ESTADO ISLÂMICO: Entendendo o Ministério do Terror

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({ google_ad_client: "ca-pub-9767849814663729", enable_page_level_ads: true }); O ano de 2015 se viu encharcado de sangue em atentados terroristas ao redor do mundo. Alguns foram mais expl orados pela mídia, outros foram relegados às páginas das redes sociais mais engajadas. Ao todo foram 11 países flagelados pelos atentados creditados ao Estado Islâmico (EI), sendo que destes, 10 foram de maioria muçulmana, fazendo da França uma exceção. C laro que as tragédias advindas do terrorismo não são novidades do novo milênio, muito menos restrita aos grupos do Oriente Médio, sendo o terrorismo uma tática tão antiga quanto as guerras, experimentada tanto por poderosas nações quanto pelos países do "terceiro mundo". Os americanos temiam as torturas dos vietcongues, algumas cruzadas propagavam o terror em locais islamitas e não podemos esquecer dos grupo radicais europeus IRA (irlandês) e ETA (basco). Para as gerações mais novas, o terrorista se tornou sinônimo de muçulmano, mas é sempre importante utilizar estes exemplos para salientar que já existia terrorismo antes dos radicais islâmicos. Nos últimos anos, a expansão do Estado Islâmico, que tem alongado seus tentáculos além da Síria e do Iraque e investido em ações extremas, só tem reforçado esta máxima que alinhava o Islã com o terrorismo. Para tentar jogar alguma luz na questão, vamos explorar alguns pontos deste grupo, que pode ser o mais poderoso e organizado que emergiu no Oriente Médio. As questões são muito mais delicadas e profundas, sendo nosso único objetivo dar um panorama superficial de toda a teia confusa que abarca este assunto.    Jihadistas, Sunitas, Xiitas e as Origens do Estado Islâmico O maior problema da consciência ocidental é a falsa definição da mídia de que o Estado Islâmico é "um grupo de beduínos jihadistas fanáticos". Esta é uma simplificação preconceituosa e obtusa, que esconde o sofrimento dos próprios muçulmanos que estão sob controle deste movimento radical e da própria compreensão do tamanho desta organização. " Jihad " é um termo árabe que descreve o esforço do islamita em cumprir seus deveres religiosos, sendo mais importante o de disseminar a fé muçulmana. No Islã, o termo pode denotar a "luta interna de um indivíduo contra instintos básicos, o esforço para construir uma boa sociedade muçulmana ou uma guerra pela fé contra os infiéis." Como em todas as religiões, alguns querem cumprir seus deveres pela força, de acordo com as mais diversas interpretações. Os muçulmanos têm o objetivo de reordenar o governo e a sociedade de acordo com a lei islâmica, enquanto os jihadista são identificados como os muçulmanos sunitas que entendem a luta violenta como necessária para a restauração da lei de Deus na Terra e defender a comunidade muçulmana, entendendo a jihad como um dever individual, que deve ser cumprido por todos os muçulmanos capazes, assim como as preces rituais e o jejum durante o Ramadã. Os desejos dos diferentes grupos jihadistas podem variar. Alguns buscam Estados islâmicos em seus respectivos países de origem (Boko Haram na Nigéria e o Movimento Islâmico do Uzbequistão, são exemplos), enquanto outros grupos querem criar um "califado" (governado de acordo com a lei muçulmana pelo califa, que significa "substituto de Deus na Terra") que se espalhe por diversas regiões (a Al-Qaeda, por exemplo, quer restaurar o antigo califado que ia da Espanha e norte da África até China e Índia). Ainda existem as diferenças entre sunitas e xiitas (defensores de que a única liderança legítima para o Islã deveria vir da linhagem direta de Maomé), que em termos de lei, apesar de ambos seguirem a Sharia, possuem interpretações diferentes sobre as punições. O Estado Islâmico surgiu enraizado na rixa ente muçulmanos sunitas e xiitas quando, em 1989, o jordaniano Abu Musab as-Zaraqwi se dirigiu para o Afeganistão com o atrasado objetivo de lutar contra a União Soviética e, dez anos depois, fundou o grupo terrorista Al-Tawhid wa al-Jihad, com o objetivo principal de exterminar xiitas.   Em 2004, Osama Bin Laden relutantemente o aceitaria para comandar a Al Qaeda no Iraque, dando ao selvagem Zaraqwi dinheiro, armas e soldados para lutar contra os Estados Unidos. Foi nas prisões iraquianas que os jihadistas se comunicaram com antigos nomes do regime de Saddam Hussein, recém derrubado pelos americanos. Desta troca de ideias nasceu o Estado Islâmico, que ainda tem como um de seus objetivos perseguir os xiitas. Algumas informações da mídia ocidental diziam que Zaraqwi era a ligação entre Saddam Hussein e Osama Bin Laden, informação que se mostrou falsa. Todavia, o Estado Islâmico preencheu no Iraque um vácuo criado para apoiar o lado dos sunitas conta os xiitas. A invasão americana criou uma divisão tripartite cheia de tensão que foi dominada pelos xiitas. Estes, por sua vez, iniciaram sua perseguição aos sunitas, que viram no Estado Islâmico uma forma de proteção. Existem diversos Estados sunitas no Golfo que desejam apoiar o Estado Islâmico como uma força anti-xiita.  