RESENHA | Outer Genesis, “Vast Universe” (2018)

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Outer Genesis – “Vast Universe” (2018, Independente) NOTA:9,0

Discos podem me impressionar pelos mais diferentes motivos, mas no caso de “Vast Universe”, do Outer Genesis, o que impressiona é a coesão encontrada já num primeiro trabalho para um fórmula ousada, que costura elementos diversos.

Oriunda do interior de Minas Gerais, a banda Outer Genesis foi fundada em 2009 e passou os nove anos seguintes lapidando sua musicalidade, enquanto enfrentava os problemas usuais de uma banda do interior do Brasil, e evoluía em sua proposta com as mudanças de formação.

Auto-rotulada como uma banda de Rock Alternativo, acredito que esse predicado limita as possibilidades que a banda traz nestas oito faixas, por sua vez, se dividindo entre as melodias modernas e a versatilidade técnica do passado dentro do rock!

“Vast Universe” é sim alternativo! Possui até doses homeopáticas de grunge, mas também é Hard Rock, e muitas vezes progressivo.

Se pudesse descrevê-lo numa palavra seria versátil!

E basta uma olhada na capa sensacional para esperar por algo diferenciado! Afinal temos referências espirituais (o lingam iluminado e sobreposto ao yoni, formado a estrela símbolo da criatividade), lovecraftianas (afinal temos Cthulhu ali do lado), psicodélicas e de quadrinhos (principalmente pra quem já leu as histórias antigas do Dr. Entranho).

A boa variação de passagens, andamentos, sentimentos e abordagens já pode ser conferida na faixa de abertura, “Ether”, onde, de cara, percebemos que o baterista é um músico diferenciado, dando uma aula de ritmo e tempo que se estenderá até o final, com “Why You’re Better Than Me”, um alternative blues que ganhou o posto de melhor faixa de “Vast Universe”. 

Voltando a “Ether”, ela praticamente resume a fórmula musical do Outer Genesis, com referências de Muse, Porcupine Tree ou The Pineapple Thief, além de pinceladas que me lembraram o Tiles (em sua fase inicial) e o Advent Horizon.

Também vemos teclados bem alocados, fazendo a cama para as melodias de guitarra e inserindo efeitos discretos, mas certeiros, assim como o baixo que sustenta as harmonias com precisão.

“Pretense”, a faixa seguinte, além de ter potencial de hit num mundo melhor, mostra como o Outer Genesis é eficiente nesta mescla de referências por linhas mais acessíveis, resvalando por vezes no pop rock, mas com alta qualidade e longe da pasteurização.

Essa faixa conseguiu transformar artifícios minimalistas usados por certos grupos de indie/alternativo em algo interessante, muito pelo trabalho do guitarrista Weslley Araujo.

O que esse cara toca não é brincadeira!

É ele que dá emoção e vibração às composições de “Vast Universe”, com uma versatilidade de cair o queixo, tanto em timbragens quanto em técnica e estilos.

Weslley vai de aspectos alternativos (como a referência a Tom Morello em “Conspiracy”), para o dedilhado progressivo, ou para a  tenacidade do hard rock (dos efeitos à lá Zakk Wylde de “Children And Trucks”)com destreza e fluidez, unindo em licks, solos e acordes o passado e o presente do rock, enquanto varia intensidade e imprime detalhes.

Uma música que permite conferir toda essa sua habilidade é “Syndrome Of Monotony”, que começa com um riff  heavy metal que deságua em palhetadas rítmicas, construindo uma das melhores músicas do trabalho, quase como se o Talking Heads (ou o King Crimson de “Discipline”, se abusarmos do direito de exagerar) se fundisse ao Iron Maiden.

O Outer Genesis consegue criar bons refrãos e mostrar esmero na criação de cada passagem, em busca de uma identidade própria, usando “apenas” a criatividade para equilibrar e harmonizar sua fórmula.

Em “Children And Trucks” chegam a lembrar estruturalmente o Kings of Leon, mas sem aquela patina sulista, enquanto “About a Friend” me remeteu a algumas coisas do Faith No More ao explorar sentimentos tensos/melancólicos.

Ao fim de “Vast Universe” fica a certeza de que o Outer Genesis possui uma preocupação com todos as partes do processo de composição, focando na criação de um determinado mundo emocional pelos planos principais da música: sensível, expressivo, e puramente musical.

Então “Vast Universe” é um disco perfeito?

Impressionante, sim, mas longe de ser perfeito!

Além de alguns problemas de produção, como oscilação de volume e equalização em certos movimentos, uma crueza além do necessário para a abordagem, eles precisam de um olhar mais atento aos encaixes dos vocais.

Veja bem, não estou dizendo que os vocais são ruins. Longe disso! Basta uma audição em “Conspiracy” e no blues “Why You’re Better Than Me” para perceber que o vocalista Vitor Guimarães tem talento, versatilidade e uma voz excelente.

Mas pegue “In Another Version Of Us”, por exemplo. Ela é a evidência maior de um conjunto de pontualidades nas demais composições, de que o encaixe das linhas vocais nem sempre é perfeito, se deslocando da harmonia.

“Vast Universe”, em suma, é um disco com potencial viciante, indo além de cumprir a missão de apresentar a banda, e criando expectativa pelos próximos trabalhos.

TRACKLIST

01) Ether
02) Pretense
03) In Another Version of Us
04) Syndrome of Monotony
05) Children and Trucks
06) About a Friend
07) Conspiracy
08) Why You’re Better Than Me

FORMAÇÃO

Caio Melo (Mr. Mad Nights) – baixo

Luis ”Andore” Silva – bateria

Getúlio Alves – teclado

Weslley Araujo – guitarras

Vitor Guimarães- vocais

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