ATUALIZANDO A DISCOTECA: Watain, “Trident Wolf Eclipse” (2018)

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Watain: “Trident Wolf Eclipse” (2018, Century Media, Mutilation Records) NOTA:9,5

Me impressiona positivamente a capacidade que algumas bandas de black metal possuem em transmutar sua “anti-música” blasfema e entrópica em algo rico, cheio de sombras, e reverente.

Com “The Wild Hunt” (2013), a banda sueca Watain se tornou um dos principais nomes nesse sentido. Rebelando-se contra a rebelião da qual fazia parte, e forjando um dos melhores discos do gênero na última década, com ousadia quase progressiva.

Uma postura que lhes custou apontamentos desfavoráveis dos mais fervorosos, que se indignaram com as progressões mais complexas e alguns vocais limpos.

E talvez por isso tenham retornado ao modus operandi cáustico e ríspido de outrora em “Trident Wolf Eclipse”. “Nuclear Alchemy”, faixa de abertura, é um arrasa-quarteirão alucinante, de separar a carne dos ossos. O que também acontecerá em “Ultra (Pandemoniac)” (com a participação do vocalista do Mayhem Attila Csihar), mas com uma sintomática dinâmica e imprevisibilidade dentro da visceralidade obscura e suja que permeia todo o trabalho.

Afinal, o que pode parecer um recuo em sua evolução musical, na verdade é um passo à frente daquele disco de 2015. Mesmo com uma incisividade, agressividade e peso que remeta ao passado da banda. A dinâmica e criatividade destas novas composições, de clima denso e árido, como já revela a capa, mostram que o Watain na verdade está em plena evolução.

Variam de momentos envolventes a movimentos de pura anti-música. Mas de modo inteligente, mesmo que muito brutal e infernal enquanto desenha melodias por riffs, e linhas vocais, dando um sabor conhecido, porém característico à estropia musical a que se dedicam.

“Furor Diabolicus”, por exemplo, é uma faixa que mostra bem a variabilidade estrutural que permeia cada composição deste novo disco. Mas nada de vocais limpos, ou complexidades evidentes.

O que também não quer dizer que retrocederam sua musicalidade. Na verdade eles jogaram perversão, maldade e agressividade em doses cavalares para preencher a geometria de “The Wild Hunt”, por sua vez, reestruturada pela falsa simplicidade de “Sworn to the Dark” (2007). Isso tudo fica claro em faixas como “Sacred Damnation”“A Throne Below”.

Aqui, as excentricidades estão na mescla de timbragens, detalhes atonais, textura suja, old school, não só do black metal, mas também do hardcore escandinavo, com um clima bem definido, que remete mais às planícies desérticas de algum círculo infernal de Dante, do que a reverência de uma corte real demoníaca.

Mesmo assim, não há como negar que “Teufelsreich”“The Fire of Power” são black metal de puro ódio à moda escandinava, frutificado nas catacumbas cáusticas do inferno, todavia, até nestes momentos eles conseguem fugir do mais do mesmo.

Ou seja, trabalharam sua excelência de uma forma mais afinada aos padrões ríspidos do black metal.

Com “The Wild Hunt” a banda colocou o corpo para fora do oceano do gênero e, aos meus ouvidos, antes de emergir para um negro mundo musical onde são soberanos onipotentes, retornaram um pouco ao fundo para pegar um impulso visando uma fuga final, pois a criatividade, a maturidade, e a singularidade que a diferencia das demais bandas do heavy metal está no estágio final de transmutação.

Observação reforçada pela bônus “Antikrists Mirakel” e, principalmente, por “Towards the Sanctuary”, o ponto mais alto de “Trident Wolf Eclipse”, que reafirma todas as sombras intrincadas da musicalidade do Watain, que não é simplesmente black metal, é só estética e energeticamente black metal!

Um disco de altíssima qualidade, e até ouso dizer que se não fosse por “The Wild Hunt” este seria o melhor disco da banda (gosto deste até mais do que “Casus Luciferi” [2003], álbum que até mais se aproxima deste novo trabalho). Todavia, o maior trunfo de “Trident Wolf Eclipse” é a mensagem codificada que existe em cada detalhe nos cantos escuros e malévolos dos arranjos que me faz ansiar pelo próximo passo da banda!

Uma obra de arte desenhada pelas formas brutais da música!

Assista o clipe de “Nuclear Alchemy”… 

Confira a faixa “Sacred Damnation”… 

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