VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: Pink Floyd, “The Piper At The Gates of Dawn”

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Dia Indicado Pra Ouvir:  Domingo;

Hora do dia indicada para ouvir: Sete da Noite;

Definição em um poucas palavras: Psicodélico, classudo, progressivo.

Estilo do Artista: Rock Psicodélico.

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Pink Floyd: “The Piper at the Gates of Dawn” (1967, EMI)

Comentário Geral: Recentemente li um artigo que discutia a condição do Pink Floyd como banda progressiva, com fortes argumentos para que o quarteto inglês não fosse incluído neste gênero. Mas algo que o escritor não conseguia refutar era o fato de que “The Piper At The Gates of Dawn”, primeiro álbum da banda, era um dos pilares sobre o qual o Rock Progressivo se desenvolveu quando a ousadia musical se descolou da psicodelia sessentista.

Todavia, este álbum não só é um dos prenúncios do Rock Progressivo, como também praticamente inaugurou o Space Rock, mas sem desprezá-lo como um dos grandes álbuns psicodélicos lançados no mítico ano de 1967.

Muitos se esquecem que no mesmo ano de “The Piper At The Gates of Dawn” vimos “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles, “Their Satanic Majesties Request”, do Rolling Stones, “Axis: Bold As Love”, do Jimi Hendrix Experience,a estréia do Procol Harum,  e “Disraeli Gears”, do Cream, só pra citar alguns dos psicodélicos.

Inclusive, a história nos conta que o sucesso dos singles “Arnold Layne / Candy and a Currant Bun” (março de 1967) e “See Emily Play / Scarecrow” (junho de 1967) levou-os aos Abbey Road para registrar este primeiro álbum, numa sala vizinha a que os Beatles trabalhavam em seu mítico “Sgt. Peppers…”.

“The Piper At The Gates of Dawn” é a fagulha de genialidade que Syd Barrett nos deu junto ao Pink Floyd, por composições imprevisíveis, e inovadoras, construídas como digressões ácidas de Space Rock, jazz, R&B, Folk e Rock, como um pesadelo musical amplificado pela perene carga lúdica e autista do LSD…

Claro que ambos os trabalhos são revolucionários, mas compartilham mais diferenças que semelhanças, afinal mesmo que carreguem a mesma ousadia, o Pink Floyd era totalmente fora dos padrões estéticos, estruturais, e líricos de sua ápoca.

Ou seja, o caráter pioneiro e destacável de “The Piper At The Gates of Dawn” dentro deste contexto ressoa ainda mais quando tomamos consciência da época dourada em que está inserido. E o maior responsável por isso é, sem dúvidas, o saudoso Syd Barrett, a mente à frente de seu tempo que transformou o Blues britânico em peripécias musicais estranhas e lisérgicas.

Syd tomou para si o controle criativo e musical do quarteto, levando o Pink Floyd a explorar os limites do som e da imagem, de modo inquieto, louco, e quimicamente alterado. O resultado é uma música corajosa, cheia de texturas translúcidas e caleidoscópicas, que era quase inédita naqueles tempos de libertinagem e excessos musicais.

Confira “Astronomy Domine”… 

Inclusive foi ele quem batizou a banda, além de ser o líder e frontman da uma formação que trazia três quartos do grupo que explodiria no início da década seguinte com “Dark Side Of The Moon” (1973), já com David Gilmour no lugar de Barrett. E para quem está acostumado com a sonoridade clássica que banda desenvolveu à partir da música “Echoes” (confira mais sobre este ponto de virada na discografia da banda, aqui) o resultado deste primeiro álbum pode ser um tanto quanto perturbador.

As composições são imprevisíveis, e inovadoras, construídas como digressões ácidas de Space Rock, jazz, R&B, Folk e Rock, como um pesadelo musical amplificado pela perene carga lúdica e autista do LSD, com destaque a “Astronomy Domine”, “Lucifer Sam” (sobre o gato de Syd Barrett), “Flaming”“Interstellar Overdrive”, “The Scarecrow” e o hit “Bike”.

Confira “Interstellar Overdrive”… 

Infelizmente a viagem foi muito intensa para Syd Barrett que foi afastado da banda depois deste álbum (mesmo que constem créditos em seu nome para três faixas no álbum “A Saucerful of Secrets” [1968], que já tinha David Gilmour na formação) por abuso de drogas que o impedia de dar entrevistas, fazia-no esquecer de ira a shows e tirava sua motivação de entrar em estúdio, criando conjecturas sobre sua saúde mental, e que levaram à sua saída da banda, em 1968.

Sendo assim, “The Piper At The Gates of Dawn” é a fagulha de genialidade que Syd Barrett nos deu, só aproximada levemente em seu primeiro álbum solo, “The Madcap Laughs” (1970). Barrett deixou a vida musical nos anos 1970, após dois excelentes álbuns solo, e ficou recluso, se dedicando à pintura e à jardinagem. Você saber um pouco mais sobre o primeiro desses trabalhos nesse antigo post.

Por isso tudo, VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO!

 Ano: 1967;

Top 3“Astronomy Domine”, “Interstellar Overdrive”, e “The Scarecrow”

Formação: Syd Barrett (guitarra e vocal), Roger Waters (guitarra, baixo e vocal), Nick Manson (bateria), e Richard Wright (órgão, piano, teclados e vocal)

Disco Pai:   Sun Ra – “Sound Sun Pleasure” (1953)

Disco Irmão: Fifty Foot Hose  – “Cauldron”  (1967)

Disco Filho: Radiohead – “Kid A” (2000)

Curiosidades: O nome do álbum foi retirado do livro “O Vento nos Salgueiros”, de Kenneth Grahame, nome conhecido na literatura infantil, e que Syd Barrett tinha na infância.

Pra quem gosta de: Psicodelia forte, scifi, bosques, e livros infantis.

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