ATUALIZANDO A DISCOTECA: Ufrat, "Global Devastation" (2016)

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Ufrat: “Global Devastation” (2016, Night Hunter Records) NOTA:8,0

A cena paranaense vem ganhando ainda mais força no que tange aos desdobramentos do heavy metal, e a banda Ufrat vem engrossar ainda mais o caldo de bons nomes a praticar uma das digressões mais pesadas do gênero. Na ativa desde 2009, conquistaram o respeito e reconhecimento regionais praticando um thrash/death metal vigoroso apresentado nos shows, ou no álbum “Welcome To Reality” (2014). Em 2016, a banda apresenta o ambicioso e eloquente  “Global Devastation” (2016), via Night Hunter Records.

E nesse segundo ato da discografia, de imediato destaca-se a maturidade temática das letras da banda, explorando reflexões e críticas sociais, religiosas e políticas. “Smell of Death”, por exemplo, a faixa de abertura (sem contarmos a pequena intro) fala de modo contundente sobre o holocausto nazista e o absurdo de sua filosofia de superioridade racial.

Musicalmente, este cartão de visitas traz todo o ímpeto agressivo e imperativo do gênero, com técnica apurada, guitarras produzindo riffs pesados dentro de um trabalho versátil e dinâmico, vocais guturais de determinação furiosa (que lembram vagamente os de John Tardy), além de uma seção rítmica que alicerça as harmonias bem trabalhas nas mudanças de andamentos. Não seria errado dizer que no espectro musical do Ufrat existem remissões que vão do heavy metal tradicional ao death metal com fluência sutil e personalidade.

Confira o clipe de “Confronting Death”… 

Na sequência do tracklist, podemos destacar “Unceasing Torment”, uma peça mais tradicional dentro do repertório se analisada pelo prisma musical, que versa, inspirada no documentário “Em Nome da Razão”, dirigido e escrito por Helvécio Ratton, sobre o maior genocídio da história brasileira, que ocorreu nos hospitais psiquiátricos da cidade de Barbacena, em Minas Gerais, que vitimou quase sessenta mil pessoas “decretadas com problemas psicológicos, mas que na verdade eram dejetos sociais, ou seja, mães solteiras, homossexuais, inimigos políticos, indigentes, viciados ou qualquer um que se opunha contra a ditadura militar vigente na época”

Nesta segunda música já vemos como a banda se preocupa em talhar os mínimos detalhes de suas composições, neste caso, por um ritmo mais alucinante. Num panorama geral, o quarteto constrói um tecido sonoro mais bruto e rústico, por passagens raivosas, mas de extrema força melódica, como podemos experimentar na faixa seguinte, “Annihilator of Minds”, enquanto desfilam uma reflexão sobre a questão da manipulação de massa pela “influência que a mídia-televisiva tem sobre as pessoas, tirando a consciência daqueles que estão sendo usado como massa de manobra”.

E na caminho desenvolvido pelo tracklist, o tempero old-school se sobressai junto a temas espinhosos em faixas de destaque como “Confronting Death” (com clipe brutal e de cenas reais da rebelião na cadeia de Pedrinhas, no Maranhão, de tortura e violência dos presidiários), “Global Devastation” (um brutal crossover, com cacoetes de death metal à moda Obituary e backing vocals impactantes. Uma das melhores do álbum!), “Social Chaos”, até o cover do Benedcition para a faixa “Nightfear”, que encerra o trabalho.

Confira uma performance de “Nightfear”… 

A produção, à cargo do guitarrista da banda, Alex, que registrou as treze composições em seu próprio “home studio”, está crua, carregada, suja na medida certa, e orgânica, transpirando honestidade, com timbragens interessantes para as guitarras, indiscutível destaque individual no instrumental (mesmo que Alex abuse do direito de exagerar em certos movimentos), e também para o baixo de Marcelo, com seu ritmo firme e imutável.

Porém, acredito que não foram felizes no trabalho com a bateria, que soa não só abafada em certos momentos, como também um pouco “descolada” da massa sonora que conseguem construir. Nada que tenha colocado o trabalho geral em risco, pois a composições são potentes, cativantes e eficientes, além de ser uma  aresta facilmente aparada nos próximos trabalhos.

Com alguma lapidação o Ufrat pode nos oferecer mais, pois  possuem, além de potencial,  aquela fagulha necessária para o brilhantismo!

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