VOCÊ DEVIA ASSISTIR: “2001 – Uma Odisseia no Espaço” (1968)


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Por Paulo Lopes

Titulo: “2001 – Uma Odisseia no Espaço” (Brasil) / 2001: A Space Odyssey(Original) / Outros títulos provisórios e não usados: “How the solar system Was won”, “Journey Beyond the stars”, “Universe”, “Tunnel to the stars” e “Planetfall”.

 

Datas: Dezembro de 1965(Inicio das Filmagens) /02 de Abril de 1968(Lançamentos nos EUA) / 04 de Julho de 1968(Lançamento no Brasil)

 

Duração: 149 Minutos(Duração Oficial) / 142 ou 139 Minutos(Cinemas) / 161 (Corte Original do Diretor)

 

Gênero: Ficção –Científica/ Evolução humana / Existencialismo / Tecnologia Espacial / Inteligência Artificial

 

Diretor: Stanley Kubrick

 

Elenco: Keir Dullea(Bowman, o astronauta que sobrevive), Gary Lockwood (Poole, o outro astronauta), Douglas Rain(A voz de HAL 9000), Dan Richter(Homem Primitivo)

 

Roteiristas: Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke (Ligeiramente baseado no conto The Sentinel, escrito pelo próprio Clarcke )

 

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“2001 Uma Odisseia no Espaço” (1968)

O Filme: Certa vez, Arthur C. Clarcke disse: “Se você compreender ‘2001’ completamente, nos falhamos. O que queríamos era levantar mais questões, do que responde-las.”

E é isso. Não dá para explicar a trama especificamente. Cada pessoa ou espectador que assiste “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, tem seu entendimento a respeito de tudo o que vê na tela.

Explicações religiosas, científicas, esotéricas, filosóficas, etc… Pessoalmente, vi o filme pela primeira vez na minha adolescência, nos anos 70 , e de imediato, minha primeira impressão era “2001 – Uma Odisseia no Espaço” se tratar de uma experiência religiosa. E vendo-o algumas vezes depois mantive essa primeira impressão. É o que parece pra mim até hoje.

Mas, tenho certeza, nem todos vão ter esse entendimento.

Sabe porque?

O sentido de “2001 – Uma Odisseia no Espaço” não está em entender a trama, entender o filme; Está, sim, na reflexão. Está em observar os detalhes criativos e nas soluções da narrativa. No questionamento e na complexidade das situações criadas por Kubrick.

Na verdade não é uma trama complicada de se entender, mas sim, uma trama aberta a vários entendimentos; A várias explicações.

“2001 – Uma Odisseia no Espaço” começa na pré-história. Nos primórdios de uma raça humana iniciante e primitiva, que ainda cambaleia sem rumo e sem perspectivas, onde o forte domina o fraco sem que ele reaja.

Mas o aparecimento de um monólito negro sonante (uma pedra preta gigante, em perfeito estado retangular) traz para os humanos a possibilidade de poder, através da maior das armas, o conhecimento.

E isso é mostrado, através da violência – inerente do ser humano, não é? – , quando eles descobrem que um pedaço de osso pode ser usado como arma, pelos mais fracos contra os mais fortes.

E assim aqueles que eram oprimidos podem rechaçar, aqueles que oprimem. E, a partir de um gesto de triunfo, o lançamento do objeto – a arma ou, no caso, o osso que proporcionou a vitória – para o alto, acontece um salto espetacular no tempo.

Milhões de anos se passam.

O osso se transforma numa nave espacial.

Uma nave espacial que vagarosamente se desloca no espaço infinito, ao som melodioso da valsa “Danúbio Azul”, de Johann Strauss.

Vale aqui como adendo o que disse o diretor Kubrick: “Não gosto de falar de 2001, porque ele é, essencialmente, uma experiência não verbal…”,“ele tenta se comunicar mais com o subconsciente que com o intelecto” e posteriormente completou “…a intenção é provocar no espectador uma reação que precisa- e não deve – ser explicada”.

