VOLTAIRE: O Maior dos Iluministas

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Poucas palavras foram tão influentes quanto as proferidas pela mente de Voltaire. Nos dias de hoje, citar alguma frase deste pensador é sinônimo de ser taxado como intelectual, mas tal citação realmente seria espantosa, devido ao caráter volátil e até mesmo supérfluo da    mente universal de nossos tempos. Ler Voltaire implica que sua mente se alinha a alguns pensamentos defendidos pelo filósofo francês, significa que você, assim como ele, acredita na liberdade de expressão, de credo e de associação e é contra a interferência de qualquer igreja no sistema político. Estas idéias fizeram dele um dos grandes ícones do iluminismo, influenciando desde a Revolução Francesa até a independência americana.

François-Marie Arouet, ou Voltaire, nasceu em Paris no dia 21 de setembro de 1694 durante o reinado de Luís XIV. Uma época em que os nobres franceses tinham sua corte em Versalhes e liam, organizavam concursos, interessavam-se por ocultismo e filosofia. Este ambiente se formou junto com a infância de Voltaire e se desenvolveu ao mesmo tempo em que o futuro filósofo se tornava parte dela. Mas isso somente foi possível por uma herança recebida pelo jovem Arouet. Uma quantia de dois mil francos que estavam condicionados a serem gastos apenas com livros.

Aos dez anos frequentava o colégio de jesuítas e mais tarde cursou a faculdade de direito, mas não ia às aulas. Preferia as tavernas e a libertinagem. Como tentativa desesperada do pai em tirá-lo desta vida empregou-o como secretário do marquês de Châteauneuf que estava partindo para a Holanda em 1713. Após uma aventura amorosa desastrosa nos países baixos foi obrigado a voltar para Paris em 1715, aos 21 anos. Seu regresso coincide com a morte de Luís XIV e logo o jovem Arouet se introduz no novo e efervescente ambiente da nova corte francesa.

Não demorou até experimentar o sucesso nesse meio e a partir daí, sua língua estava cada vez mais ferina o que lhe custou a liberdade. Foi levado à Bastilha em 1717, sendo hospede de um dos mais famosos cárceres da história por 11 meses. Nesse período escreveu uma peça para teatro -Édipo que foi o grande sucesso da temporada – e um longo poema épico – Henriade – adotando o pseudônimo Voltaire sem nenhuma explicação aparente. Após o fracasso de sua segunda peça, Artemire, Voltaire começou a definhar. Contraiu varíola e entrou em estado de coma do qual emergiu alguns dias depois para presenciar o sucesso de Henriade.

Em 1726 teve novamente problemas com o nobres da corte sendo enviado à Bastilha onde lhe deram duas opções: prisão perpétua ou emigrar para a Inglaterra. O poeta escolheu o exílio. Na ilha britânica, onde a nobreza não era uma casta, Voltaire se tornou amigo de nobres e de intelectuais como Jonathan Swift, Alexander Pope, John Locke e Berkeley, tendo ficado perplexo com as idéias políticas e filosóficas que tais literatos discutiam. No outro lado do canal da Mancha todos eles estariam enjaulados na Bastilha. Voltaire estava se esbaldando no desabrochar do Iluminismo inglês.

“Cartas Filosóficas” foi escrito neste período de exílio, sendo lançado na França sem a permissão do autor e queimado por ordem do Parlamento de Paris. Eles consideraram o volume escandaloso, contrário à religião e à moral. Quando seu livros foram incinerados Voltaire já havia regressado a Paris, mas ao sentir que o caminho da Bastilha lhe seria mais uma vez apresentado resolveu cruzar o Canal da Mancha novamente, mas desta vez levou com ele a marquesa de Châtelet. Visitava com frequência Paris, Bélgica, Holanda e era comum vê-lo na corte prussiana se tornando amigo de Frederico II. Começava uma nova fase em sua vida, se dedicava empenhosa e entusiasmadamente à literatura.Após a morte do Cardeal de Fleury, madame Pompadour, uma velha amiga de Voltaire , se tornou a primeira influência na corte, o que lhe rendeu o cargo de historiógrafo real e consequentemente um lugar na Academia. Por essa época, Voltaire abre as portas para um novo gênero literário: o conto filosófico. Pequenos romances, como referenciava o próprio autor, que fazem a parte mais vívida de sua obra: Zadig de 1747, Micrômegas de 1752 e O Ingênuo de 1767 revelam uma certa influência dos textos de Swift, desfilam amores eternos que duram apenas semanas, discussões teológicas que geram massacres em puros diálogos e muita ação. Nesse mesmo período ainda reelaborou e ampliou o Dicionário Filosófico (1746).

Nos anos que se seguiram teve uma conturbada passagem pela corte prussiana culminando no desentendimento com Frederico II. Foi para Genebra onde escreveu, em 1756, Ensaio sobre os Costumes e Espírito dos Povos que é considerado o primeiro grande trabalho de historiografia moderna, onde ele tenta mostrar como as sociedades evoluíram da barbárie para a civilização. Posteriormente se juntaria a Montesquieu, Buffon, Condorcet, Diderot e outros para escrever Dicionário Raciocinado das Artes e Ofícios, a mais importante obra do século XVIII, conhecida como a Bíblia do Iluminismo.

O clero francês declarou que Deus havia castigado o povo de Portugual com o terremoto de 1755, onde trinta mil pessoas ficaram sepultadas sob escombros, por causa de seus pecados. o grande matemático Leibniz sustentara que “vivemos no melhor dos mundos possíveis”. Voltaire, em contrapartida, escreveu sua obra máxima: Cândido, ou O Otimismo em 1759, onde Leibniz aparece caricaturado como dr. Pangloss.

Entre os anos de 1763 a 1767 publica grandes obras como Tratado sobre a Tolerância, Dicionário Filosófico e O Ingênuo, morrendo em 1778 no dia 30 de maio, aos 84 anos, sendo enterrado em Salier. Um mês antes de sua morte, recusou a assinar uma submissão completa à Igreja Católica que era a condição para que o abade ouvisse sua confissão, tendo declarado: “Morro amando Deus, amando meus amigos, não odiando meus inimigos e detestando a superstição. 28 de fevereiro de 1778.” Durante os anos subsequentes, apesar desta declaração, Voltaire era considerado ateu.

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