ATUALIZANDO A DISCOTECA: Julieta Brandão, “Torso” (Single – 2018, Cantores Del Mundo)

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Por Laira Arvelos

 

“A torsão atroz dos corpos. Esse movimento brutal. Esse ritual.  Vou ver o fogo de perto”

 

Julieta Brandão - Torso - Capa
Julieta Brandão, “Torso” (2018, Cantores Del Mundo) 

Em tempos tão sombrios na condição humana no âmbito político e no viver em sociedade, “Torso” (2018), nos traz em melodia e versos a tão perfeita ligação entre música e política.

Ligação esta que no decorrer da história levantou bandeiras de resistência diante do absurdo; protesto, expressão e revolução.

Embora acredite que a arte não tem que ter uma função, sempre quando ela se propõe a criar sem medo e falar sobre incômodos coletivos, em busca de mudança ela “cumpre seu papel” de transgredir.

O denso momento político a partir de 2013 trouxe vida ao belíssimo poema de Liv Lagerblad, que une-se para inspirar e dar forma a este single.

“Torso” nos traz estranhamento por nos transportar a um cenário caótico e perturbador de objetos zunindo, balas, vidros, pedras e bombas de gás, através de um som sereno; latino, música popular brasileira de qualidade.

O poema musicado por Arthus Fochi, ganha contornos de “spoken word” quando a autora declama um outro texto em resposta à sua poesia original, o que dá um toque especial na produção, e ganha mais pontos por unir o que já é bom sozinho: poesia e música.

Julieta Brandão tem uma voz que nos remete a tantos lugares conhecidos, mas ao mesmo tempo carrega uma singularidade tão rara, cantora profissional há mais de dez anos, vem neste trabalho arriscar um novo caminho, sendo este o primeiro lançamento da cantora com o selo Cantores Del Mundo.

Esta iniciativa visa, promover a proximidade entre as novas vozes de toda América Latina. Julieta que já transbordava brasilidade no seu álbum “Viramundo” (2016), busca agora um contorno estético mais elementar e experimental, o que só confirma sua competência e versatilidade.

Ao conferir o vídeo da música é possível ver a união dos instrumentos, à interpretação, à poesia e cenas das manifestações em uma sincronia e pulsação primorosa.

Minha única ressalva está no fato de que “de súbito tudo some”, aquele tipo de som que você passaria horas ouvindo.

Enfim, só me resta aguardar o que está por vir e (com o perdão do trocadilho) torcer por “Torso”, que este trabalho ganhe o seu lugar de merecimento e que a arte continue sempre nos apontando uma resposta.

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