Em 2013, houve a primeira apresentação do Estado Islâmico no Iraque e na Síria (ISIS em inglês, ou DAESH em árabe), nome que foi resumido para Estado Islâmico ou Califado, como demostração do objetivo da expansão territorial. As diferenças básicas entre Estado Islâmico e Al Qaeda é que o primeiro já possui um território e um regime de governo baseado na lei islâmica.   Além disso, acreditam que o fim dos tempos é iminente, sendo de responsabilidade do EI forçar a conversão dos povos. Para isso, buscam a expansão do território do Islã como forma de preparação para o juízo final.   Entendendo o Estado Islâmico A primeira questão que nos aflige o raciocínio neste momento é qual seria a causa do EI ter estabelecido sua sede na Síria se nasceu no Iraque? A resposta é a guerra civil que se instalou na Síria a partir de 2011. Este conflitou causou buracos no poder do país, ocupados pelo Estado Islâmico com a conivência do ditador sírio Bashar Assad, que via no grupo uma ameaça menor que a dos rebeldes que enfrentava. A estratégia do Estado Islâmico foi criar uma estrutura mais governamental, com serviços padronizados, além dos relatos de que eles tem repartido os lucros do petróleo com alguns líderes tribais sunitas. Isso deixa clara a sagacidade do grupo, mostrando saber que não se pode construir uma nação sem o apoio popular. Tentam então criar boas relações com a população que se mostra submissa e com os líderes locais, dando a estes líderes o controle da água e terras cultiváveis, agindo como um Estado. Uma vez no poder, o Estado Islâmico mantém as instituições locais após um juramento de lealdade, alem de instituir a política de tribunais com base na lei islâmica e transformar as escolas em centros de estudos do Corão. Hoje, cerca de oito milhões de pessoas se encontram nas áreas controladas pelos terroristas, mantidos pelo medo das punições aplicadas naqueles que demonstrarem algum descontentamento. Um ponto que desperta questões interessantes seria o financiamento do grupo. O alicerce sobre o qual foi construído o Estado Islâmico ainda traz uma base econômica melhor trabalhada que os outro grupos jihadistas, explorando a extração de petróleo no Iraque e na Síria, sem nos esquecer do financiamento inicial de países como Arábia Saudita, Catar e Kweit nos primeiros tempos de luta armada na Síria. Além disso, os comerciantes e industriais locais são obrigados a entregar uma quinta parte de seus rendimentos ao Califado e um imposto de 50% sobre o salário do empregados públicos em Damasco e Bagdá é cobrado. O sequestro de reféns ocidentais é outra fonte de renda do Estado Islâmico e estima-se em 45 milhões de dólares anuais o lucro do grupo com esta prática. Ainda faturam com venda de antiguidades roubadas por contrabandistas internacionais, doações de apoiadores externos. Armamentos e fardamentos foram obtidos nos depósitos da era Hussein ou comprados de contrabandistas. Uma parcela destes fardamentos advém da China ou da Faixa de Gaza, em confecções controladas pelo Hamas. Todo este esquema é comandado por Abu Bakr al-Baghdadi, autoproclamado califa, ou seja, um representante de Maomé na Terra. Abaixo de seu poder no grupo estão sete ex-oficiais do exército iraquiano da era Saddam, sendo este grupo o responsável pela maior parte das decisões do Estado Islâmico, ficando a figura de Al-Baghdadi mais como ícone, um líder religioso e um guerreiro em clara referência ao Profeta, mas o Estado Islâmico é uma organização que não é comandada por um homem só. Uma análise final nos evidencia que o Estado Islâmico é uma organização muito maior e mais séria do que apenas fanáticos religiosos, como o Talibã, tendo demonstrado certo treinamento militar, além de um apelo de recrutamento gigantesco na Internet. As investidas internacionais são intensas e o contato com simpatizantes que ajudam a disseminar sua propaganda na rede mundial de computadores é contínuo, sendo que cerca de duzentos mil tuítes são publicados em apoio ao grupo, em média, diariamente. Muitas destas contas são bloqueadas, mas rapidamente substituídas por outras de fácil criação. Este fato só reforça as ambições globais do Estado Islâmico, sendo que quase trinta mil estrangeiros se dirigiram para a Síria com o intuito de se juntar ao grupo no Iraque. Além disso tudo, nunca é demais anotar entre as atividades do grupo o assassinato de civis cujo resgate não seja pago e das pessoas que decidam não se submeter à ideologia do Estado Islâmico: o extermínio de minorias como cristãos, Yazidis e xiitas; assassinato e estupro de homossexuais; escravidão sexual para mulheres pertencentes às minorias; tortura; destruição e saque de patrimônios históricos, principalmente relíquias de outras religiões e de civilizações antigas.   