Talvez, isso explique a opção dos poucos diálogos de “2001 – Uma Odisseia no Espaço”; De um filme com cerca de 142 minutos, em apenas 40 deles temos falas.

A primeira delas acontece após quase 30 minutos de filme, na saudação de uma aeromoça: “Here you are, Sir..” quando a nave valsante chega a uma base lunar levando um grupo de astronautas e cientistas, que investigam um monólito negro (nós já o tínhamos visto na pré-história) descoberto por arqueologistas numa cratera da lua.

Ele é o primeiro sinal de vida inteligente fora da Terra. De novo o estranho objeto “propõe” outro salto de conhecimento para a raça humana; E através de ruídos (ondas sonoras) e raios de luz direcionam o ser humano rumo ao planeta Júpiter. Só lembrando que Júpiter é a entidade suprema da mitologia romana, também conhecido como Zeus, entre os gregos.

Corte seco. Inicio da terceira parte do filme…

E lá vão os humanos na primeira viagem tripulada a Júpiter. Na nave três cientistas congelados e dois astronautas guiados pelo supercomputador HAL 9000, que é dotado de percepções e emoções humanas e é representado por um grande led vermelho, um olho.

Mas ninguém ali, exceto o poderoso PC, sabem do objetivo investigativo da missão. O problema é que a humanidade e a consciência do segredo da missão, faz HAL 9000 “ enlouquecer” (será influencia do monólito negro?) e ele decide que pode cumprir a missão sozinho.

Mata os cientistas congelados e um dos astronautas. Um sobrevive. E esse sobrevivente engana e desliga o poderoso HAL 9000.

O destino agora é Júpiter…

A nave chega ao seu destino e ai entram de vez, todas as divagações decorrentes da odisseia 2001; Porque em um novo reencontro com o monólito negro (Será o mesmo? Ou será outro? Será ele onipresente?), nosso astronauta sobrevivente “morre” (ou alguma coisa parecida), ao atravessar uma barreira de raios psicodélicos – bem anos 60 – e é absorvido pelo misterioso monólito, que faz com que ele “renasça” (ou alguma coisa parecida), aparecendo ao final como um perfeito feto de olhos claros.

Será esse um estágio da evolução humana?

Será que finalmente o homem encontrou seu criador?

Ou será que atingiu a tão almejada imortalidade?

Quem sabe seja apenas a loucura de um homem dando asas a sua imaginação… Assim, ao final da odisseia, temos o grande elemento complicador de compreensão e que leva a tantas explicações.

O emaranhado visual conduz o espectador do futuro ao passado e da morte ao renascimento, sem determinar se é mesmo futuro ou passado ou se é vida ou morte. Só assistindo e tirando, cada um, suas próprias conclusões.

“2001 – Uma Odisseia no Espaço” faz parte de uma geração de filmes, da qual temos pouquíssimos representantes, nesse nosso tempo de efeitos computadorizados, corte rápidos, ação ininterrupta e tramas banais.

A época de seu lançamento o filme não agradou a crítica, que precisou de algum tempo para assimilar as mensagens do filme, mas agradou de imediato as plateias compostas principalmente por jovens, que se encantaram com visual do filme.

É preciso lembrar que era 1968, um ano emblemático e revolucionário e a geração hippie e rebelde efervescia e um filme como “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, cheio de mensagens e com um visual lisérgico era tudo que eles queriam ver.

“2001 – Uma Odisseia no Espaço” acabou sendo indicado para quatro “oscars” (direção, roteiro, direção de arte e efeitos especiais); Ganhou o de efeitos especiais, é claro, para um visionário Douglas Trumball, que soube como ninguém misturar imaginação e ciência na composição do filme.

 

O Livro e o Filme: Ao contrário do que muitos pensam, ou parece, o filme não foi baseado no livro do mesmo nome. Arthur C. Clarcke, escreveu o livro, ao mesmo tempo que desenvolvia o roteiro juntamente com Kubrick.

