ATUALIZANDO A DISCOTECA: Tupi Nambha, “Invasão Alienígena” (2016)

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Tupi Nambha Invasão Alienígena 700
Tupi Nambha: “Invasão Alienígena” (2016, EP, Independente) NOTA:9,0

A música nasceu nas batidas tribais. Ali onde só existia ritmo – a melodia, a harmônia e a timbragem ainda eram peças do futuro -, em meio às tribos primitivas que deram origem à humanidade, este atributo divino brotou e evoluiu junto com as civilizações até ser transformado na intrincada primeira arte.

Muitas bandas já mesclaram o Rock/Metal com as sonoridades étnicas e culturais de seus países, forjando momentos mais do que interessantes dentro do gênero, e agora parece que estamos vendo um levante das bandas brasileiras com o intuito de sobrepor batidas e ritmos étnicos de nossas tribos no Heavy Metal, mais de duas décadas após o Sepultura nos mostrar o caminho e expor ao mundo o quão forte e agressivo é este nosso legado musical pré-colombiano.

E com citação de Hermes Trimegisto, além de alegoria de capa e título remetendo tanto às invasões coloniais europeias quanto às teorias de Erich Von Daniken, a banda brasiliense Tupi Nambha apresenta suas armas neste levante musical em “Invasão Alienígena”, primeiro EP, lançado em 2016, mesmo ano de fundação da banda, inaugurando sua proposta ousada, versátil e extremamente original.

Retrabalhando os ritmos tribais e étnicos pelo prisma musical do Heavy Metal, com groove bem acabado e energético, multi-referencial quanto ao espectro metálico, de apelo moderno vibrante (ouça “Tupi Nambha” e tente não ser contagiado pelo mantra indígena que compõe sua linha melódica agressiva) e inovador, eles vão além de simplesmente adornar o gênero com o fascínio que as batidas tribais causam  no ser humano.

Confira o EP na íntegra… 

Emprestando seu nome da tribo Tupinambá, “que existe em solo brasileiro desde o século XVI e que já chegaram a ser considerada a maior tribo do país com mais de 100.000 indivíduos”, a imersão no molde musical indígena é completa (caso contrário, não teríamos uma faixa como “Galdino Pataxó” que se priva de instrumentação elétrica), e não apenas como artifício de impacto.

Sua letras, por exemplo, escritas em língua indígena nativa (com títulos em português), versam sobre temas comuns à cultura tribal, como guerra, morte, canibalismo, e crenças sobrenaturais.  Sendo que letra e música casam de modo fluido e dinâmico dentro de uma forma musical cheia de personalidade, pronta para fugir do status quo metálico.

Em geral, a dupla formada pelo vocalista Marcos Loiola e pelo guitarrista Rogério Delevedove, apresenta sete composições modernas, com agressividade e melodia bem equilibradas, tornando os arranjos envolventes e poderosos, donde é impossível não se impactar com o poder de “Antropofagia” “Tribo em Guerra” (com batidas cruas e intensas que remeterão aos bons tempos do Sepultura), fatalmente os destaques junto ao clima “diabólico” dos riffs de “Feiticeiro”, que resumem bem a essência da sonoridade batizada de Tribal Metal.

A produção, à cargo Caio Contornesi (Dynahead), responsável também pelos trabalhos de baixo e bateria do EP, foi precisa na timbragem dos instrumentos que emana força primitiva, mas pela organicidade e não pelo minimalismo, fazendo as batidas pulsarem com rusticidade, energia e crueza, bem acompanhadas pelo aspecto rítmico dado às guitarras e ao baixo bem marcado.

Em tempos onde nossa identidade como brasileiros anda tão maltratada pelos “caciques” de nossa tribo moderna, é motivador ver o Tupi Nambha se levantando e hasteando com orgulho, pela música, a bandeira de nossas raízes como povo.

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