ATUALIZANDO A DISCOTECA: Torture Squad, “Far Beyond Existence” (2017)

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Torture Squad: “Far Beyond Existence” (2017, Secret Service Records, Brutal Records) NOTA:10

Me lembro do meu primeiro contato com a banda Torture Squad, na edição número 4 da extinta e saudosa revista Planet Metal, com a crua e poderosa faixa “A Soul In Hell”. A partir dali sempre acompanhei os lançamentos da banda, sua evolução musical e, consequentemente, sua trocas de integrantes. A última delas em 2016, onde a formação se estabilizou com Mayara Puertas (vocal), e Rene Simionato Guillotine (guitarra) ao lado dos velhos conhecidos Castor TSquad (baixo) e Amilcar Christófaro (bateria).

E para mostrar a força e vontade deste time, lançaram em 2016 o EP “Return of Evil” e caíram na estrada para uma impressionante turnê nacional com vinte e oito shows em pouco mais de trinta dias. Neste primeiro registro com a nova formação já fica evidente que seguirão uma geometria mais direta em comparação com a intrincada e altamente técnica de outrora, fato que se confirma neste “Far Beyond Existence”,  oitavo full lenght do Torture Squad.

Mas não pense que musicalmente deram um passo atrás em sua evolução. Na verdade, mostram maturidade e pleno controle de sua fórmula para apurar de modo natural ainda mais a essência Death Metal de sua música, dando mais destaque ao peso e ao groove, ao invés da rapidez ou dos arranjos babélicos, aproximando-os de bandas clássicas como Obituary, Bolt Thrower, Six Feet Under, Entombed e Jungle Rot.

Confira o lyric video para “Blood Sacrifice”… 

Claro que essa abordagem mais pesada sempre esteve presente na discografia da banda, mesmo nos momentos em que manuseavam mais o Thrash Metal, agora aliada a inovações pontuais, inserindo introduções de cítara e mantra indiano, para citar algo mais evidente, com melodias sombrias e pantanosas, bem alocadas em meio a toda virulência rítmica e gravidade ctônica das linhas de baixo.

E nesse campo melódico, a timbragem das guitarras do versátil Rene trouxe uma sujeira que respinga por todos os lados, numa fusão das escolas escandinava e norte-americana para criar sua própria identidade em harmonias, solos, e licks diferenciados, junto aos iracundos vocais de Mayara, seguindo mais a herança da “escola norte-americana do urro”, impressionando pela forma como consegue transmitir uma energia bruta, infernal e assustadora em sua performance de estúdio.

Isso já pode ser conferido na abertura acachapante com “Don’t Cross My Path”, e suas pontuais, porém inteligentes, mudanças de andamentos, bem sustentadas pelas linhas de bateria vigorosas e bem desenhadas em conluio. Aliás, é necessário enaltecer o trabalho do monstro (no bom sentido) Amilcar Christófaro, o coração da banda, de fato. Isso fica claro em “No Fate”, faixa onde fica perceptível como tudo pulsa ao redor do seu trabalho na bateria, por mais simples que seja a linha praticada.

“Far Beyond Existence”, no geral, reflete uma banda madura, consciente do gênero que quer praticar, oferecendo uma produção brilhante, composições virulentas, mas esmeradas aos detalhes, e mais importante, com perceptíveis começo-meio-fim tão ignorados na estruturação de composições dentro do meandros mais extremos do Heavy Metal, sendo que cada uma das nove pedradas do tracklist oficial possui uma particularidade melódica que a distingue das demais.

Confira o lyric video para “Cursed By Disiase”…

“Blood Sacrifice”, por exemplo, poderia resumir o trabalho, ao mesmo tempo que tem sua alma musical definida em uma introdução diferenciada e um desfecho groovado irresistível. De longe a melhor do trabalho! Claro, se contarmos as três faixas bônus, teremos um páreo duro nessa disputa com a exótica, mas não menos excelente versão de “Just Got Paid” (com participação de Alex Camargo, do Krisiun), do ZZ Top.

Já “Steady Hands” que vem na sequência com mais cadência (assim como na ótima “Cursed By Disiase” que traz Edu Lane do Nervochaos), possui riffs que beiram o Classic Metal e refrão cativante, enquanto “Hate” (com participação de Dave Ingram [Bolt Thrower, Benediction]), a faixa-título “You Must Proclaim” (com vocais adicionais de Luiz Carlos Louzada) vão agradar por seguirem a trilha pantanosa do Death Metal clássico, assim como “Hero for the Ages” fará, mas à sua maneira imprevisível.

Todavia, tomadas as devidas proporções de peso e virulência banhadas pelos classicismos do Death/Thrash Metal, existe um indireto senso de ruptura com certos tradicionalismos pincelado por aqui, em certas quebras de ritmo irregulares ou em algumas disfarçadas atonalidades melódicas (tudo devidamente confessado nas bônus “Torture In Progress” que traz até um hammond executado por Marcello Schevano [Golpe de Estado, Carro Bomba, Casa das Máquinas] e “Unknown Abyss” que cria um uma ligação cíclica com ), bem camuflado por um extremismo metálico puro e brutal, daqueles de sangrar o ouvido!

Definitivamente, “Far Beyond Existence” é deliciosamente  atordoante e brutalmente imprevisível!

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