O livro foi ideia do próprio Kubrick, que achava que isso facilitaria o desenvolvimento do roteiro. Todo processo foi desencadeado em 1964; O livro só saiu em 1969, já filme em 1968.

 

Trilha Sonora: A opção pelo uso de temas clássicos no filme foi acidental. O diretor Stanley Kubrick os usou apenas para sonorizar temporariamente as cenas, enquanto esperava que a trilha sonora composta por Alex North ficasse pronta.

Mas ficou tão bom que ele acabou mantendo esses temas na versão final. E assim para as futuras gerações, tanto Danúbio Azul de Johann Strauss, mas, principalmente Also Sprach Zarathustra, composta por Richard Strauss, se tornaram símbolos da conquista espacial ou de imagens ligadas ao tema.

Cogitou-se que o grupo Pink Floyd faria a trilha sonora do filme. Isso não aconteceu. Mas acredita-se que a faixa Echoes” (do álbum “Meddle”, 1971), de 23:29 minutos, pode ser perfeitamente sincronizada com a terceira parte do filme, conhecida como “Jupiter e além do infinito”. Vale uma conferencia.

 

Consequências e Influências: “2001 – Uma Odisseia no Espaço” revelou uma nova forma de fazer cinema. A ficção científica espacial nas telas pode ser dividida em antes e depois de “2001”.

Diretores que militam no gênero como Steven Spielberg, George Lucas e Ridley Scoth, já declararam a profunda influência exercida pelo filme em suas obras.

Antes tínhamos filmes insípidos com alienígenas calcados mais em monstros de nossa literatura, do que em seres espaciais, naves com formas simétricas (discos voadores ou em forma de foguetinhos)… A partir de “2001 – Uma Odisseia no Espaço” tudo mudou; O que vimos foram serem espaciais mais complexos na concepção e no comportamento e veículos espaciais mais baseados numa possível realidade tecnológica.

Além, é claro, de toda uma mudança de estilo na direção de arte e cenografia deste tipo de filme. É fácil conferir isso em filmes como GUERRA NAS ESTRELAS(1977), CONTATOS IMEDIATOS DO 3º GRAU(1977) ou ALIEN-O OITAVO PASSAGEIRO”(1979).

 

Sequencia: “2010-O ANO EM QUE FAREMOS CONTATO” (1984), não seria um filme ruim ou simplesmente descartável, se não se propusesse a ser a sequencia de “2001 – Uma Odisseia no Espaço”; Como tal se tornou um desperdício de equipe (Direção e Fotografia de Peter Hyams) e elenco (Roy Scheider, Helen Mirren, John Lithgow), por tentar explicar tudo o que 2001 não queria que fosse explicado.

Se essa era a proposta do filme de Kubrick, porque contraria-la?

Mistérios que só mesmo os engravatados de Hollywood são capazes de explicar…

 

Considerações Finais: “2001 – Uma Odisseia no Espaço” tinha tudo para não agradar. Ritmo lento, trama inexplicável, sem mocinho, sem mocinha, sem vilões, poucos diálogos….

As sensações básicas de quem vê o filme pela primeira vez passam do estranhamento para a perplexidade com normalidade.

No entanto, se transformou em um marco do cinema e quem deu o primeiro passo pra que fosse assim não foi a crítica, foi o publico.

Se a sua primeira exibição em Washington foi desastrosa, levando os executivos da MGM a decretarem o fim da carreira de Kubrick, cinco semanas depois, com apenas 8 cópias em exibição, já havia arrecadado mais de 1 milhão de dólares, quantia quase inacreditável para a época; A um custo de 12 milhões de dólares, arrecadou até hoje 190 milhões de dólares em todo o mundo.

Passado 50 anos de seu lançamento, “2001 – Uma Odisseia no Espaço” ainda é uma obra atual, porque continua aberta a interpretações; Porque acima de tudo, é cinema combinando imagem, som e história, numa perfeita sincronia criada por uma mente perfeccionista, Stanley Kubrick.

Um filme complexo, mas um dos maiores da história do cinema mundial.

Uma jornada fascinante e inesquecível !

 

Fotos

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