“Warriors: Os Selvagens da Noite”, de Sol Yurick – LIVRO


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“Warriors: Os Selvagens da Noite” (1965 – 2015, Darkside Books)

“Warriors – Os Selvagens da Noite”filme lançado em 1979, tem espaço mais do que garantido na cultura pop. Ou vai me dizer que você nunca se deparou com variações estilizadas das imagens que estampam a capa deste recém-lançado (no Brasil) livro que inspirou um clássico de cinema cult?

Acredito que muitos dos que assistiram o filme não tiveram oportunidade de ler o livro, que na sétima arte foi transformado numa epopeia pela cidade de Nova York, cheio de violência controlada, muita poluição visual urbana, confrontos com gangues e muita ação, que até inspiraria jogos de video game na década seguinte.

A espinha dorsal da trama é a mesma tanto em filme quanto em livro:

“Quando o líder de uma das gangues de Nova York é assassinado, os Warriors são falsamente apontados como culpados, e além de  provar a inocência, precisam atravessar Nova York enquanto são perseguidos por todas as outras gangues da cidade.”

O livro não tem o apelo “aventureiro” do filme, sendo mais crú e visceral, escancarando a violência urbana e a desigualdade social também no primeiro mundo, inspirando até mesmo a banda Rolling Stones a compor o clássico “Street Fighting Man”. 

Pra quem só assistiu o filme, saiba que tudo é um tanto diferente no livro. Enquanto o filme foca na ação cheia de tensão (seguindo o padrão de sucessos daquele ano, como “Mad Max”, “Alien”, e “Apocalypse Now”), livro foca nas questões psicológicas de cada personagem.

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Sol Yurick

O escritor de “Warriors – Os Selvagens da Noite”, Sol Yurick, era fortemente interessado em psicologia e filosofia, algo diluído em doses generosas dos capítulos, construindo uma alegoria quase indigesta para discutir a delinquência juvenil e questões sociais pesadas, que são incrivelmente atuais.

“Warriors – Os Selvagens da Noite” era o primeiro romance de Sol Yurick, que teve o mérito de misturar a clássica história grega de Anábasis (história da jornada de um grupo de soldados gregos que, em 401 a.C, marcharam desde a costa até o interior do império persa, governado pelo rei Artaxerxes), com o universo das gangues nova-iorquinas.

O escritor conhecia o mundo das gangues que dividiam a cidade de Nova York pelo trabalho que teve como assistente social na cidade até o início da década de 1960, após terminar sua graduação.

Sol Yurick trabalhou no departamento do Bem Estar Social de Nova York, onde ele próprio assume ter levado um choque cultural, impresso sem polimentos e com bastante ruídos em cada página de “Warriors – Os Selvagens da Noite”.

Até por isso, não assusta que não exista juízo  de caráter dos personagens, tratando dos atos mais bárbaros e violentos com naturalidade e consequências óbvias, onde a honra e a hierarquia “quase militar” de rua vale mais que empatia e compaixão.

Em certa medida, além de mostrar todo o engajamento de Sol Yurick nas questões sociais, “Warriors – Os Selvagens da Noite” é um filho direto de “Laranja Mecânica”, de Anthony Burgues, concebido no seio da contra-cultura sessentista.

A atmosfera ácida e tensa é uma clara herança do clássico de Burgues, assim como a narrativa densa e crua, e uma linguagem relativamente difícil de engatar um ritmo de leitura.

E isso, acredito, junto a crítica social implícita (a última cena do livro é visceral, fugindo do “final feliz” do filme), levou  “Warriors – Os Selvagens da Noite” a ser recusado por vinte e sete editoras. Todavia, não existe nenhum truncamento na narrativa que é bem controlada por períodos de tempo bem estabelecidos.

Tem sim, em “Warriors”, um apelo subversivo (palavra datada, mas que se encaixa como uma luva na época em que o livro foi lançado), chupado por Yurick das páginas de jornais que traziam a guerra de gangues que no cinema foi romanceada no vencedor do Oscar “Amor Sublime Amor” (1961).

Até por isso, o livro é muito mais realista! O ápice da literatura marginal.

Originalmente lançado em 1965 como “The Warriors”, o livro que inspirou de Quentin Tarantino a Rolling Stones, foi recentemente lançado no Brasil amalgamando nome de livro e filme.

Não deixe passar batido pois a edição está belíssima e, claro, porque esta é uma obra ímpar da cultura pop do Século XX!

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