sociais por uma música forte e pesada, que misturava metalrap, e hardcore, com riffs potentes e batidas instigantes, principalmente em seu primeiro e antológico disco, lançado em 1992.

 Claro que à partir dali a discografia do Body Count alternou em altos e baixos, e a formação da banda sofreu mudanças drásticas, mantendo sempre Ice-T à frente, chegando a 2017 para nos apresentar “Bloodlust”, mais recente e sexto trabalho, que veste sua poesia urbana confrontadora com as cores do heavy metal.

Cabe ressaltar que o Body Count está em forte atividade nos últimos dois discos, acumulando shows, gravações, e períodos de composição, não mostrando o mesmo hiato que vimos entre “Violent Demise: The Last Days” (1997), “Murder 4 Hire” (2006) e “Manslaughter” (2014).

“Bloodlust” é um trabalho pesado e agressivo, mantendo todas as tradições do Body Count e a formação que também gravou o disco anterior “Manslaughter” (2014), o que explica a coesão e fluidez da banda que é sentida em todas as onze composições onde o inconformismo ainda é latente no discurso.

Se comparado aos primeiros e emblemáticos discos do Body Count, “Bloodlust” traz uma maior parcela de rock/metal, sendo perceptível que o peso pendeu a balança da fórmula para o heavy metal, com fartos momentos de groove à moda thrash metal, como na intensa “All Love Is Lost” que traz Max Cavalera, e na agressiva “Walk With Me”, com a participação de Randy Blythe, do Lamb of God.

Esta superposição do heavy metal frente aos aspectos do hip hop fica evidente em faixas como “The Skin Mask Way” (dona de uma vibe noventista irresistível) e “Black Hoodie” (impossível ficar parado ouvindo essa música), ou no medley que homenageia o Slayer, com “Raining Blood” “Postmortem”, e já presente na abertura com “Civil War” (que traz Dave Mustaine), bem como na faixa-título, melhor do trabalho!

Além disso, o groove é exatamente o elemento mais eficiente para submergir o ouvinte no trabalho. Cortesia da seção rítmica de versatilidade e desenvoltura impressionante formada por  Vincent Price (baixo) e Ill Will (bateria), que sustenta as harmonias pesadas das guitarras simples, mas eficientes, da dupla Ernie C e Juan of the Dead. Ouça a já citada “Black Hoodie” e entenda o que quero dizer.

body count bloodlust
“Bloodlust” é um trabalho pesado e agressivo, mantendo todas as tradições do Body Count: os discursos fortes, as “pregações políticas” e ódio contra o establishment inerentes ao Hip Hop, misturados ao peso e intensidade do Thrash Metal!

“Bloodlust”, em geral, segue a fórmula do peso mesclado a ganchos melódicos maciços e agressivos que intercalam os spoken words entoados em seus sons de revolta, samples homeopáticos e refrãos banhados em atitude, mas ainda assim grudentos.

Uma fórmula descrita em “Raining Blood/Postmortem 2017” como a fusão de Black Sabbath, Suicidal Tendencies e Slayer. E, de fato, é isso que temos aqui! De forma dinâmica, moderna e multifacetada, com as composições variando no espectro entre melodia e brutalidade.

Contrapondo o peso do repertório, temos “This Is Why We Ride”, e “God, Please Believe Me”, que inclusive têm uma cadência melódica de introspecção quase radiofônica, remetendo a bandas marcantes da virada para o século XXI. 

Já “Here I Go Again” traz uma pegada mais climática, sombria e rastejante, mas com peso controlado emoldurando berros contrapostos a vocais sóbrios de Ice-T.

Aqueles detalhes saborosos, alheios ao heavy metal, da música do Body Count ainda estão aqui, mesmo que levemente ofuscados pelos apelos metálicos: os discursos fortes, as “pregações políticas” e ódio contra o establishment, que construíram o DNA do Body Count, ainda dão um tempero mágico e revolto a estas onze faixas, com destaque a “No Lives Matter”. 

As reflexões sociais que ainda são bem executadas nas letras, escapando da crítica gratuita, e a ótima produção, precisam ser destacados. Novamente à cargo de Will Putney, também presente no álbum anterior, a produção mostra como ele sabe trabalhar a forma musical do Body Count, de modo a transformar tudo em algo ainda mais poderoso, esmerado aos detalhes, com forte apelo artístico urbano com tom de confronto aflorado.

No saldo final temos um ótimo álbum de uma banda clássica do crossover entre heavy metal hip hop, com honestidade, identidade musical e desenvoltura consciente dentro daquilo que se propõe.

“Bloodlust” vem confirmar que o Body Count vive sua melhor fase desde o histórico primeiro álbum!

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