ATUALIZANDO A DISCOTECA: Toro, “Toro” (EP, 2017)

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Toro: “Toro” (EP, 2017, Independente) NOTA:

Há um ano apresentando seu Rock cheio de atitude nas estradas, banda Toro agora entrega seu primeiro EP homônimo, se energizando pela chama tradicional do Rock brasiliense que revelou nomes grandiosos de nossa cena nas décadas finais do século passado.

Ao longo das cinco faixas que compõem o trabalho, Francisco Vasconcelos (guitarra), Arnoldo Ravizzini (bateria), Thuyan Santiago (vocais)  e Alvinho Vasquez (baixo) mostram destreza ao cunhar um Rock conciso e de letras engajadas, como manda o manual escrito pelos grandes nomes do Rock planaltino.

Mas não pense na fórmula usada por Plebe Rude, Capital Inicial e Legião Urbana, ou até mesmo Raimundos e Detrito Federal, pois a Toro também foi atingida pela brisa poeirenta e desértica do stoner rock. 

Ou seja, pode esperar uma sonoridade mais concreta e de espírito valvulado, mas sem perder a acessibilidade, ou a liberdade de percorrer outros gêneros, com organicidade e arejando texturas retrô, desde a primeira faixa “Luz Vermelha”, que também revelará uma sensibilidade forte para melodias (principalmente nos vocais) e climas, com melancolia quase grunge, bem como nos mostrará destreza para camuflar elementos aparentemente não correlatos ao gênero (como o contemporâneo indie/rock brasileiro).

A banda Toro entrega seu primeiro EP homônimo, energizando o stoner rock atual pela chama tradicional do Rock brasiliense…

É possível perceber influências clássicas de Led Zeppelin, Alice In Chains, Black Sabbath e Soundgarden, por riffs bem elaborados, bateria presente e baixo encorpado, ao mesmo tempo que Queens of the Stone Age, Royal Blood, Rival Sons, Red Fang e  Wolfmother vêm à mente pelo clima moderno criado, indo além da simples colagem retrô de sombras do Classic Rock, mesmo que fique uma certa impressão de que “todos os movimentos são friamente calculados”.

Confesso que em alguns momentos, a aclimatação desértica e crua do stoner rock/metal me pareceu presente apenas como uma reação à timbragem dos instrumentos, pois conseguem imprimir sua identidade não pelos elementos que usam, mas sim pela dinâmica que os costura, fato comprovado na melancólica “Refém”, cheia de solos harmônicos e com o swing do Blues retrabalhado pela organicidade do rock setentista, com cacoetes de Southern Rock.

E enquanto “Apneia” dará o veredicto que este é um trabalho denso e encorpado, combinado de groove e peso roqueiro alicerçado nas áridas e cavalares possibilidades que o Blues abriu para o nascimento do que convencionamos como groove sabático, “Miragem” vai se afinar a uma certa lisergia desértica estruturada não nas possibilidades, mas nas certezas do Blues. Claro, sempre vestido de timbragens pesadas e carregadas.

Por isso, acredito que medir este EP de estréia pela simples régua do Stoner Rock é diminuir suas qualidades, mesmo que ele também colecione certos problemas, como em “Nada em Comum” “9,8 M-S²”, faixas que soa menores dentro da dinâmica gerada pelas outras composições, sendo pouco cativantes.

Confira o EP na íntegra via Spotfy… 

Mas minha observação maior vai para a auto-produção do trabalho, que me soou um pouco compactada além da conta, quase abafada, prejudicando tanto o senso ctônico do stoner, quanto o brilhantismo necessário às melodias bem delineadas.

Isso fica evidente nas linhas da seção rítmica, que carecem daquele poder de centro gravitacional perante as demais camadas do som, e nos solos de guitarra, de timbragem polida onde os arranjos clamam por rusticidade para cortar a atmosfera chapada com mais vivacidade e intransigência.

Intransigência! Falta um pouco deste elemento vital ao Rock em certos momentos deste EP. Como já pincelado anteriormente, tudo parece calculado e organizado demais. Ao menos aos meus ouvidos soou assim.

Todavia, mesmo esta leve inconsistência criativa não tira a perspectiva de uma banda madura o suficiente para costurar com inteligência influências e texturas musicas como acordes dissonantes, riffs típicos do hard rock setentista, bases alternativas, e melodias quase pop. E claro, a Toro é uma banda que tem o que dizer em suas letras!

Vale conferir e ficar atento aos seus passos futuros.

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