Cuidado Com a Consequente Islamofobia. Todo este panorama favorece para o alicerçamento da uma verdadeira fobia aos islamitas, associando sua religião e cultura com o terrorismo de modo irresponsável e inconsequente. Não se deve misturar grupos radicais com sociedades humanas complexas e as religiões que seus membros praticam. O mundo muçulmano vai além do que geralmente a maioria das pessoas entende geograficamente, englobando persas (Irã e curdos), turcos (Turquia e repúblicas do Sul da Rússia), indonésios, negros, indianos, malaios, árabes, norte-africanos e europeus situados nos Bálcãs. Os muçulmanos são as maiores vitimas das atrocidades cometidas em nome de Alá, sendo que os líderes das mesquitas tem condenado a radicalização. É uma minoria local que apoia as atitudes radicais, principalmente do Estado Islâmico. O que o mundo ocidental precisa ler além do que nos é apresentado pela mídia, é que tanto o cristianismo quanto o islamismo são religiões irmãs, advindas do judaísmo, sendo que o Jeová dos cristãos é o mesmo Alá dos islamitas. Nós ocidentais somos praticantes assíduos da intolerância religiosa dentro do próprio cristianismo, sendo a atual islamofobia que ferve no mundo apenas uma extensão de nosso preconceito contra os muçulmanos. Devemos repensar esta atitude de tomar todos os indivíduos de uma sociedade pelo que apenas alguns deles praticam efetivamente. Apesar das inúmeras declarações de repúdio aos atentados terroristas mais recentes por parte dos líderes religiosos, a demonização dos muçulmanos vem se fortalecendo dentro da política européia, embasado em frases como "... o EI é a pior ameaça do mundo civilizado" , sem se dar conta do problema em associar toda uma sociedade com um grupo extremista. Em contrapartida, não vemos muito esforço de grupos muçulmanos contrários às ações do EI se reunindo em um movimento de cooperação não militar em oposição a estes grupos jihadistas. …

IRON MAIDEN: A Auto-Indulgente Mesmice de “The Book Of Souls”.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({ google_ad_client: "ca-pub-9767849814663729", enable_page_level_ads: true }); Sempre que se anuncia um novo lançamento do Iron Maiden, o frisson causado exalta paixões e irracionalidades que influenciam diretamente na avaliação do conteúdo musical apresentado no trabalho. The Book Of Souls  pode ser considerado um dos cinco mais importantes lançamentos do mundo do rock, quiçá, do mercado fonográfico em geral, neste ano de 2015. Sendo assim, passado o tsunami de empolgação pós-lançamento causado pela inflada "torcida" da banda, vamos conversar francamente sobre este importante álbum de 2015.  Speed of Light, primeiro single,   remete a  Fear Is The Key  e  Run To The Hills  em meio a seu instrumental burocrático.  .  Um detalhe importante que acredito ter pesado nas avaliações que exaltam este como um novo clássico da banda é a infeliz doença de Bruce Dickinson. Parece incongruente, mas vamos a uma análise fria do desenrolar de acontecimentos. Já vi alardearem que este novo álbum é o melhor desde Brave New World ! Em meus ouvidos, as canções estariam mais próximas do progressivo e criticado A Matter of Life and Death , que é até melhor que este The   Book of Souls . Entretanto, o coração dos fãs mais extremistas foi amaciado pelo susto do triste diagnóstico que acometeu o vocalista. Uma notícia como esta plantou no imaginário dos fãs da banda uma maior possibilidade daquilo que vinha sendo ventilado desde o álbum anterior, The Final Frontier , de que aquele seria a última investida em estúdio da banda. Após esta possibilidade tão tangível da perda do que se ama, todo o abuso progressivo, outrora criticado em  A Matter of Life and Death,  é exaltado em  Book of Souls . Aos que não enxergam esta execração do álbum de 2006, lembro-vos de que a banda tentou de todas as formas fugir daquele padrão em  The Final Frontier , compondo peças mais diretas, algo completamente fora da proposta deste  Book of Souls , que retomou a