ROCK NACIONAL | O Lado B do “Rock Brasil Anos 80”


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O sucesso comercial de um estilo musical traz uma consequência pouco prodigiosa: a saturação.

É assim desde tempos idos e com a explosão do rock nacional no início da década de oitenta não foi diferente.

Após a Blitz tomar de assalto as rádios de todo o país com os sucessos arrebatadores das canções Você Não Soube Me Amar e A Dois Passos do Paraíso, outros nomes surgiram buscando um lugar ao sol.

O sucesso da Blitz foi tão grande que chegaram a se tornar personagens de histórias em quadrinhos e protagonistas de um álbum de figurinhas.

Foram quatro anos meteóricos e uma influência ímpar no cenário, mostrando que a new wave tinha aportado em solos brasileiros.

O restante da história é conhecido, o movimento musical batizado de BRock por Nelson Motta não se restringiu a um estado brasileiro específico, revelando nomes importantes para o rock tupiniquim como Barão Vermelho, Titãs, Legião Urbana, Capital Inicial, Nenhum de Nós, Camisa de Vênus, Engenheiros do Hawaii, Paralamas do Sucesso, dentre outros que seguiram por anos a fio, com carreiras sólidas e álbuns relevantes.  

Entretanto, o sucesso do estilo fazia com que surgisse uma nova banda a cada dia e inúmeras delas foram bandas de um álbum só, ou de apenas uma música de sucesso, sendo relegados ao lado B do rock nacional oitentista.

Neste contexto, com o passar do tempo, se tornaram esquecidas do público e que serão rememoradas hoje, neste texto.

Sendo assim, retornemos a época das fitas K7, e desfrutemos o lado B do rock brasileiro dos anos 80 em seis canções em alto e bom som.

Mas mantenha a caneta Bic a postos, pois vai que a fita enrola durante a execução…

 

1. Omar e Os Cianos.

Um nome interessante para uma banda que sumiu tão rápido quanto apareceu.

Uma sonoridade baseada no eletro-pop comum nas rádios dos anos 80 que, apesar da originalidade e da interessante canção Abominável Homem das Neves, não nos brindou com um LP completo, participando apenas de algumas coletâneas e lançando um compacto.

Além da canção que traz o Pé Grande como personagem principal, a canção 24 Horas no Ar integrou a trilha sonora de uma película nacional nos idos de 1986.

 

2. Joe Euthanásia

Músico que iniciou a carreira ainda nos anos 70, participando de festivais, integrando bandas de apoio de nomes como Ivan Lins, até se dedicar a carreira solo a partir de 1984, quando lançou um compacto de sucesso nas rádios brasileiras que vivam a febre o rock nacional.

A canção se chamava Me Leva Pra Casa, o compacto foi lançado via CBS e trazia como banda de apoio Paulo Simas nos teclados, Marcos Lessa no baixo e Lobão na bateria.

Sua discografia não se limita apenas a este lançamento, pois em 1985 chegaria às lojas o LP Tudo Pode Mudar, com sucesso considerável da faixa-título.

Em 1989, pouco depois de lançar seu álbum Joe, o cantor viria a falecer em um acidente automobilístico.

 

3. Anibal

Outro cantor que fez sucesso relativo nos anos 1980 e depois sumiu do mapa foi Anibal.

Sua canção “Alguém”, lançada em 1989 no álbum “Carência”, lançado via RCA, teve repercussão nas rádios e apresentava uma mistura de Legião Urbana com Ritchie, investindo em boas letras.

Infelizmente, mesmo com outras músicas indo para as programações das rádios, o álbum não emplacou e Aníbal desapareceu da mídia pouco depois de lançado o disco!

 

4. Telex

Mais uma peça escondida no saturado cenário pop brasileiro dos anos oitenta, o Telex investia numa sonoridade new wave típica das bandas paulistas daquele período, tendo o seu maior prestígio em ser conhecido como a banda de Oswaldo Gennari Filho, o Coquinho, ex-membro da banda Patrulha do Espaço que acompanhou Arnaldo Baptista após sua saída dos Mutantes.

Em todo caso, a música Só Delírio fez um relativo sucesso e preencheu algumas faixas das coletâneas de meados da década de oitenta.

 

5. Absyntho

Originalmente formado em um quinteto, o Absyntho experimentou o topo do sucesso com o compacto de Meu Ursinho Blau-Blau, vendendo 350 mil cópias.

O vocalista, Silvinho (depois conhecido como Silvinho Blau-Blau), foi o membro que mais se destacou, mas sua carreira solo após a extinção do conjunto em 1987 não decolou.

A banda foi formada em 1982, o compacto de sucesso saiu em 1983 e o álbum completo só chegou às lojas em 1985.

 

6. Buana 4

Uma banda diferenciada das demais supracitadas, o Buana 4 é oriunda do Rio de Janeiro e trazia uma proposta musical diferente do padrão new wave que assolava as rádios.

Formada por Maurício Barros, tecladista e vocalista, que havia deixado o Barão Vermelho, lançou em 1989 um LP autointitulado que trazia canções mais roqueiras que emplacaram, tendo inclusive figurado em trilhas sonoras de novelas da TV Globo.

Infelizmente a banda encerrou suas atividades em 1992.

 

7. Civil

Essa talvez foi a banda mais promissora da lista!

Surgida em meados dos anos 80, a banda Civil lançou dois discos que eram apostas do mercado fonográfico que investiu na formação de ótimos músicos colocando nomes como Geraldo D’arbilly e Bozo Barreti para produzi-los.

A composição “Sombras na Calçada” fez muito sucesso como single, mas não passou disso! Mesmo assim, vale conferir os discos da banda que são excelentes.

 

 

8. Fausto Fawcett

O próximo enumerado de nossa lista é tão lado B quanto cult.

Fausto Fawcett é o codinome de Fausto Borel Cardoso, jornalista, escritor e compositor, que buscou numa das maiores atrizes do cinema o seu sobrenome artístico.

Com um currículo destes e tendo uma canção sua na trilha sonora da produção franco-britânica Lua de Fel, dirigido por ninguém menos que Roman Polanski, Fausto ainda é um ícone cult do rock nacional dos anos 80, apesar de que rotular sua música de apenas rock é um demérito quanto a sua obra que, liricamente, beira o cyberpunk carioca (se é que isso existe!).

Sua músicas ficaram famosas nas vozes de outras pessoas, mas Katia Flávia, a Godiva do Irajá, de 1987, foi um estouro quando do lançamento de Fausto Fawcett e os Robôs Efêmeros, um de seus três mais brilhantes álbuns.

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