3 Livros Pra Conhecer: HERMANN HESSE

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O escritor Hermann Hesse, Nobel de Literatura de 1946, é um dos maiores nomes da literatura alemã do século XX, cujos livros criaram uma espécie de culto místico. Em sua obra, mais do que para grande parte dos escritores, o conhecimento de sua biografia se faz necessário à boa compreensão dos elementos que utiliza em suas narrativas.

Criado no mais rígido rigor religioso, passou pelo seminário e, após se tornar aprendiz de relojoeiro, virou auxiliar de livraria. Sempre obstinado a se tornar poeta, esta experiência como livreiro lhe permitiu a publicação de seus “Cantos Românticos”, em 1899, e cinco anos mais tarde, sua primeira novela que lhe rendeu a autonomia necessária para viver da literatura.

Muitos de seus personagens são pedaços e projeções de si próprio e hoje apresentamos três peças de sua obra cujos personagens principais compreendem exatamente esta característica projecionista do guru Hermann Hesse, em cada uma das fases de sua vida. 

“Demian” (1919)

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Esta é a primeira grande obra de Hermann Hesse, que inicia o caminho que passará por “Sidarta” (1922) e culminará em “O Lobo da Estepe” (1927), sua indiscutível obra-prima. “Demian” traz no personagem principal, Emil Sinclair, um reflexo jovem do escritor que buscava uma visão multi-latitudinal do mundo dentro de si próprio, uma inovação em sua escrita naquele momento.

A mensagem é clara: quem quiser evoluir terá que romper com tradições antiquadas e mortas, além lutar para encontrar uma própria razão de existir. Além disso, temos inserções pontuais da doutrina de Freud em contraponto ao rigor religioso que construiu a personalidade de Hesse.

Por fim, cabe dizer que Sinclair pode ser o desenho que Hesse queria para sua própria existência: os dois compartilham a mesma infância, a relação com os pais e o mesmo desencaixe ao mundo, além de um olhar de desprezo pelas implicações da guerra. Uma obra obrigatória!

“O Lobo da Estepe” (1927)

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Indubitavelmente, esta é a obra-prima de Hermann Hesse, onde ele explora de modo brilhante a dualidade entre os ideias nobres e a valorização do intelecto, defronte aos instintos mais primitivos e carnais do ser humano. Esta guerra tão inerente a cada um de nós divide o protagonista Harry Haller em seu íntimo, impelindo-o a investigar cada uma das faces de seu ser numa exploração máxima, envolvendo sexualidade, clubes de dança, e pessoas que não primavam de seu apreço, dando um status de descoberta intelectual a estas experiências.

Cheia de nuances e tensões, esta obra é de difícil digestão e compreensão, principalmente pelo desfecho pouco tradicional. Além disso, no pano de fundo temos um olhar crítico quanto a sociedade, dando um caráter quase profético ao que se seguiria nas próximas décadas na Alemanha.

Um dos clássicos da literatura do século XX.

“O Jogo das Contas de Vidro” (1943)

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Este livro foi lançado quando o autor já se aproximava dos setenta anos e escrito nos primeiros anos da década de 1940, tão conturbados no continente europeu. Transcorrendo fora do tempo, a obra oferece uma eloquente reflexão sobre as esferas políticas e da vida contemplativa, vestida nos trajes clássicos da utopia.

Hesse situou sua comunidade utópica no futuro, no ano de 2 200, para contar a história de Joseph Knecht, até que ele se torne membro de um grupo elitizado de intelectuais na Europa, que vivem e trabalham isolados do restante da sociedade. Esta comunidade mítica se deleita na prática de um jogo complexo e requintado, não explicado na obra, mas que envolveria uma síntese do conhecimento humano e seria uma alegoria para a cultura inútil, fazendo-nos questionar junto ao personagem principal se, após tanto esforço e estudo, ao se alocar numa posição social confortável, vale a pena se distanciar dos reais problemas do mundo?

Ou seja, temos uma alegoria madura e intrincada para a busca do autoconhecimento, elemento perene na obra de Hermann Hesse.

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