extrapolação das texturas progressivas. Acredito que este último lançamento foi superestimado pelo alívio que os fãs sentiram a ver obliterado seu medo deste álbum não acontecer. Claro que a realidade de soar deveras progressivo não é fator depreciativo para este novo álbum do Iron Maiden, visto que Steve Harris, líder da banda, já declarara que " também há muito de progressivo " dentro das influências nitidamente advindas do classic/hard rock  na música do Maiden. Mas então o que faz de  Book of Souls um álbum ruim na minha avaliação? A verdade é que, tirando toda a empolgação que circunda o lançamento, The Book of Souls sofre de uma auto indulgência atroz e de um ufanismo de causar rubores. Quase todos os arranjos são previsíveis, as viradas já são manjadas e a sensação de "deja-vu" a cada nota de guitarra ou baixo é compulsória. Parece que desconstruíram seus maiores clássicos e fizeram colagens para chegar às "novas" músicas. Por exemplo, Shaddow Of Valley  foi Wasted Years em outra encarnação futurista, enquanto o exaltado single para Speed Of Light  remete a Fear Is The Key  e Run To The Hills  em meio a seu instrumental burocrático. Não feche os olhos para a verdade irrefutável de que todas as investidas progressivas são receitadas requentadas dos dois álbuns anteriores. Quando as canções não se assemelham a colagens de seus próprios clássicos desconstruídos, como acontece nas faixas  The River Runs Deep  ou The Book Of Souls , a banda erra ao esticar em demasia as canções que, segundo os membros da banda, fora algo natural dentro do processo de composição. Pois bem, natural, mas desnecessário. Estas duas canções exemplificam de modo brilhante a falta de ousadia nestes arranjos longos e presunçosos, além das introduções exageradas. Doravante, estas canções serão esquecidas certamente. Pra não dizer que tudo foi perdido, Empire Of The Clouds  é um oásis de ousadia musical cercado pelo deserto de mais do mesmo. Uma canção diferente de tudo o que a banda já compôs, sendo quase uma rock-opera, sem perder a identidade da Donzela de Ferro. O próprio chefão Steve Harris teria dito ao compositor da peça, Bruce Dickinson, que esta era uma obra-prima, sendo uma despedida em alto nível caso este fosse o último álbum da banda. Além desta faixa, Bruce ainda compôs a dispensável If Eternity Should Fail , igualando o feito do álbum Powerslave , quando emplacou duas composições no tracklist do álbum. Segundo Steve Harris, não houve planejamento para a longa duração das faixas e, muito menos, o formato duplo para o álbum, que, ao contrário do que se pode pensar, não é conceitual. Penso neste novo álbum como apenas uma prova cabal de que muitos fãs de heavy metal cultuam apenas a mesmice dentro do estilo. Louvam o mais do mesmo! Concordo quando dizem que o Iron Maiden não tem nada mais a provar. Todavia, como já escrevi anteriormente, precisa ao menos tangenciar a genialidade para não simplesmente entrar em campo e achar que camisa ganha jogo. Um novo álbum da banda ferve o mercado fonográfico, pois os fãs do estilo são fiéis, sendo um dos poucos nichos onde ainda se registram vendas de álbuns físicos. Em poucos meses,  The Book Of Souls  já cruzou a marca de cem mil cópias vendidas , colocou o heavy metal em evidência, fazendo do estilo comentado até mesmo em horário nobre de domingo em canal de televisão aberta. Um banda do porte do Iron Maiden em plena atividade é importante, mas não feche os ouvidos para as fracas composições. Não se feche para a constatação avassaladora de que poderia ser bem melhor! Mas os tons que anunciaram os momentos mais recentes da banda tornaram superlativas estas fracas composições, cujo resultado cansativo e repetitivo é o mesmo que fez Virtual XI  ser arrasado pelas críticas. Se não fosse pela atuação indefectível de Bruce por todo o álbum, estas constatações não seria ignoradas pelos fãs da banda. A competência dos membros do Iron Maiden é indiscutível, sendo este fator um dos que mais elevam as expectativas daqueles qu e esperam músicas empolgantes e, até certo ponto, corajosas o suficiente para fugir de seus limites auto-impostos. Decepcionante é o mínimo que posso comentar sobre este "novo" (fiquei com a impressão de já ter ouvido-o uma década atrás) álbum do Iron Maiden, uma auto-indulgente demonstração de mais do mesmo. Se pela sua cabeça está passando uma indagação natural de qual seria o álbum deste ano, no heavy metal, melhore do que The Book Of Souls , procure os álbuns do Armored Saint, Paradise Lost, Angelus Apatrida, Soldir, Dr. Living Dead e Enforcer. …

THE DOORS: Por que a Banda Não Estava no Woodstock?

