FACES OF DEATH | Resenha de “From Hell” (2018)

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faces of death from hell THRASH METAL
Faces of Death: “From Hell” (2018, Independente) NOTA:9,0

A banda paulista Faces of Death nasceu na década de 1990, e no período de sete anos disponibilizou duas demo tapes, uma em 1994 e ou outra em 1996. Porém, em 1997, decidiu finalizar as atividades, iniciando um período de silêncio que se estenderia por duas décadas.

No ano de 2017, uma nova encarnação do Faces of Death surgia sob a liderança do guitarrista e vocalista Laurence Miranda, remanescente solitário daquela primeira fase da banda.

Naquele mesmo ano o renovado Faces of Death apresentou o EP “Consummatum Est”, registrado no Estúdio Coruja, em Jacareí-SP, com produção  de Friggi Mad Beats, do Chaos Synopsis, e chamou a atenção tanto de público quanto de crítica.

O ano de 2018 chegou e com ele o Faces of Death se mostrou incansável ao nos dar seu primeiro full lenght, intitulado “From Hell”, bem trabalhado no mesmo estúdio em Jacareí e novamente sob a produção de Friggi Mad Beats, afinal, em time que está ganhando não se mexe!

O título direto deste trabalho aliado à capa dona de uma arte sensacional já passam a mensagem antes mesmo das músicas começarem a rolar: thrash metal à moda antiga (afinal a capa nos remete a Blood Feast e Kreator), além de esbarrões em outros estilos extremos, principalmente no death metal, inferidos pelo simbolismo da morte, tanto no tarô, quanto no estilizado Ceifador que pratica seu ritual usando um crânio de bode e cálices entalhados com pentagramas.

Uma mensagem simbólica que cumpre musicalmente suas promessas quando “Priests of Hell” explode com a energia clássica, a fúria das guitarras e as paradinhas mortais do thrash metal. Só essa faixa já valeria o disco, pois é aquele típico “thrashão de manual”, que confere ao ouvinte uma sensação de fúria e poder.

Longe de modernismos, nas nove faixas que completam “From Hell” o quarteto pratica um thrash metal técnico, que equilibra a velocidade e o peso com maestria (como na mortal “Brainwash”), e tem dinâmica ditada por riffs bem elaboradas em guitarras “trampadas” (como em “Fucking Human Gods”, uma pedrada de emocionar), além de vocais agressivos com a marca de quem ainda se equilibra entre o thrash e o death metal.

E os esbarrões no death metal são fortes! “I Am the Face of Death”, “Human Race” (respingando sujeira) e “King of Darkness” (o desfecho avassalador do álbum, um golpe de misericórdia que traz uma participação especial do “tinhoso”) que o digam!

O grande mérito do Faces of Death é usar com inteligência e criatividade os clichês e cânones do gênero, num blend interessante de Sepultura (naquele groove pesado da fase pré-“Chaos AD”), Kreator (no atrito entre técnica, velocidade e peso) e os primeiros álbuns do Benediction (nas inspirações do death metal).

Com isso, o quarteto investe em transições empolgantes, variados e vibrantes arranjos, e solos violentos e técnicos.

Porém, preste atenção aos detalhes que engrandecem as composições e não descaracterizam a sonoridade. Como os sinos e a chuva da abertura, os teclados climáticos em segundo plano de “I Am the Face of Death”, ou as melodias colocadas estrategicamente em meio à violência e a robustez do primeiro plano.

Isso tudo dá a sensação de que o Faces of Death conhece como poucos o terreno em que trava sua batalha, e já tem bem definida sua identidade musical, destacando ainda a faixa “Face the Enemy” dentre as melhores de “From Hell”, pelo riff macabro que a guia.

Por fim, apenas um comentário quanto a produção. Ela é limpa, mas nada clínica, possibilitando detalhar cada instrumento.

As timbragens do baixo e das guitarras estão caprichadas, mas a bateria um tanto seca e com os bumbos abafados me incomodaram um pouco.

Creio que com uma sonoridade ainda mais robusta da bateria, as músicas, que já são boas, ficariam ainda melhores. Mas longe disso ser um problema grave. Na verdade, isso fala mais sobre meu gosto pessoal do que um defeito do álbum.

Em suma, “From Hell” confirma como realidade, após duas décadas, a promessa de que o Faces of Death era uma das bandas com mais potencial dentro do thrash metal noventista nacional!

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