ATUALIZANDO A DISCOTECA: Thy Art Is Murder, “Dear Desolation” (2017)

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Thy Art Is Murder: “Dear Desolation” (2017, Nuclear Blast, Shinigami Records) NOTA:8,0

Se você procurar por uma definição de Deathcore por escrito, talvez pode se contentar com “a fusão do metal extremo que combina elementos de Death Metal (como os vocais guturais, a afinação baixa das guitarras produzindo riffs pesados, e blast beats) com os breakdows e passagens raivosas do Metalcore”. Já vi inclusive alguns críticos caracterizarem o gênero (de modo sarcástico) como o dubstep (um segmento polirrítmico, grave e impactante da música eletrônica) do metal!

Mas se quiser uma definição por vias musicais, pode conferir esta banda australiana que sempre se manteve longe da metamorfose que seus congêneres tem se autoinfligido recentemente, para o bem ou para o mal. Digo isso pois até mesmo essa pureza gera percalços, afinal é inegável que em alguns momentos caem de modo fulminante no mais do mesmo do gênero.

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“Dear Desolation” traz o Thy Art Is Murder fiel às definições do Deathcore: pesado, brutal, insano e carregado de tensão, mas ainda assim mais puxado para o Death Metal do que para o core, numa direção oposta a atualidade de muitos de seus ilustres congêneres…

E seguindo fiel à sua estrutura agressiva, brutal, e dinâmica, o Thy Art Is Murder nos apresenta seu quarto álbum, “Dear Desolation”, sucessor de “Holy War” (2015), imprimindo ainda mais adrenalina à sua sonoridade que pode ser enxergada como a mais pura essência do Deathcore, ecoando, por blast beatsbreakdowns, seus primeiros trabalhos, através de pedradas insanas como “Slaves Beyond Death” (que abre o álbum com uma dinâmica avassaladora), “Dear Desolation” “Fire in the Sky”, responsáveis por torcicolos infernais causado pelo headbangin compulsório. Também se destacam a climática “Death Dealer”, a claustrofóbica “The Son of Misery”, e a climática e claustrofóbica “Man Is the Enemy”.

Muito do impacto destas dez novas faixas vem do vocalista CJ McMahon, que chegou a pedir demissão por motivos pessoais recentemente, mas retornou à banda, e se esgoela como se não houvesse amanhã, além do baterista Lee Stanton, que possui uma técnica cavalar, cheia de versatilidade e fluidez brutal. Mesmo em momentos mais genéricos, como na faixa “The Skin of the Serpent”, ambos se destacam em suas respectivas “jurisdições”.

Confira o clipe de “Puppet Master”… 

Claro que devemos dar os devidos créditos ao produtor Will Putney, que conseguiu  registrar toda a energia que a banda emana em suas evoluções extremas, e também deixar tudo um pouco mais alinhavado ao Death Metal tradicional, dando brilho aos bons solos de guitarra, e carregando ainda mais nas tintas da catarse e tensão musical que o gênero carrega, por uma produção competentíssima.

A dualidade artística na capa, traduz muito das emoções e energias que percorrem o álbum, como uma metáfora para a dualidade do homem, antecipando-se a letras com forte engajamento crítico e filosófico dentro da contemporaneidade, que se encaixam muito bem à dinâmica brutal e muscular do instrumental. Um bom exemplo disso é “The Final Curtain”, que consegue entrelaçar letra e música de modo intenso.

“Dear Desolation” é um álbum pesado, brutal, insano, caótico, e carregado de tensão, estabilizando a alquimia extrema do Thy Art Is Murder mais pelo Death Metal (ouça “Into Chaos We Climb”) e menos pelo core, numa direção oposta a muitos de seus ilustres congêneres.

Confira o clipe de “The Sons of Misery”… 

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