Woodstock. Um marco na história da música moderna! O mais famoso festival do rock, que reuniu uma porcentagem considerável das mais importantes bandas de sua época, tinha como principal propósito inicial não a paz e o amor, como fora romantizado. O objetivo dos promotores era arrecadar dinheiro para construir um estúdio rentável. Sim meus caros, a filosofia que envolveu toda a mística de Woodstock veio quase como um acidente do destino. Mesmo assim, o que a história nos conta é a forma como este festival se tornou um símbolo máximo da segunda geração do rock , uma referência de música, postura social e filosofia de uma juventude que ansiava por uma ruptura com a geração anterior. Todavia, alguns grandes nomes desta segunda geração roqueira não estavam incluídos na lista dos shows lendários e, apesar de o enumerado conter nomes de peso como Beatles , Bob Dylan , The Byrds, Joni Mitchell e Led Zeppelin, a ausência mais sentida é da banda The Doors, pois podemos inferir que eles foram o nome do rock americano em maior evidência na segunda metade da década de 60. Entre outras palavras, qual seria a razão do quarteto formado por Morrison, Manzarek, Krieger e Densmore não estarem reunidos entre 15 e 17 de agosto de 1969, junto a uma multidão de jovens e uma constelação roqueira no maior festival de rock de todos os tempos? A versão oficial nos conta da recusa da banda em participar do Woodstock por acharem que este seria apenas mais uma imitação de qualidade duvidosa do Monterey Pop Festival. Outra possibilidade seria a insegurança de Jim Morrison em se apresentar para grandes plateias e este, ao meu ver, seria apenas uma forma mais adocicada de encarar uma verdade dolorosa: Morrison viva uma ressaca moral incurável e seu Rei Lagarto havia sido deposto do trono do rock n’ roll . Apesar de John Densmore (baterista do The Doors) aparecer no show antológico de Joe Cocker, a verdade é que a banda The Doors não subiu aos palcos de Woodstock por causa de seu maior símbolo: Jim Morrison. Trajando sua indefectível farda em jaqueta e calça de couro, Morrison encarnara o Rei Lagarto e se tornara quase um anti-herói de um romance, como um Hamlet regado a álcool e drogas pesadas, e que compunha a própria trilha sonora. Numa época de ruptura e de misticismo alguns de seus admiradores o encaravam como um xamã encarnado, já outras teorias mais insólitas inferem que ele teria forjado sua morte, ou até teria se tornado um agente da CIA. Todavia, a grande verdade é que ele foi a mola propulsora do The Doors e também seu tiro de misericórdia. Grandes mentes da humanidade se debruçaram sobre o conceito subjetivo de percepção. Para Willian Blake, “se as portas da percepção estivessem limpas, tudo pareceria ao homem como realmente é: infinito” . Estas portas da percepção de Blake são as mesmas que batizam o The Doors, inspiradas pelo livro de Aldous Huxley, que Jim Morrison estava lendo quando se encontrou com Manzarek e o embrião da banda ganhou vida. Neste livro, intitulado As Portas da Percepção , Huxley descreve suas experiências com mescalina no intuito de diminuir a filtragem da realidade feita pelo cérebro, ou seja, seriam drogas ajudando o homem a abrir suas portas da percepção. Na mente poética de Jim, que buscava uma oposição às normas e costumes, o livro de Huxley inspirou a criação de uma banda que investiria na supressão de barreiras musicais e performáticas. Nas apresentações iniciais da banda ele se mostrava ao público de costas e no decorrer da trajetória do The Doors tudo podia acontecer no palco. Em 21 de agosto de 1966, no Whisky-A-Go-Go, seriam despedidos após a famosa sequência de versos assassinos e incestuosos que finalizaria a canção The End , mas que os daria uma contrato para um primeiro álbum. A partir daí as performances de Jim começaram a se tornar mais elaboradas e a improvisação chegava ao ponto de surpreender seus colegas de banda, pois imprevisibilidade era seu nome e esta postura, aliado a seus versos que beiravam a poesia beat , consolidaram sua imagem de rockstar rebelde, arauto de uma geração e personificação da tríade sexo, drogas e rock n’ roll. Não tardou para seu rosto ir parar até mesmo em revistas adolescentes e arrancar elogios de personalidades como John Lennon. Também não demorou a seu personagem de palco extrapolar as cortinas e adentrar sua vida pessoal. Por consequência, a dependência de álcool se fez presente levando-o a um desfecho aquém de sua importância. Nesta época passava a maior parte do tempo bêbado, entrava em conflitos desnecessários com seus colegas de banda e ainda investia em suas esposas. Era possível separar Jim em dois momentos dispares: o dócil quando sóbrio e o perigoso quando alterado por drogas, um comportamento que já se fazia presente desde os primeiros