RESENHA | Makinária Rock, “Mundo Imundo” (2018)

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Makinaria Rock Mundo Imundo
Makinária Rock: “Mundo Imundo” (2018, Shinigami Records) NOTA:8,5

Terceiro álbum da banda Makinária Rock, “Mundo Imundo” chega para consolidar o nome da banda na cena nacional, usando o atrito entre os contrastes de nosso país como motor para as novas nove composições aqui presentes, acompanhadas da regravação de “Cansado”, faixa presente no álbum de estréia, de 2010.

Pelo título de faixas como “Não Me Representa”, “Lemmy Imortal”, “Eleição ou Gozação” já podemos inferir o que virá empacotado nessa capa que enaltece as belezas e as dores do nosso país:  rock n’ roll direto e objetivo, sem frescuras nas melodias e instrumental poderoso.

O Makinária Rock nasceu em 2008, no estado de São Paulo já demonstrando uma energia cativante que foi sendo arredondada nestes dez anos por álbuns interessantes, até chegar em “Mundo Imundo”, álbum que carrega um pouco mais de peso nas timbragens, tanto quanto na discussão de dicotomias do país.

Mas não se preocupe, não vão rolar palestras de conscientização social, ou discursos envolvendo “verdades” generalizadas, equilibrando bem a diversão e a discussão séria pela força do rock. 

Duvido que o riffão de “Não me Representa” não vai te pegar de cheio, dando energia aos desabafos escritos nos versos, principalmente no refrão que gruda de imediato. Quando você se der conta já vi estar cantando “Não me representa/ Em porra nenhuma/ Todos pra cadeia/ Fora raça imunda!” a plenos pulmões.

E ao mesmo tempo que “Eu só quero Paz” (uma faixa mais introspectiva. Abordagem que não cai muito bem na voz de Carlos Digger, mas que deu certo no dueto com Juliana Kosso, vocalista das Velhas Virgens) continua dando o tom do espírito atual do brasileiro, “Eu Quero Rock” (contando com Xande Saraiva, vocalista do Baranga) é seu contraponto no quesito diversão e peso (afinal o “rock lava alma/ O Rock alivia”!), assim como “Gata no Cio”, que com  seu tempero mais lascivo e psicopata (ate nós riffs) se torna uma das mais legais do repertório.

O título “Mundo Imundo” foi escolhido pelo voto dos fãs nas redes sociais, e a faixa-título resume bem o que vemos ao longo do trabalho: exposição da sujeira nos círculos de liderança da nação através de um rock estruturado em puro ritmo, de efeito eletrizante, com simplicidade, mas também muita personalidade.

Todavia, “Lemmy Imortal” é a grande estrela de “Mundo Imundo”. Uma belíssima homenagem ao influente Lemmy Kilmister, líder do Motorhead, uma das óbvias ascendências do Makinária Rock, junto a AC/DC e Made in Brazil.

No geral, “Mundo Imundo” é movido a guitarras pesadas, vocais roucos, e letras bem sacadas. Os riffs simples, os refrãos fáceis, e a organicidade de ao vivo criam uma ligação eficiente com o ouvinte (pelo diálogo com seu cotidiano) que compraz em embriagar-se por doses generosas do puro e direto rock n’ roll, com a lascívia de bandas como Baranga e Velhas Virgens e o peso do heavy rock oitentista.

Junto com o ótimo trabalho de estúdio (o disco foi gravado e mixado por Lau Andrade no estúdio Conspiração), o Makinária Rock cria seu próprio universo pela forma de expressão e pelas referências que escolhe.

Uma ótima pedida pra esfregar na cara de quem diz que o rock brasileiro está morto!

TRACKLIST

1. Não me representa
2. O Tempo Voa
3. Gata no Cio
4. Eu quero rock
5. Mundo Imundo
6. Lemmy Imortal
7. Eleição ou Gozação
8. Eu só quero paz
9. Brasil
10. Cansado

FORMAÇÃO

Carlos Digger (Voz)
Augusto Abade (Guitarra e backing vocals)
Lucas Tomé (Baixo)
Alexandre Tomé (Bateria)

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *