Orphaned Land – “El Norra Alila” | Você Devia Ouvir Isto

 

Confira a proposta desta seção aqui

Dia Indicado Pra Ouvir: Sexta-Feira;

Hora do dia indicada para ouvir: Oito da Noite;

Definição em um poucas palavras:  Guitarra, Pesado, Sombrio, Gótico..

Estilo do Artista: Death/Folk Metal

Orphaned Land El Norra Alila
Orphaned Land: “El Norra Alila” (1996/2018, Shinigami Records)

Comentário Geral: Depois de “Sahara”, um primeiro disco mais focado no death metal (cuja resenha você confere aqui), a evolução da sonoridade do Orphaned Land deu um salto gigantesco em “El Norra Alila”, segundo disco da banda, que girou a sonoridade para o que veríamos na a obra-prima – “Mabool – The Story of the Three Sons of Seven” (2004) 

Além das nuances de progressivo (com alguns teclados mais ousados e estruturas complexas) e folk metal, e a marca hebraica na musicalidade, as letras já contemplam com mais profundidade a temática pacifista entre árabes e judeus, abrangendo as três religiões monoteístas do mundo, mas sem ser pastoral, e sim espiritual.

death metal ainda permanece como herança do primeiro trabalho, mas já iniciava um descolamento da fusão com o doom metal, e se dirigiu a algo mais mais melódico/europeu, como se fizesse brotar do árido oriente médio uma versão do gelado death metal melódico escandinavo.

“The Path Ahead” “Of Temptation Born”, por exemplo, têm tudo o que o Amorphis usou em seus primeiros clássicos reformulado para herança musical étnica do Orphaned Land.

E nas demais composições veremos nuances de At The Gates, Opeth e Dark Tranquility, além dos óbvios Paradise Lost e Katatonia

Até por isso, ao mesmo tempo os detalhes folk ganharam mais espaço, tendo uma vibração ancestral, mas de energia tribal, como em ” Shir Hama’alot”, ou climática, como na misteriosa “The Evil Urge”.

heavy metal que o Orphaned Land apresentava em “El Norra Alila” mergulhava com mais força na estrutura étnica que seria sua marca registrada, e intrincava os aspectos estruturais em direção sem volta para o progressivo (como em “Flawless Belief”).

Uma observação que resume bem a inspirada faixa de abertura, “Find Your Self, Discover God”, com guitarras bem delineadas e vocais multifacetados, tendo a forma e conteúdo em constante atrito.

A partir desta composição, vemos uma banda com mais direcionamento que em seu álbum de estréia, segura nas inserções musicais de sua cultura, ao mesmo tempo que também não esconde o experimentalismo na segunda metade do trabalho, principalmente nas duas últimas faixas.

O único quesito que não vemos uma melhora efetiva, e ela só viria no álbum seguinte, é na produção, que mesmo orgânica, é fruto de sua época, não passando no teste do tempo.

Ainda efetivamente crua, a produção imprimiu uma bateria não  tão poderosa o quanto necessário e a timbragem das guitarras pode soar mofada ao ouvidos modernos.

Mesmo assim, a sonoridade em geral está mais limpa se comparada a que ouvimos em  “Sahara”, balanceando bem a fórmula com obscuridade gótica, peso do death metal melódico e atmosfera conjurada por orientalismo que cria uma “estranheza” altamente cativante.

Vemos isso com clareza em “El Meod Na’Ala”, uma releitura da banda de uma música tradicional, e também na pesadíssima “Life Fire To Water”, dona de um groove que até lembra algo dos bons tempos do Sepultura nas palhetadas de guitarra, ou na ótima “Whisper My Name When You Dream” (um metalzão extremo de cair o queixo, recheado de detalhes primorosos).

Todavia, é “The Truth Within” que antecipa a excelência progressiva e a inteligência musical que veríamos nos próximos trabalhos para misturar peso (resvalam no Pantera), melodia (fria, inspirada nas bandas suecas), e orientalismos. De fato, uma das melhores composições dos dois primeiros álbuns da banda.

Se existe um quesito que evoluiu vertiginosamente de “Sahara” (1994) para este “El Norra Alila” (1996) são as guitarras. Elas trazem alicerces de death metal, ao mesmo tempo que possuem a sensibilidade do progressivo e o sentimento folk. Executadas com inspiração e técnica.

Confesso que à medida que as composições foram evoluindo fiquei pensando no impacto que “El Norra Alila” (1996) causa na primeira audição.

Claro que não era meu caso, já conhecia o disco, e até por isso, hoje trago comigo uma certa “inveja” daquele que ainda tiver a oportunidade de se maravilhar pela primeira vez com uma forma tão classuda e cheia de personalidade de praticar o heavy metal.

Mesmo assim, você que já ouviu “El Norra Alila”(1996) sabe o quanto novas audições trazem de novos elementos e detalhes antes não percebidos, o que vale cada revisita a esse trabalho.

Se você ainda não ouviu “El Norra Alila” (1996), aproveite para detalhar cada movimento dele, pois ele é um dos grandes discos do metal noventista e VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO!

Ano: 1996

Top 3: “Find Your Self, Discover God”, “The Truth Within” e “Flawless Belief”.

Formação: Kobi Farhi (vocais), Yossi Sasi (guitarra e oud), Matti Svatitzki (guitarra), Uri Zelcha (baixo), e Sami Bachar (bateria)

Disco Pai: Amorphis – “Tales From a Thousand Lakes” (1992).

Disco Irmão: Opeth – “Orchid” (1995).

Disco Filho: Melechesh – “The Epigenesis” (2010)

Curiosidades: O título do álbum, “El Norra Alila”, seria uma referência a uma canção cantada pelo povo judeu para pedir perdão a Deus: El Nor  significa “Deus da Luz” e Ra Alila seria algo próximo de “Demônio da Noite”.

Pra quem gosta de: Espiritualismo, Cabala, death metal e vinho tinto.

Outros Artigos que Podem Ser do Seu Interesse:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *