ATUALIZANDO A DISCOTECA: Bewitchment, “Towards Desolation” (2017)

 

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Bewitchment Towards Desolation Thrash Speed Black Metal
Bewitchment: “Towards Desolation” (2017, Cianeto Discos) NOTA:8,5

Em sua gênese, o thrash metal era um amálgama do peso do heavy metal com a velocidade e o despojamento do punk rock, promovido pelo speed metal do Motorhead, junto a mística e agressividade do Venom.

As duas escolas principais do gênero estavam separadas pelo Atlântico, se dividindo entre os Estados Unidos e a Alemanha.

Se a forma européia se dividia ente faixas rápidas e cadências pesadas guiadas por riffs primitivos  e seção rítmica ultra-violenta, a americana injetava testosterona nas influências da NWOBHM, com técnica bem equalizada ao peso.

E o Bewitchment é um nome que vem reverenciar todas estas formas da gênese da thrash metal, já deixando às claras suas influências de Motorhead e Venom na abertura, com “Where Suffering Has No End”, expondo credenciais musicais de impacto, com velocidade e melodias bem alocadas entre as características palhetadas do thrash metal. 

Por este inicio já vemos que “Towards Desolation”, é um álbum que busca a essência pesada e suja do speed/thrash metal através de movimentos técnicos orbitando a fúria e a raiva sonora, ambas heranças diretas de Motorhead, Slayer, Venom e Vulcano, afinal “O Machado e a Cura” é um arrasa-quarteirão que homenageia os deuses nacionais do gênero.

Uma observação reforçada nos dois covers que fecham  “Towards Desolation”, o primeiro para “Broken Witchcraft”, do Bywar, e “Death By Bewitchment”, do obscuro Exorcist.

Obviamente se comparado ao que o gênero é nos dias de hoje, as composições podem soar genéricas, mas sobre o prisma da estética old-school, que é a abordagem de “Towards Desolation”esta impressão muda diametralmente, afinal é indiscutível a criatividade para moldar boas composições, com elementos clássicos do speed/thrash metalmas sem ser apenas uma cópia do passado.

Fato corroborado por ótimas faixas como “Marella” e “Haunted Reality” (com referências ao modo teutônico do thrash metal) que vêm na sequência de “Where Suffering Has No End”, se destacando de formas distintas dentro de um repertório fruto de um único criador, afinal o Bewitchment é uma one-man-band idealizada pelo músico Rhodz Costa (Heritage, Cemitério, Infected, Side Effectz, e Blasthrash) que compôs, gravou e produziu todo o material.

E toda a bagagem de Rhodz está desfilada nestas sete composições (que junto aos dos dois covers completam as nove faixas), em riffs robustos, bases trampadas e melodias incisivas (remetendo aos primórdios de Metallica e Megadeth), sem firulas, bem trabalhadas em estúdio por uma produção orgânica, que evidencia a timbragem áspera e consistente das guitarras e os pratos ácidos na seção rítmica.

Os vocais de Rhodz Costa chamam a atenção, sendo o grande traço de personalidade na musicalidade do Bewitchment, chegando a lembrar a crueza e senso primitivo das linhas “limpas” de Quorthon (Bathory) em certos momentos.

Destaques também a “Inquisition Messiah” (com solo melódico e clima speed metal dos áureos tempos), “Poisoned Inheritance” (causadora de headbangins involuntários) e a instrumental faixa-título que nos lembra vagamente das instrumentais que o Metallica  nos presenteava nos primeiros discos.

O Bewitchment não reinventa nada no heavy metal, mas satisfaz o fã do gênero praticando com honestidade e determinação uma clara reverência ao espírito metálico do passado!

Confira o álbum na íntegra via Bandcamp, aqui

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