CONTO | “Entre as Paredes de Eryx”, de H. P. Lovecraft

 

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H. P. Lovecraft: “Entre as paredes de Eryx” –  publicado originalmente na edição de outubro de 1939 da revista Weird Tales. No Brasil, o conto aparece na coletânea “A tumba e outras histórias”…

Que Howard P. Lovecraft é o mais influente nome da literatura de horror não existem dúvidas.

Outros nomes fortes podem, no máximo parear suas ascendência nas gerações subsequentes, afinal ele foi um dos precursores em diversas frentes da literatura fantástica.

Publicou histórias de terror esbarrando por diversas vezes na ficção científica de maneira perturbadora, sendo que sua narrativa era detalhada e seu inglês arcaico e deveras rebuscado carregavam o caráter de veracidade às suas histórias.

Um exemplo deste fato seria o livro Necronomicon, que aparece em diversos contos e era tido como real, pela descrição minuciosa que o autor fazia da obra e de seu conteúdo nos seus contos.

Lovecraft é conhecido por se dedicar apenas a pequenas histórias, que tinham sua extensão inversamente proporcional à qualidade fazendo frente a seus contemporâneos como Algernon Blackwood, Robert E. Howard e Arthur Machen, três expoentes máximos da literatura fantástica.

Como um dos maiores especialistas em short stories da literatura moderna, ao lado de Alan Poe, Lovecraft ficou conhecido por entrelaçar ficção científica e histórias de terror, e seus contos eram publicados em revistas como a Weird Tales e fizeram dele uma referência no segmento literário.

 

H P Lovecraft
Como um dos maiores especialistas em short stories da literatura moderna, Lovecraft, quiçá, o mais influente nome da literatura de horror, apresenta em “Entre As Paredes de Eryx” um perturbador terror psicológico entremeado à ficção científica de primeira classe…

 

“O Chamado de Cthulhu”, “Nas montanhas da loucura”, “Dagon”, “A cor que caiu do espaço” são clássicos indiscutíveis de sua obras, mas hoje vamos direcionar nossas atenções a um conto pouco lembrado, que data de outubro de 1932,  “Entre as Paredes de Eryx”.

“Entre As Paredes de Eryx” foi publicado no Brasil na antologia “A Tumba e Outras Histórias”, que só traz contos do autor e se destaca por apresentar algumas das primeiras investidas literárias de Lovecraft.

Nas páginas desta angustiante  narrativa, encontramos um relato da maneira habitual do autor, em forma de diário. Os escritos fornecem informações sobre a viagem de um membro da Companhia Cristal, localizada em Terra Nova, no planeta Vênus.

Lovecraft traz descrições minuciosas do planeta Vênus e sua visão daquele orbe é muito interessante. Nós, seres humanos, fixamos base naquele planeta com o intuito de minerar cristais de energia para abastecer nosso mundo, ou seja, continuamos a ser exploradores apenas.

Entretanto, diferente do planeta Vênus descrito por Stephen King em “Eu Sou o Portal”, o de Lovecraft é densamente ocupado por vegetação e povoado por homens-lagartos que pareciam ser o resultado da evolução de vida naquele mundo.

Eles havia construído torres e prédios o que mostra que já tinham o espírito de sociedade desenvolvido apesar da maneira pejorativa com que são descritos por Stanfield, o membro da companhia que narra os acontecimentos em primeira pessoa.

 

Entre as paredes de Eryx H P Lovecraft
Uma ilustração que traz um resumo do conto de Lovecraft. Acima o explorador Stanfield, ao centro o labirinto e à direita o homem-lagarto.

 

Outro detalhe impressionante é a precisão do autor em narrar os hábitos dos terráqueos no solo venusiano, os modos de alimentação de nossos exploradores e como se protegiam dos perigos do planeta, ou  ainda, na descrição das plantas carnívoras e das plantas miragens.

Tudo é mostrado implicitamente até que nosso protagonista chega ao planalto de Eryx e visualiza o maior cristal já encontrado por aquela companhia e se dirigiu de maneira determinada até ele.

Chegando mais perto, percebe que existe  um corpo de um explorador perto do cristal e uma espécie de parede invisível que não pode ser suja de lama e muito menos marcada com a faca que faz parte do seu traje de couro.

Seguindo pelo tato, Stanfield consegue encontrar uma espécie de porta e se aproxima do corpo e pega o cristal.

Existem, a partir daqui, duas opções, voltar para a sede da companhia ou explorar a parede.

Nosso explorador escolhe a segunda. Aqui começa todo o terror psicológico da história.

Imagine-se descoberto em um labirinto invisível, com ar e comida limitada e cercado por homens-lagartos com tochas assistindo seu destino.

Sob uma ótica mais crítica podemos notar traços implícitos de xenofobia, intolerância religiosa e discriminação racial nesta obra de Lovecraft.

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