ATUALIZANDO A DISCOTECA: Xana Gallo, “Rota de Fuga” (2018)

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Por Laira Arvelos

“Assim foi mais um dia

Mais uma poesia, se quer!

E essa luz do dia

Estraga qualquer bem-me-quer

Que melancolia ficou

Retrato de um rosto qualquer”

 

Xana Gallo Rota de Fuga capa CD
Xana Gallo: “Rota de Fuga” (2018, Independente) NOTA:10

Minha irmã poetisa me mandou um belo texto de encorajamento esta semana e cada palavra tange meus sentimentos de maneira única, mas o que ela me disse ao final ecoa a cada momento que me pego perdida nos meus pensamentos, apesar de todos os motivos contrários (que são muitos) devo ser “aquela flor delicada que sente qualquer lufada de vento, mas que permanece hasteada com sua frágil e elegante beleza”, e isso é o que encontrei em “Rota de fuga” (2018), disco de Xana Gallo.

Ela consegue fazer da dor algo belo, extrai do invisível dentro de si e de todos seus sofrimentos inspiração e bossa nova, poesia e música popular brasileira, samba e atitude,  tudo isso com graciosidade e preciosismo.

A cantora de Pelotas, radicada no Rio de Janeiro é amante e estudiosa de música desde a infância. Por anos Xana Gallo dividiu a vida artística com o comércio, mas em 2014 rompeu com tudo e começou a focar somente na música.

Socióloga, autora de diversas composições, tem destacada presença nos palcos das cidades do sul do Rio Grande do Sul e Montevidéu, no Uruguai, sempre acompanhada por excelentes profissionais da música.

Há menos de um ano Xana Gallo desembarcou no Rio de Janeiro, com uma intensa bagagem musical e, deixando de vez para trás os relacionamentos abusivos, assumiu o controle de sua vida e externou isso nas suas composições.

O disco contou com a produção musical de Eduardo Neves e uma banda requintada que faz desta produção uma experiência de deleite, André Vasconcellos no contrabaixo, Adriano Souza e Danilo Andrade nos pianos e Antônio Neves na bateria.

O mais encantador das composições é saber que a artista nos leva a fazer ilação de que o que está sendo dito seja algo corriqueiro, mas quando você entende o que é dito além da disposição dos versos, sua visão é ampliada e fugimos junto a cantora do universo escuro de encarceramento para um lugar de visibilidade e força feminina.

“Meu coração me acompanha” surge com piano e primavera e verte num samba que nos envolve de forma leve e despreocupada, nos convidando gentilmente a dançar. “Nada sei” e “De verdade” chega com o ritmo calmo e suave, nos envolvemos em um panorama de sentimentos, uma névoa de eufonia que nos faz ouvi-las “um milhão de vezes”.

 A faixa título é decidida, tempo marcado e cadenciado, o trabalho de produção é donairoso e admirável. “Poeta da Lua” é tenra, “Abraço caro” é doce e “Despertar” é pulsante com encadeamento de acordes e sonoridade suntuosa, que enriquecem a voz já impecável de Xana.

“Me guia, vó” é nostálgica, afável e delicada nos levam a um estado de saudade e reminiscência. O jogo de palavras faz que “nossos olhos sorriem” e até chorem diante da efemeridade.

“Eu não sei dizer tchau”, foi premiada duas vezes no Festival de Música Popular Brasileira da FEARG, na cidade de Rio Grande (RS) é forte e possui um refinamento e balanço agradável, exalando maturidade e inegável força.

Xana é sensível e expõe sua vida em suas canções, ela tem noção do que pode e quer fazer e isso só engradece o seu trabalho, o toque especial fica por conta do renomado saxofonista Eduardo Neves.

Um álbum para quem gosta de música de verdade e tem força de escancarar o coração e suas feridas, mas que luta e se desvencilha da incapacidade e codependência para soar protagonismo e amor próprio. Um grito à força da mulher e de suas vozes que nunca devem ser silenciadas.

“É mais do que se possa contar em um refrão”

Ouça “Rota de Fuga”: http://bit.ly/RotaDeFugaXanaGallo

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