Zakk Wylde – Resenha de “Book of Shadows II” (2016)

 

Aos vinte anos de idade, Zakk Wylde era recrutado por Ozzy Osbourne para empunhar a guitarra de sua banda solo.

Com muita personalidade o guitarrista americano se tornou um dos maiores nomes do instrumento em sua geração, trazendo como marcas registradas sua guitarra Gibson Les Paul, adornada de círculos concêntricos e monocromáticos, e a sonoridade reconhecível na primeira nota.

Seus harmônicos artificiais marcariam a música pesada nos anos seguintes, seja ao lado do Madman, seja em bandas como o Pride & Glory, ou Black Label Society, sempre desfilando uma sonoridade pesada, suja, com muito feeling e alta técnica.

Sendo assim, em 1997, Zakk causou um verdadeiro alvoroço com seu álbum “Book of Shadows”, que trazia uma pegada mais intimista e acústica, longe da explosão de riffs e solos criados com tanta propriedade pelo guitarrista.

 

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Zakk Wylde: ” Book of Shadows II” (2016, E1 Music, Hellion Records)

A bem da verdade é que a fórmula funcionou e o instrumental se enlaçou magistralmente aos vocais de Zakk, embebidos de sentimento sulista.

Ao longo dos anos, os pedidos para uma nova incursão no formato se acumulavam, sendo que em 2016, quase duas décadas após a primeira parte, temos em mãos “Book Of Shadows II”, que ressuscita o conceito mais intimista e bucólico da primeira parte, agora mais carregado de inspirações soul/blues (como fica mais explícito em “Lay Me Down”).

A vontade de se dedicar novamente ao formato se deu enquanto preparava o espetacular álbum ao vivo “Unblackened” (2013), do Black Label Society, onde ele interpreta alguns temas do primeiro “Book Of Shadows”.

Em comparação ao lançamento de duas décadas atrás, temos uma tonalidade mais leve e ainda mais introspectiva, com doses disfarçadas de rock alternativo, como mostram as faixas “Darkest Hour” (dona de um solo dilacerante e harmonias que remetem ao Pearl Jam) e “Autumn Changes”  (belíssima balada que remete a “Black”, do Pearl Jam e traz elementos do Screaming Trees).

Variando da melancolia sombria, passando pelos solos de desabafo furioso, até a introspecção acústica, faixas como “Tears of December”  (belíssima balada, cheia de sentimento, guitarra bluesy e versos sombrios), “The Leeve” (balada com cama de teclados e belíssimo trabalho de guitarras), “Eyes of Burden” (clima eclesiástico e vocal lamurioso), “Forgotten Memory” (com arranjos limpos que lembram as canções de Eric Clapton),  “Yesterday’s Tears” (onde notamos um bucolismo à lá Bruce Springsteen, da fase-“Nebraska”) e Sleeping Dogs” (com participação de Corey Taylor), mostram uma reformulação da proposta baseada em violão, guitarras e piano, com baladas inspiradas.

Já no fim do álbum, faixas como “Harbons of Pity”, “Sorrowed Regrets”“Useless Apologies” apresentam uma trilogia musical baseada em órgãos incisivos, numa proposta ainda mais intimista e donas de guitarras limpas.

Apesar de um aroma sulista mais acentuado, dos solos brilhantes e inspirados, que tornam as canções ainda mais destacáveis, este álbum está longe de comparações com a primeira parte, até mesmo por não carregar mais o impacto inerente ao ineditismo da proposta.

Este segundo “Book of Shadows”, mesmo confirmando, em sua alta qualidade, a genialidade, relevância e versatilidade de Zakk Wylde, dentro de várias abordagens musicais, infelizmente será apenas mais um capítulo da carreira do guitar hero e longe do clássico materializado na primeira parte.

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