momentos da banda. Entretanto, as inconsequências do xamã Morrison começaram a trazer enormes problemas para a imagem do The Doors. Em Connecticut, o vocalista teria tirado o quepe de um policial e o lançado para a plateia. Momentos antes, um policial havia atirado spray de pimenta em Morrison nos bastidores do show, interrompendo um enlace amoroso mais forte do vocalista com uma fã. Mesmo com este clima agressivo dentro da banda, na virada de 1967 para 1968 o The Doors era, quiçá, a maior banda de rock em solo americano. Sendo assim, fica a pergunta: Por qual razão um dos três símbolos de uma geração (Janis Joplin, Jimi Hendrix e Jim Morrison) não estava presente no maior festival de rock de todos os tempos? Apesar da existência de uma resposta oficial para esta questão, creio que ela veio adornada em pedrarias com o intuito de encobrir a verdade: em agosto de 1969, o The Doors era uma banda quase esfacelada. As gravações do álbum The Soft Parade , lançado em julho de 1969, foram muito desgastantes, com Morrison abusando do álcool, se mostrando cada vez mais imprevisível e a gravação estendendo seu tempo previsto, elevando consideravelmente os custos. Além do mais, as canções do novo álbum estavam distantes da sonoridade original, adicionando elementos de pop e instrumentação diferente do usual. Esse não seria o problema maior, pois as rádios e a opinião pública já havia se voltado em um movimento contra a banda, em decorrência do julgamento de Jim Morrison, acusado de ato obsceno e utilizar linguagem obscena. Em meados de 1969, os shows foram cancelados e os promotores não queriam mais contratá-los. Verdade seja dita, o que ocorreu no primeiro dia de maio de 1969, em Miami, não condiz com as acusações sofridas pelo vocalista, que adentrou o palco bêbado e após a primeira canção começou a provocar a plateia, mas em nenhum momento houve ato obsceno, quando muito uma dança ousada quando Jim fora atirado à plateia por um policial. Porém, fora acusado de exibir sua genitália para o público, julgado e condenado, se livrando da prisão após revogação. A minha leitura dos eventos mostra um Jim sem controle de si, fisicamente longe do Rei Lagarto dos dias passados, escorraçado publicamente, injustamente e interpelado pelos companheiros de banda sobre seu alcoolismo. Era evidente que naquele momento ele não tinha condições de encarar um festival como o de Woodstock, mesmo se este fosse uma mera cópia do Monterey Pop Festival. Ou seja, Morrison foi a vida, a morte e a ressurreição do The Doors, afinal, os dois próximos álbuns seriam guiados por ele e recolocaria a banda em seu lugar. E mesmo ele insistindo na valorização de seus companheiros de banda de modo igual (obrigou, certa vez, um programa de TV a anuncia-los novamente como The Doors, ao invés de Jim Morrison and The Doors como fora feito), sua imagem se tornou maior que a banda, foi romanceada no cinema por Oliver Stone , e sua morte em Paris o transformou em um mártir da música. Mas também por causa dos excessos de Jim Morrison a maior banda norte-americana dos anos 1960 não estava no histórico festival de Woodstock. THE DOORS, "The End": As performances de Morrison eram quase ritualísticas. …

QUEEN: Existe Vida Sem Freddie Mercury?

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({ google_ad_client: "ca-pub-9767849814663729", enable_page_level_ads: true }); " Se eu de repente partisse, eles simplesmente me substituiriam. Mas não é fácil me substituir, hein!?!" Freddie Mercury   O show do supergrupo Queen + Adam Lambert no Rock In Rio 2015 dividiu as opiniões da audiência, seja ela in loco ou via televisão. Nestas condições, alguns pontos são importantes de serem enaltecidos e pontuados. Primeiro, Adam Lambert não é um vocalista ordinário! Possui uma excelente técnica vocal e um domínio de sua voz que poucos de sua geração podem se vangloriar, sendo esta habilidade que garantiu ao Queen a manutenção dos tons originais das canções nos shows. Ainda podemos mencionar que os tons médios de Adam são passáveis dentro da música da banda, mas quando ele busca os tons mais altos, sua voz saía das raias roqueiras, descaracterizando em demasia a essência forte das composições. Segundo, o vocalista se mostra pouco confortável em situações que fogem ao previamente ensaiado e sua carência de espontaneidade fica evidente nos momentos onde os outros membros saem do roteiro (como ao errar a entrada de Save Me , ou o tempo de Radio Gaga ). Neste ponto é imprescindível ressaltar que discutir a espontaneidade de Adam não significa contestar a sua personalidade, que, aliás, ele nos mostra ter de sobra ao empunhar corajosamente o microfone de uma das maiores bandas de rock da história. E eis aqui um novo ponto a ser abordado. A imprevisibilidade do que acontecerá