Graveyard: Resenha de “Peace” (2018 | Shinigami Records)

 

Graveyard-Peace
Graveyard: “Peace” (2018, Nuclear Blast, Shinigami Records) NOTA:9,0

O Graveyard sempre conseguiu imprimir originalidade e dinamismo em sua fórmula pura e crua de fazer rock n’ roll de cores vintage e flertes com hard rock, psicodelia e garage rock.

Como catalisadores desta fórmula eram usados desenvoltura e destreza.

Além disso, atitude em riffs e solos ácidos, timbragens ásperas e arranjos em sua maioria mais rústicos, contrapondo a versatilidade vocal, temperavam a receita que primava pela diversidade.

O tempero bluesy permeava a maioria das canções, ao mesmo tempo que víamos influências de Thin Lizzy, entrelaçadas a loucuras à lá Frank Zappa e viagens sessentistas. 

Por isso tudo, quando anunciaram o fim da banda após o lançamento do magistral “Innocence and Decadence” (2015) fiquei realmente chateado, pois via que o Graveyard tinha ainda muito a dar em termos musicais.

Felizmente o hiato foi relativamente curto, e banda retornou sem o baterista Axel Sjöberg, substituído por Oskar Bergenheim,  já apresentando “Peace” (2018), seu mais recente trabalho que retoma um pouco da crueza dos primeiros discos ainda forjados na Suécia, seu país natal.

Quinto álbum do Graveyard, “Peace” (2018) reforça a evolução musical do disco anterior (“Walk On” traz um “q” de  The Doors e poderia estar em “Innocence and Decadence”) no que tange à criatividade, ao mesmo tempo que sinaliza uma afirmação da identidade crua, apaixonada e orgânica do espetacular “Hisingen Blues” (2011).

Além disso, a produção chega com mais peso, sujeira e impacto, amplificando os movimentos variados em peso e cadência, que andam entre referências atuais das abordagens setentistas e sessentistas, em estilos e climas.

Um atrito de contraposições que já aparece na capa, altamente simbólica, num duelo entre caos e ordem que ilustra muito bem as dez faixas presentes em “Peace” (2018), uma espécie de ressurreição do Graveyard por um estudo psicodélico alicerçado nas certezas e possibilidades do blues (“The Fox” “Bird of Paradise” – essa cantada pelo baixista Truls Mörck – invocam o que de melhor tivemos no rock sessentista, com muita melodia fuzzeada e groove).

Ouça “Cold Love”, “Low (I Woldn’t Mind)” – com as melhores linhas de guitarra de “Peace”, “See the Day” (uma das melhores) e “Del Manic” (balada psych/bluesy de arrepiar) e tente negar que são encaixadas no blues rock em sua forma áspera e chapada, ou em sua versão psicodélica,  tão desdobradas nos últimos anos dentro do vintage rock.

Todavia, a troca de bateristas pode ter influenciado na ousadia que sempre determinou uma flexibilidade quase imprevisível .

O novo baterista parece ser mais pragmático em seus tempos e ritmos que o antecessor, com um repertório menos elástico, mais groovado, em parceria com o baixo estonteante dando a sujeira poeirenta e gordurosa tão característico nas bandas de stoner rock/metal. 

Isso já está escancarado na pesada “Please Don’t”, e na abertura lasciva, explosiva e zeppelineana “It Ain’t Over Yet”.

Uma abertura que prende a atenção de cara, não só pela mensagem que esfrega em nossas fuças, e mostra que a ousadia foi redirecionada às guitarras e aos vocais, numa fórmula tenaz que dará as caras novamente em “A Sign of Peace” (com uma passagem doom/stoner sensacional).

Até por isso, “Peace” (2018) soa mais direto, com a mesma energia de sempre, e focando a criatividade nos riffs e nas melodias, diminuindo o espaço do experimentalismo do álbum anterior. É hard rock com toques de blues stoner. 

Não é um disco com a mesma amplitude de estilos do álbum anterior, que traria até tangencias ao indie e ao rock oitentista, e ate por isso, na comparação, “Peace” perde pontos pela originalidade. Mas não deixa de ser um disco de primeira linha.

Se “Innocence and Decadence” (2015) era nota 10, esse segue apenas um passo atrás!

TRACK LIST

1. It Ain’t Over Yet
2. Cold Love
3. See The Day
4. Please Don’t
5. Del Maniac
6. The Fox
7. Walk On
8. Bird Of Paradise
9. A Sign Of Peace
10. Low (I Wouldn’t Mind)

FORMAÇÃO

Joakim Nilsson »» vocal, guitarra
Jonatan La Rocca Ramm »» guitarra
Truls Mörck »» vocal, baixo
Oskar Bergenheim »» bateria

Graveyard Peace Cultura Pop e Underground Gaveta de Bagunças Graveyard Peace Cultura Pop e Underground Gaveta de Bagunças Graveyard Peace Cultura Pop e Underground Gaveta de Bagunças Graveyard Peace Cultura Pop e Underground Gaveta de Bagunças Graveyard Peace Cultura Pop e Underground Gaveta de Bagunças Graveyard Peace Cultura Pop e Underground Gaveta de Bagunças Graveyard Peace Cultura Pop e Underground Gaveta de Bagunças Graveyard Peace Cultura Pop e Underground Gaveta de Bagunças Graveyard Peace Cultura Pop e Underground Gaveta de Bagunças Graveyard Peace Cultura Pop e Underground Gaveta de Bagunças Graveyard Peace Cultura Pop e Underground Gaveta de Bagunças Graveyard Peace Cultura Pop e Underground Gaveta de Bagunças Graveyard Peace Cultura Pop e Underground Gaveta de Bagunças Graveyard Peace Cultura Pop e Underground Gaveta de Bagunças 

Outros Artigos que Podem Ser do Seu Interesse:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *