FILME: “Visages, Villages” (2017)

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Por Laira Arvelos

 

“Para que não se perca no vão de minha memória”

 

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“Visages, Villages” (2017, dir: Agnès Varda, JR)

“Visages ,Villages” é um documentário dirigido e protagonizado por Agnes Vardá e JR, recebeu premiações como New York Film Critics Circle Award de Melhor Cinematografia (2017), Prêmio da Sociedade Nacional de Críticos de Cinema para Melhor Filme Estrangeiro (2018) e Prêmio Independent Spirit de Melhor Roteiro (2018).

Agnes Vardá é uma grande desbravadora do outro. É uma cineasta e fotógrafa belga, radicada na França, aos 89 anos é o maior expoente feminino do cinema francês, considerada uma das mais relevantes cineastas da Nouvelle Vague.

Nouvelle Vague foi uma estética de cinema criada na França, em 1958, como reação contrária às superproduções hollywoodianas da época, encomendadas pelos grandes estúdios.

A contraproposta eram filmes mais pessoais e baratos – o chamado “cinema de autor”. Em comum, tinham o desejo por autonomia criativa, mas cada um retratou suas próprias questões pessoais e cotidianas, aqui temos por exemplo Jean – Luc Godard, amigo de Vardá que é ‘apresentado’ na história.

Com uma carreira de mais de seis décadas em novembro de 2017 tornou-se a primeira diretora mulher a receber o Oscar honorário que celebra o conjunto de sua obra e concorreu ao Oscar de 2018 na categoria documentário com Visages, Villages, sendo a mulher mais velha a ser indicada ao prêmio e primeira nesta categoria, o que resultou no inusitado momento: Vardá não foi ao evento onde é tirada a foto oficial dos indicados, mas mandou uma réplica sua de papelão que foi carregada por JR.

JR é o pseudônimo de um artista urbano Francês que exibe sua obra livremente pelas ruas do mundo, suas imagens gigantes já se espalharam pelas favelas do Brasil, paredes do Oriente Médio, África, Museu do Louvre, entre outros.

Em 2011 recebeu o prêmio TED, após a criação do Inside Out, um projeto participativo internacional que permite que pessoas de todo mundo tirem fotos para apoiar uma ideia e compartilhar sua experiência.

Juntos, nesta “amizade a primeira vista”, viajam em uma aventura espontânea visitando vilarejos no interior da França em um caminhão com uma cabine fotográfica que em 5 minutos libera uma foto em grande escala pela lateral, e vão construindo obras de arte que se entrelaçam as histórias de seus habitantes, de maneira muito natural, sensível e fluída.

Assista o trailer do documentário… 

Embora o “acaso” seja o roteirista das viagens, ele se contrapõe a conversa ‘ensaiada’ e amigável de Vardá e JR.

A simplicidade e originalidade da história só incomodam por não permitir um aprofundamento nas histórias das pessoas que somos apresentados, sustentada mais pelo envolvimento das reminiscências de Vardá, através de sua memória pessoal, nos encantamos, refletimos sobre o tempo, o olhar, as lembranças.

O documentário impacta sensorialmente, de forma ingênua nos encanta e envolve velo ressignificação dos espaços e das paisagens. É uma experiência! Como diria Vardá tenho por esta obra “um sentimento misturado¨.

Vissages Villages é aquela obra que após assisti-la da ‘uma vontade danada de mandar flores ao delegado, de bater na porta do vizinho e desejar bom dia, de beijar o português da padaria”.

Com imagens singelas nos transporta a um lugar de fluida leveza e pureza, onde esboçamos aquele sorriso despreocupado, sentindo conforto, amor e esperança.

Em tempos, de agitação, frequente sentimento de medo e violência, temos aqui um momento para recuperar o fôlego, aquecer as esperanças e recuperar nossa capacidade de acreditar e viver “Je me souviens pendant que je vis”.

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