num show de rock é o maior tempero deste evento, sendo que as bandas mais novas esqueceram deste artifício, emulando seus shows como se reproduzissem seus DVD's ao vivo! No dia seguinte ao show do Queen + Adam Lambert, Dee Snider, líder do Twisted Sister, mostrou, em apenas quinze minutos, como um vocalista de rock deve ser portar no palco. Sem prévios ensaios, tocou dois de seus maiores sucessos com a banda Angra e colocou a cidade do rock abaixo com espontaneidade e improviso. Claramente nenhuma de suas ações estava ensaiada e pré-determinada, sendo este o tipo de virtude que ainda carece em demasia para Lambert (não só para ele dentro do mundo da música atual), que, como todo artista moldado para a música pop, oriundo de reality shows como o American Idol, se preocupa mais com sua imagem e performance do que o sentimento que a música lhe provoca. Acredito que ele terá um futuro de enorme sucesso pela frente, mas em carreira solo, em outro estilo musical, pois como frontman de um baluarte como o Queen não convenceu. Para aqueles que limitam o Queen a canções como Radio Gaga, I Want To Break Free, Bohemian Rhapsody  e Love Of My Life  não existe tamanho problema assim, mas basta uma audição acurada para ver como as canções In The Lap Of The Gods, Fat Bottomed Girls, Stone Cold Crazy e I Want It All perderam força! Aos meus olhos, sobrou-lhe brilho ao mesmo tempo em que, aos meus ouvidos, faltou-lhe atitude na voz para entoar o velho e clássico rock n' roll. Claro que todos estes apontamentos são reflexos de minha opinião pessoal, que em nenhum momento se baseia na comparação de Adam como substituto de Freddie. Minha análise em nenhum momento tem como parâmetro o inigualável Freddie Mercury, que na história do rock só pode ser pareado a no máximo cinco vocalistas. O legado de sua carreira junto ao Queen é abissal, casando música clássica com rock pesado e tonalidades pop, como parte do processo de metamorfose de uma banda de rock progressivo com certo peso para um fenômeno da história da música. A morte do artista que era a alma da banda se deu em 24 de novembro de 1991, após desistir do tratamento da AIDS, que alguns dizem ter sido contraída no Brasil, em 1985. A última canção registrada para a banda por Freddie Mercury foi Mother Love , presente no álbum póstumo Made In Heaven . Entretanto, a última imagem que os fãs guardam na lembrança esta presente no vídeo da canção These Are the Days Of Our Lives , quando Freddie olha para a câmera com toda a magia que lhe era inerente e profere um emocionado " eu amo vocês ". A morte do vocalista do Queen foi a maior tragédia do rock mundial na década de 1990, fazendo a banda amargar um período de incertezas que abarcou dois eventos importantes neste período. Um deles foi a produção do álbum póstumo  Made In Heaven , que criou lacunas entre um errante Brian May e um apressado Roger Taylor, tendo o recluso Deacon em meio a todo este turbilhão de emoções. Confira o vídeo para a  canção " No One Bu You (Only The Good Die Young) "   Talvez o mais importante evento deste primeiro período sem Freddie Mercury foi o show em sua homenagem. Em meio a uma verdadeira constelação da música pop, George Michael se destacaria cantando o clássico Somebody To Love. Lendas do mundo da música nos contam que Roger Taylor ao fim do show já conjecturava a possibilidade de George assumir os vocais da banda. Não demoraram a surgir boatos na mídia e o periódico The Sun, em sua edição de 3 de julho de 1995, anunciava uma matéria exclusiva que alardeava: Queen quer George Michael para ser novo Freddie! As únicas verdades desta época estavam na frase da banda afirmando ser uma ideia impossível substituir Freddie Mercury no Queen e no lançamento do EP Five Live, que trazia o registro da participação de George Michael no show tributo a Freddie. O próprio Freddie já havia comentado em uma entrevista sobre a dificuldade de sua substituição (confira a frase que abre a postagem), mas acredito que nem ele mensurava ser essa dificuldade tão extensa. Elton John certa vez teria dito aos remanescentes do Queen que a banda se assemelhava a um carro de corrida parado na garagem, sem nenhum piloto! A próxima baixa seria a reclusão de John Deacon, que fez seu último registro com o Queen no compacto " No One Bu You (Only The Good Die Young) ", composta por Brian May em homenagem a Freddie e cantada por ele e Roger Taylor. Lançado em 1997, a gravação deste compacto mostrou a Brian que ele ainda não estava pronto para retomar com o Queen. Deacon se isolaria de tal forma, que nem mesmo compareceria à nomeação da banda ao Rock N' Roll Hall of Fame , em  2001. No mesmo ano da inclusão ao hall da fama do rock, Robbie Willians regravaria o clássico We Are The Champions com os dois remanescente do Queen para