RESENHA | Ministério da Discórdia, “AbismøPortal” (2018)

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Ministério da Discórdia AbismøPortal
Ministério da Discórdia, “AbismøPortal” (2018, Shinigami Records) NOTA:8,5

Com tantos ministérios dentro do sistema brasileiro, não vamos reclamar do trio formado por Maurício Sabbag (guitarra, vocal, violão e flauta), Carlos Botelho (baixo), e Inácio Nehme (bateria) fundar mais um, o Ministério da Discórdia. Em termos conceituais, quiçá, seja o ministério mais promissor de todos.

O trio, musicalmente, se dedica a discutir conflitos políticos, ideológicos, culturais e religiosos, usando o heavy metal para construir seu hinário repleto de sons de contestação.

Formado em 2007, o Ministério da Discórdia, sempre calçou sua proposta musical em riffs, e refrãos grandiloquentes, ou seja, a base mais eficiente do heavy metal, além de letras sagazes.

O primeiro álbum, auto-intitulado, saiu em 2013, preparando o terreno do underground para o que a banda traria à seguir. “AbismøPortal” é a junção do EP “Abismo”, de 2015, como mais recente, “O Portal”, num conjunto coeso de composições, bem embalados num digipack belíssimo.

No geral, o Ministério da Discórdia chega trazendo uma forte influência do Black Sabbath (os trovões seguidos pelo riffão na primeira faixa dão a deixa), mas ganhando muitos pontos pela versatilidade fluida perceptível no repertório que vai do punk rock ao heavy rock, resvalando no thrash (principalmente em alguns solos) e fincando suas bases no doom metal, ao mesmo tempo que empacota tudo pela herança stoner do Sabbath (ouça a pedrada de “Motim Elétrico” com atenção à insanidade da bateria).

Claro que as faixas do que poderíamos referenciar como a parte “O Portal”, por serem mais recentes, mostram uma certa evolução musical do trio, tanto como instrumentistas, quanto como compositores, reforçando sua identidade e sem mascarar uma mudança.

A faixa de abertura, “O Portal” já mostra isso, com refrão forte e peso bem administrado, enquanto “Espelho” (com guitarras impecáveis e baixo destacável) reforça as influências sabbathicas, ambas com arranjos bem trabalhados, que se comparadas às também destacáveis “Abismo”“Supremo Concílio”, construídas com os mesmos elementos em 2015, evidenciam a evolução a que me referi. Afinal, em “Abismo”, que forma a segunda parte, temos uma banda mais prolixa – no bom sentido – em seu arranjos, se comparada à assertividade de “O Portal”.

O Ministério da Discórdia ainda foi muito feliz em buscar “Fuga nº II”, no segundo disco d’Os Mutantes, de 1968, para uma releitura que, além de mostrar que também existem influências nacionais na sua personalidade musical, prepara o ouvinte com seu clima para a  tenaz e de vibração quase punk “O Que Teria Acontecido à Baby Jane?”.

E nesse cenário é impossível também não destacar “Abrace a Discórdia” (um rockão de dar gosto!) e “Perdidos”, essa última, princialmente pelo hammond saboroso que evoca todos os espíritos valvulados e setentistas do heavy rock, assim como “Mensageiros da Desgraça”.

A produção é mais sincera possível. Digo sincera pois ela é orgânica, mas sem ser crua, ou rústica. Por diversas vezes é possível notar que a produção manteve a honestidade da banda, sem dobrar bases de guitarra, ou encorpar a sustentação dos solos com camadas de instrumentação, deixando isso para o baixo e a bateria.

Ao mesmo tempo temos que enaltecer como foram eficientes em não deixar a sonoridade “magra”, escolhendo bem o timbres para desenvolver sua proposta musical.

Exite uma organicidade de “ao vivo” na produção que ainda deixa os timbres dos instrumentos mais crús e “valvulados”, de onde emana toda a energia da banda, mostrando ainda habilidade em compôr metal  em português, com versos bem encaixados às linhas vocais.

Claro que existe uma diferença entre as produções dos EPs aqui reunidos, mas nada muito gritante, e reforçando a evolução do Ministério da Discórdia sem uma descaracterização.

Se eu fosse você ia atrás deste disco, principalmente se você gosta de bandas como Black Sabbath, Mutantes, Deep Purple, Concreto, Soundgarden, The Atomic Bitchwax, Monster Magnet…

TRACKLIST:

1. Portal
2. Mensageiros da Desgraça
3. Espelho
4. Motim Elétrico
5. Fuga nº II*
6. O que teria acontecido à Baby Jane?**
7. Abrace a Discórdia
8. Abismo
9. Supremo concílio
10. Orquídea Negra
11. Perdidos

FORMAÇÃO

Maurício Sabbag (guitarra, vocal, violão e flauta)

Carlos Botelho (baixo)

Inácio Nehme (bateria)

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