a trilha sonora do filme Coração de Cavaleiro. Logo as especulações acerca de uma nova formação da banda pipocavam pelos veículos de comunicação e, desta vez, os boatos tinham certo fundamento. Brian May chegou a declarar que Robbie seria o candidato mais forte para realizar a nova façanha: ele já sentia a vontade de tocar novamente com o Queen. No entanto, as possíveis dificuldades de conciliar a carreira de sucesso do popstar com o Queen naquele momento foram empecilhos, mesmo o próprio Robbie alegando que adoraria ter substituído Freddie no Queen. Creio este desejo foi o mais importante para o projeto não evoluir. Para Taylor e May, Freddie era insubstituível e a procura era por alguém que não tentasse emular o saudoso vocalista. Esta procura acabou exatamente em 24 de setembro de 2004, no Royal Albert Hall, na comemoração do 50º aniversário da Fender Stratocaster, onde Brian May acompanhou Paul Rodgers na canção All Right Now , clássico do Free. Enxergando a possibilidade a frente e percebendo a química existente com Rodgers, Brian enviou o vídeo da apresentação para Roger Taylor que respondeu de modo enfático: " como não pensamos nisso antes? ". O baterista parecia sedento por cair na estrada e se tornou a mola propulsora desta nova fase do Queen. O supergrupo Queen + Paul Rodgers foi anunciado em 25 de janeiro de 2005.   Confira o vídeo para a  canção " We Are The Champions " com Robbie Willians.   Oriundo de bandas seminais como o Free e o Bad Company, Paul Rodgers é dono de um timbre vocal único e magistral, que o permitiu imprimir a própria personalidade nas suas interpretações, dando um pouco mais de crueza, energia e tempero bluesy aos clássicos do Queen. Ao contrário dos vocalistas que o precederam, Paul fez do jeito dele e nunca tentou interpretar as canções emulando Freddie Mercury. A química entre o trio era tamanha que rendeu o único álbum de canções inéditas do Queen sem Freddie Mercury. Apesar da indiferença da crítica especializada que avaliou o álbum por um crivo envelhecido por quinze anos, além de comparativo com era Mercury,  The Cosmo Rocks  foi o álbum mais vendido em diversos países da Europa e figurou como 5º colocado na lista dos mais vendidos do Reino Unido. A turnê foi um sucesso, com prodigiosas plateias ao longo do período. Mas a crítica foi tão imperdoável que acabou minando a empolgação do projeto que também se mostrou com química entre os integrantes com prazo de validade. As longas turnês eram exaustivas para Rodgers que alegaria anos depois, quando perguntado sobre sua saída do Queen, que:  " A vida numa banda consumia muito e eu queria ter uma vida. Depois de deixar o Queen eu decidi parar com mega turnês de quatro meses. Eu viajo um mês e quando volto meus cachorros ainda me reconhecem. " Confira o vídeo para a  canção " Hammer To Fall/ I Want It All " com Paul Rodgers.   Aliado a estes dois elementos estava uma possível e lucrativa reunião do Bad Company. Neste contexto, em 2009, após quatro anos, a melhor fase do Queen pós-Freddie Mercury terminava. A chegada de Adam Lambert foi quase casual, quando a banda participou do reality show musical onde o cantor era um dos concorrentes. Brian May se interessou pela performance visual de Lambert e o novo supergrupo Queen+ Adam Lambert ganhou a estrada em 2011. Adam também compartilha da maior virtude de Paul Rodgers, não tentando imitar Freddie Mercury, mas, infelizmente, seu perfil vocal não se encaixa nas guitarras fortes de Brian May ou na bateria pesada de Roger Taylor. Sem medo de parecer leviano, sinto fortes aromas de oportunismo e interesse financeiro nesta união, pois nos mesmos reality shows  onde Adam foi pinçado existiam melhores vozes para a empreitada. Os defensores de Adam só aceitam comparação com Freddie quando se trata da afetação em cima do palco, justo o item em que mais diferem. Perto de Adam Lambert, a postura de Freddie se assemelha a Ted Nugent. Todavia, tanto Brian May, quanto Roger Taylor, já afirmaram que a performance visual de Adam é o mais próximo que já tiveram do estilo de Freddie Mercury. Concomitantemente, já apoiaram-no a dar continuidade a sua carreira solo, pois não existem planos para novas composições nesta nova fase da banda. Mesmo após toda esta viagem pela trajetória do Queen pós-Mercury, vendo que claramente Adam foi uma escolha simplesmente lucrativa, digo que se esta é a única forma de manter Taylor e May, dois nomes tão importantes para o rock, em cima do palco, mesmo existindo ao menos três nomes melhores do que o escolhido para os vocais, seja bem vindo Adam Lambert! A  canção " The Show Must Go On " com Elton John nos mostra  uma parceria que valeria a pena. queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert queen filme trailer lançamento frases in concert  …